terça-feira, 12 de setembro de 2017

Recados do tempo - última parte

Queridas (os)
Resolvi fazer um resumo geral dos principais personagens do conto “Recados do tempo.”
Achei que seria muito tenso todos os detalhes que eu teria para relatar o incidente e não era esta minha intenção. 
Peço que me desculpem e não procure coerência em alguns fatos que relatei, sou leiga no assunto aviação e tudo que a envolve. 
Este conto foi apenas uma obra da minha imaginação. 
Gratidão a todos que puderam ler!
Sônia Regina


Recados do tempo - última parte
Com febre alta e em estado grave, Jaime com dificuldade confessou a todos  que desviava combustível, para o avião de um traficante. Contou que quando a aeronave acusou falta de combustível, Galvão descobriu que sua ordem havia sido descumprida. Eles brigaram e Galvão desmaiou, o que fez com que ele não conseguisse sair da cabine e se salvar como Jaime.
Confessou também, que na semana anterior havia recebido um recado através de um sonho,  e estava decidido a não fazer mais o desvio de combustível. Está seria a última vez.  Não entendeu que o pouso forçado que havia ocorrido uma semana antes, era o sinal para parar ou seria tarde demais.
Todos os sobreviventes, foram encontrados e resgatados três dias depois.
Jaime, foi internado sob escolta policial, sairia dali para a prisão onde seria julgado pelos crimes que cometeu. Mas não resistiu a uma infecção generalizada!
Rebeca, mudou muito depois dessa marcante experiência, desistiu da carreira de comissária. Fazendo a peregrinação no Caminho de Santiago, conheceu seu marido. Hoje tem três filhos e muito orgulho de suas cicatrizes!
Júlio, continuou sua carreira, assumiu sua homossexualidade. Conheceu uma pessoa especial, estão juntos e esperando uma criança para adoção!
Dr. Alberto, abriu uma clínica, onde atendia uma vez por semana, gratuitamente pessoas sem recursos.
Áurea foi promovida a comissária chefe, passou a fazer vôos internacionais, até um dia reencontrar Dr. Alberto em uma viagem de férias.
Hoje estão casados, criaram um lar para crianças abandonadas, onde todas estudam e têm todos os cuidados que uma criança necessita para ser feliz, deram a ele o nome de:
 " Lar são asas que acolhem"
Fim

domingo, 10 de setembro de 2017

Recados do tempo - capítulo IX

Áurea percebeu pela fisionomia do amigo, que não era este o motivo da preocupação dele.

_Aura, eu não me afastei de você, somente deixei de contar minhas aventuras. –Júlio sorriu por um instante e continuou a falar. _ Ontem a noite antes do voo eu estava com Galvão, ele recebeu uma ligação. Eu não me achei no direito de perguntar quem era, mas ele me contou! O que vou falar pra você agora é muito, muito grave e sério!

_Não enrola Júlio, fala logo! – Disse ela ansiosa e preocupada.

_A ligação veio do galpão de manutenção dos aviões. Quando o técnico ligou para perguntar se ele tinha certeza que deveria reduzir o combustível da aeronave. Galvão teve um sobressalto e perguntou de quem tinha vindo a ordem. O técnico respondeu que o nome da pessoa era Jaime e que era o copiloto.

_Júlio do céu! Começo a entender o pouso forçado da semana passada! Comentou Áurea pasma com esta declaração do colega.

_Sim Aura, foi por isso. Jaime pedia para colocar o combustível exato, transferindo a reserva de combustível necessária às emergências, para uma aeronave pequena, de uso particular!

Áurea ouvia tudo atônita, sem interromper o colega que continuou:

_Isso foi o que o técnico de manutenção contou para Galvão. No mesmo instante Galvão pediu que ele colocasse o combustível solicitado, nem mais nem menos! Entrou em contato com as pessoas responsáveis pela segurança, Galvão tomou as providências necessárias para segurança do voo. E me confidenciou que iria entregar Jaime, mas não antes de uma conversa com ele.

_Meu Deus, que irresponsabilidade! Isso é homicídio Doloso, ele tinha consciência de que poderia matar a todos. Eu não consigo acreditar nesta capacidade.- Áurea sentou-se no chão tentando digerir tudo que havia ouvido.

_Tem mais, uma coisa. - completou Júlio- Peguei Jaime procurando alguma coisa entre os destroços, o medo era maior que a dor, com certeza.

_A caixa preta!!! Jaime estava procurando a caixa preta do avião Júlio. Alguma coisa aconteceu naquela cabine que só Galvão e Jaime sabem. Precisamos colar no Jaime para que ele não encontre. Rezar para sermos resgatados e então entregar este assassino as autoridades!

_Aura, temos que ter cuidado para que Jaime não descubra que sabemos o que ele fazia! Controle seus impulsos femininos de agarrar aquele pescoço e esganar! – Ela riu gostosamente esquecendo-se do que estavam vivendo. Respirou fundo controlando o riso. _Claro meu amigo, não me contive de ouvir você falar desse jeito, quantas vezes me alertou em nossas conversas e eu despencava em gargalhadas. Saudade daqueles dias meu amigo– Aura ficou séria, pegou a mão do amigo que estava agachado perto dela. _Júlio, estou com medo de que não nos encontrem!

Júlio segurou a mão da colega, e lembrou:

_Minha amiga, você é uma mulher de fé, sempre foi. Não desanime, creia. Não é o que você sempre me diz?  Vamos rezar e falar com Deus, pedir que envie seus anjos!


Alberto, o médico se aproximou deles, que pensaram o que será que ele viria dizer? O estado de alguém havia piorado? E se fosse isso.. quem seria?


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Recados do tempo - Capítulo VIII

A noite chegou, estavam todos juntos em volta da fogueira que acenderam. Áurea e Júlio se afastaram um pouco para conversar!
_ Júlio, percebi que está triste desde a hora em que Rebeca foi grossa com você! - Áurea observou-o pegar no bolso da camisa um maço de cigarros amassado. Ofereceu a Áurea que aceitou:
_ Parei de fumar há três anos, mas agora estou precisando!
Acendeu o cigarro dela, depois o dele, ficou olhando a fumaça por uns segundos e perguntou a colega:
_ Você não entendeu o que ela quis dizer?
_ Claro que sim! Só não entendi o porque da agressividade e do ataque dela. Você nunca escondeu de ninguém que é gay.
_ Aura, o problema não é por eu ser gay... mas “quem” era meu companheiro!
_ Como assim Júlio? O que ela tem a ver com seu parceiro? - Perguntou Áurea franzindo a testa sem entender onde ele queria chegar.
Júlio respirou fundo, olhou em volta para se certificar de que ninguém estava ouvindo e aproximou-se um pouco mais da colega.
_ Vou te contar tudo, tempo é o que não nos falta. Ironizou Júlio com um riso triste. _ Nao posso manter isso em segredo, alguém além de mim tem que saber.
_ O que vou lhe contar Aura, é muito sério. Descobri na noite anterior ao nosso vôo. Nao me julgue até ouvir toda história? Por favor?
_ Quem sou eu para julgar você Júlio? Você me conhece! Fique tranquilo, quantos desabafos fiz com você?!
_ Aura, o meu companheiro a quase um ano... é Galvão! -Confessou.

_ Galvão? -Áurea se surpreendeu- Agora entendo porque voce se afastou de mim...para não correr o risco de me contar. - Áurea sorriu na intenção de aliviar a preocupação do amigo, pensando que este era o único segredo que ele tinha a lhe revelar, mas o que ela não imaginava, era a proporção do que lhe iria ser revelado...

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Recados do tempo - capítulo VII

Áurea e Júlio estavam ajeitando o que haviam encontrado de alimentos para que todos pudessem comer alguma coisa.

Dr Alberto olhou o relógio que trazia no pulso com o vidro quebrado. 
Era 16:00 hs, fazia oito horas que a aeronave havia caído, estava perto de anoitecer. A temperatura o do local começava a baixar rapidamente.
Ele olhou para os dois ajeitando o alimento, barrinhas de cereais, torradas, manteiga e água. 
Fechou os olhos tentando acalmar o medo que começava a crescer dentro dele. 
Eram as únicas coisas que tinham para comer, e ao deduzir que a alimentação era somente para a viagem de ida, para 84 pessoas. Imaginou que poderiam com racionamento aguentar uns três dias.

Áurea e Júlio começaram a distribuição dos alimentos, eles e o médico foram os últimos a se servir. Sentaram-se perto um do outro ao lado de Jaime, que perguntou: 
_Dr. meu braço me preocupa! Não entendo de medicina, mas...sei que minha situação não é muito segura!

O médico olhou para os dois companheiros do lado e falou:

_ Jaime, não vou te enganar. Sua situação é grave, os medicamentos que lhe dei, vão aliviar a dor por um tempo! Mas você precisa de uma cirurgia, tem uma fratura grave e não temos medicamentos suficientes para evitar infecção.

Jaime, apertou os olhos com a mão que não estava ferida, o desespero tornou-se nítido.

_ Jaime, vamos acreditar que nos encontrarão ao amanhecer? -Disse Áurea tentando aliviar a dor e o desespero do colega. - _ Eles devem estar a nossa procura. - Todos concordaram com a cabeça, mas seus olhos não tinham a mesma certeza.

E agora, viria mais um desafio, resistir aos perigos da noite e não perder a fé de serem encontrados o mais rápido possível!

Recados do tempo – capítulo VI

Aproximando-se do grupo, Áurea dirigiu-se para perto de Rebeca, não gostou da feição da colega, estava carregada e amargurada, tinha nas mãos um espelho quebrado, chorava enquanto observava o corte superficial na face, nos pés ainda mantinha o sapato de salto médio. 
Cautelosa, Áurea baixou-se ao lado da colega:

_Rebeca, você está bem? Perguntou.

Num movimento brusco, virou-se para Áurea e gritou chamando a atenção de todos a sua volta:

_Vai te catar Aura, como posso estar bem? Estou no meio do mato, o rosto ferido, não sei quando sairemos deste fim de mundo! E você vem com essa? Levantando ainda mais a voz arremedou Áurea. “_Rebeca, Você está bem?” _Vai dá uma de boazinha com outro vai Aura, me erra! 

Rebeca levantou-se da poltrona colocada junto a outras em forma de círculo, com o espelho na mão saiu raivosa. Mas voltou, parando de frente à Áurea e completou seu discurso:
_Pra seu governo, a chefe aqui sou eu, não se esqueça!

Antes que ela continuasse Áurea se levantou e Júlio se enfiou entre as duas, e segurando o braço de Rebeca alertou:

_Calma Rebeca, estão todos vendo seu show, você está fora de si...

_Me solte seu...seu... ah você sabe bem o que quero dizer! -Disse Rebeca sem constrangimento algum ao ver Júlio baixar a cabeça e sair de perto delas.

Áurea respirou fundo, percebeu que todos estavam olhando para elas e qualquer coisa poderia desencadear um conflito ou pânico depois de ouvir as lamúrias de Rebeca, encostou-se bem perto dela e falou de forma que os outros não ouvissem. 
 
_Tem razão Rebeca, você é a chefe! Então, solte esta porcaria de espelho, coloque os sapatos adequados para a situação e tome as rédeas ao invés de se olhar no espelho e lamentar-se por um risco no rosto quando tanta gente perdeu a vida! - Rebeca ouviu tudo com os braços cruzados, fazendo-se de desentendida! Áurea continuou a falar sem se importar com a ironia da colega!-
_Muitos aqui perderem parentes, filhos, amigos. Não seja egoísta olhando para o próprio umbigo.
Seja capaz de cumprir com suas responsabilidades como profissional que é  antes de ser chefe dos comissários vivos e mortos desta aeronave! 
- Dizendo isso Áurea se afastou indo ao encontro de Júlio. Rebeca se deu conta de que estava entre os 18 passageiros que sobreviveram. Alguns haviam perdido a família inteira, outros tiveram seu membros dilacerados como Jaime, outros teriam sorte se conseguissem sobreviver ao resgate, se é que ele aconteceria! Sem jeito Rebeca foi até as malas empilhadas onde haviam roupas e calçados, escolheu um tênis que servisse e o calçou, dirigiu-se à Jaime e perguntou baixinho:

_Jaime, me ajude, o que eu faço? Essa nojenta da Aura veio me chamar a atenção, quem ela pensa que é?

Jaime a olhou incrédulo pela cena que havia visto minutos antes.

_Rebeca... antes de qualquer coisa, cresça! Não sou fã de Àura, mas ela tem razão em cada palavra e vírgula que lhe falou! - A primeira coisa a fazer agora é não esquecer que estas pessoas estão contando conosco! Ninguém aqui quer saber quem é mais que quem, somos apenas sobreviventes. É hora de colocar em prática o que aprendemos quando resolvemos nos tornar o que somos. -Jaime deu um sorriso sarcástico com o canto da boca!

Rebeca baixou a cabeça, ainda olhando no pequeno espelho quebrado. Inerte a tudo que fosse diferente de seu reflexo. Jaime a olhou, franziu a testa e perguntou:

_Rebeca? Como você passou em nosso teste de sobrevivência?

No mesmo instante Rebeca fechou a cara, levantou-se e saiu de perto do grupo!

sábado, 2 de setembro de 2017

Recados do Tempo capitulo V

O sol já estava se pondo, nenhum sinal de celular e nem sinal de socorro haviam aparecido.
Eram 22 sobreviventes, de um voo com 74 passageiros e seis tripulantes, perdidos em um vale com mata fechada, sem sinal de comunicação, totalmente a mercê da natureza, e possivelmente animais selvagens.
Seguindo as orientações de Jaime o co piloto, levaram os corpos encontrados para um local fresco e seco embaixo das árvores formando uma fileira. Segundo ele, isso poderia tirar a atenção de algum animal predador que tivesse intenção de atacá-los durante a noite, e também evitaria o sol do dia seguinte que poderia tornar a situação ainda mais difícil.
_Triste, porém necessário para tentar manter nossa segurança. -Explicou Jaime.
As bagagens que conseguiram recuperar foram abertas e roupas, calçados e  agasalhos foram distribuídos para protegê-los do frio da noite.
Júlio e Áurea conseguiram recuperar quase todo alimento, água e bebidas que havia no avião. Assim conseguiriam aguentar um pouco mais de tempo. E o que era melhor conseguiram encontrar a Caixa de primeiros socorros da aeronave e também a pasta de trabalho do Dr. Alberto que ajudaria muito com alguns medicamentos e aparelhos que ele sempre carregava.
Reunidos em um ponto um pouco afastado dos destroços, Alberto atendeu da melhor forma possível cada um que lá estava.
Alguns casos o preocupavam, ele chamou Áurea e Júlio, e comentou os casos, inclusive o de Jaime, todos precisavam ser operados. O risco de infecção já existia.
_Eu tive que dar um sedativo para a mulher que perdeu a filha e também para a colega de vocês.
_Rebeca? - Perguntou Áurea preocupada-
_Sim, é o nome que está no crachá de identificação. Ela não responde … está em choque! -Concluiu o médico!
_ Vou conversar com ela. Muito obrigada Alberto! - Áurea deu um sorriso cansado ao médico e observou- _ Seria irônico dizer que estou feliz por estar aqui Dr? - Alberto retribuiu o sorriso, ofereceu a ela um pouco de água, tentando conforta-la,  colocou delicadamente a mão em seu ombro e respondeu:
_Se é assim, também serei irônico!!! Obrigada a você também por estar aqui.
_ Aqui e agora somos um por todos e Deus por nós....Acredita em Deus Dr. ? -Perguntou ela.
Alberto​ calou-se por uns instantes e respondeu:
_Ainda não consegui entender seus desígnios, mas... Sim, acho que sim!
_ Entendo! Depois falaremos mais Dr. Vou ver Rebeca. -Dizendo isso Áurea caminhou em direção ao grupo onde estava Rebeca!

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Recados do Tempo Capítulo IV

Com sacrifício engatinhando e ora se arrastando pelas frestas, Júlio conseguiu chegar á entrada da cabine,  pode somente  ver  o corpo de Galvão debruçado sobre o manche, os braços largados e inertes com a mão repousando em concha no chão. Em vão tentou e constatou, não havia como entrar, com esforço ele conseguiu alcançar a mão direita do piloto, e segurando sussurrou com a voz embargada:
 _Descanse em paz meu amigo!– Júlio chorou ao  lembrar que poucas horas antes estavam rindo e brincando enquanto tomavam o café no aeroporto.
Jaime, que mal conseguia se mover tamanha dor que sentia, estava apoiado no encosto de uma das poltronas que se soltaram com a queda, perguntou:
_Conseguiu alguma coisa Júlio?- Observando que o colega trazia algumas coisas que havia encontrado dentro da aeronave, mas não perguntou do que se tratava.
_Não Jaime.  É impossível chegar lá!
_E os celulares que encontraram, não estão funcionando?
 _Até o momento em que deixei Aura e os outros tentando. Os poucos aparelhos que estavam inteiros não havia sinal! Explicou Júlio.
Jaime encostou a cabeça novamente no assento, e concluiu:
_De qualquer forma vão nos encontrar. Galvão pediu socorro à torre um pouco antes da queda! Só não sabemos quando nos acharão. Percebeu que estamos numa espécie de vale?
_Sim percebi! Pensei em pegar os celulares e subir – Júlio apontou com a cabeça para o alto do morro- _ Quem sabe eu consiga sinal.
Jaime sem dizer nada observou Júlio se afastar.  Pensou que precisaria encontrar a caixa preta do avião!

....

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Recados do tempo

Recados do tempo

Uma comissária de bordo apaixonada por seu trabalho,  Áurea, que significa aquela que é  feita ou coberta de ouro,  é uma pessoa comum, uma mulher independente, solteira, não é perfeita apenas diferente. Admirada por vários colegas de trabalho, odiada por outros, ela mudará a visão que muitos tinham dela.
A queda da aeronave, vai reunir alguns colegas de trabalho e sobreviventes do desastre aéreo com pensamentos, comportamentos e estórias de vida diferentes. 
Áurea terá que colocar em prática a sua fé e determinação em ajudar as pessoas não somente fisicamente mas principalmente despertará em cada um questionamentos de seus comportamentos anteriores, cada um deles vai descobrir que o tempo enviou seus recados e tentou entregar, mas eles não perceberam. Definitivamente nenhum deles saíra igual desta experiência.

Em breve postarei o quarto capítulo. 
Gratidão

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Recados do Tempo - III Capítulo

Ao atravessar para o outro lado passando por dentro da aeronave, Áurea viu Rebeca comissária chefe, e Jaime o copiloto, ambos estavam feridos levemente.  Júlio ajudava os passageiros que estavam nos assentos traseiros do avião com a ajuda de outros passageiros que estavam levemente feridos.  
_Rebeca, Jaime, como vocês estão? -Perguntou Áurea aos amigos- E os outros tripulantes, não os encontraram?
_Rebeca, olhou para Áurea e disse em desespero:
_O piloto Galvão, está preso na cabine, Jaime disse  que deve ter quebrado o pescoço...está morto. As outras comissárias estavam no meio da aeronave na hora do impacto, devem estar enterradas embaixo da fuselagem! - Rebeca disse isso e despencou em um choro compulsivo.
_Áurea a abraçou e disse-lhe baixinho:
_Calma Rebeca,  tudo vai ficar bem. - Rebeca tinha apenas três anos de profissão, era muito bonita, esperta, uma pessoa muito preocupada com  aparência física, embora já tivesse mais de vinte cinco anos era infantil, e sempre deixará claro que queria o sucesso a qualquer preço. Áurea não a julgava, nem dava ouvidos aos mexericos que se ouvia nos corredores. Apesar de não concordar com sua forma de viver e pensar, a respeitava como colega de profissão. Já alguns companheiros de profissão não a suportavam achavam-na fútil e vazia.  Agora, nada disso importava, todos eram iguais e estavam na mesma situação. Vendo assim sua chefe, Áurea percebia que Rebeca parecia mais uma criança assustada do que a chefe das comissárias. Ela precisaria tomar a frente.
_Tente ficar calma Rebeca, precisamos ajudar os passageiros, são eles que precisam de nós agora!
Levantando-se  Áurea dirigiu-se a Jaime.
 _ Jaime, como está se sentindo?
_Estou atordoado e com muita dor no braço! –Jaime respondeu enquanto travava os dentes de dor. Ela olhou o braço dele sem tocar, e constatou:
_Está quebrado Jaime, está muito inchado, é uma fratura exposta. Vou fazer uma tipóia, temos um médico aqui, assim que o livrarmos do peso que prende suas pernas, nos ajudará muito.  - Ela pegou entre os destroços um travesseiro, arrancou fios das mascaras respiratórias, improvisando uma tipóia com cuidado. - _ Pronto! Pelo menos vai impedir movimentos até que possamos ver isso com mais calma. O rádio, está funcionando Jaime? 
_Não sei, ainda estou fora de mim! Precisamos ver todos os sobreviventes, separá-los dos ...corpos. Ajeitá-los em local seguro para passarmos a noite antes que escureça. –Disse Jaime.
_Sim, faremos isso. -Respondeu Áurea-  Mas antes preciso de ajuda para levantar a asa que está prendendo o médico. depois vou ver se o rádio está funcionando, Áurea levantou e disse em voz alta:
_Temos um passageiro preso do outro lado, preciso que me ajudem a levantar a asa para libertar suas pernas que estão presas sob ela. Quem pode ajudar?
Júlio e mais três passageiros acompanharam Áurea. Ao erguerem a asa viram que as pernas de Alberto não haviam sido quebradas, pois, foram protegidas pelos corpos de duas pessoas, uma delas sua amiga Tânia comissária e um passageiro. Ambos estavam mortos, chorando Áurea e Júlio viraram os corpos e puxaram para longe da aeronave, Alberto moveu as pernas normalmente, e levantou-se sentindo apenas um formigamento pelo tempo que esteve imóvel.
_Júlio, pode ver se o rádio está funcionando? Jaime está com uma fratura exposta no braço, não viu isso antes de sair da cabine!Ela pediu ao colega enquanto ambos se faziam de fortes e enxugavam as lágrimas com as mãos sujas de terra e sangue!
_Sim vou ver isso. Se Deus quiser conseguiremos algum contato para pedir ajuda. - Virou-se para Áurea novamente e disse:
_O que faremos com os corpos? 
_ Vou falar com Jaime e Rebeca,mas... teremos que enterrá-los! 
Sem palavras e com muita tristeza no olhar, Júlio virou-se e seguiu para a aeronave, rezando para conseguir chegar ao rádio e fazê-lo funcionar!

  




Recados do Tempo Capítulo II

Ao chegarem do lado de fora da aeronave, que se havia partido ao meio, o caos estava instalado.
Áurea levou as mãos ao rosto e chorou, um grito a fez voltar a  realidade.
_Alguém me ajude... Aeromoça.. me ajude... minha perna esta presa! -Áurea virou-se e viu entre tantos aquele homem que gritava e sangrava na testa.
_ Júlio, há possibilidades da aeronave explodir?
_Não Aura. O motivo da queda foi falta de combustível. – Júlio a olhou com cumplicidade recebendo de Áurea um apertar de lábios que ele já sabia o que significava.   
_Tudo bem, menos  mal. Na hora certa resolveremos  isso. Agora precisamos encontrar as outras comissárias, o piloto, o copiloto. Também as caixas de primeiros socorros, cobertores, tudo que pudermos tirar da aeronave. Rápido, procure por eles eu vou  ver as pessoas aqui, ver se há alguma capaz de nos ajudar.
_ok Aura.  –Júlio  dirigiu-se ao que restava da aeronave, enquanto Áurea foi até o homem que gritava por sua ajuda.
Com cuidado Áurea passava por pessoas, certificando-se de seu estado,  havia encontrado três que estavam sem vida. Com lágrimas nos olhos seguiu a difícil caminhada por entre destroços, bagagens e pessoas até alcançar o homem.
_Senhor, meu nome é Aura, lembra-se de seu nome? Como se chama?
_Meu nome é Alberto, sou médico. Tateando percebi que o ferimento que tenho na cabeça é superficial, minhas pernas estão presas, não estão quebradas, eu sei que não estão, só estão presas.
_ Alberto, estava viajando sozinho? 
_Sim, estava sozinho, voltando de um Simpósio!
_ Está certo Alberto, espere um momento, vou ver como podemos tirar o peso que prende suas pernas.
Áurea foi até onde estava presa a perna de Alberto, sob parte da asa esquerda. Com esforço tentou levantá-la, mas foi em vão. Voltou-se para ele e avisou:

_Alberto,  vou precisar de ajuda para levantar parte da asa que está sobre suas pernas. Preciso sair um pouco e procurar um dos comissários para nos ajudar está bem? -Ela esforçou-se por um sorriso, com o coração apertado, não poderia deixar que os sobreviventes entrassem em pânico ao perceberem que só haviam ela e Julio da tripulação até o momento...

Recados do tempo Capítulo I

Recados do tempo

Comissária de bordo apaixonada por seu trabalho,
Áurea, que significa aquela que é  feita ou coberta
de ouro; é uma pessoa comum, uma mulher 
independente, solteira, não é perfeita apenas 
diferente. 
Admirada por vários colegas de trabalho, odiada
por outros, ela mudará a visão que muitos tinham
dela.
A queda da aeronave, vai reunir alguns colegas
de trabalho e sobreviventes do desastre aéreo
com pensamentos, comportamentos e estórias
de vida diferentes. 
Áurea terá que colocar em prática a sua fé e
determinação em ajudar as pessoas não somente
fisicamente mas principalmente despertará em
cada um questionamentos de seus 
comportamentos anteriores. Cada um deles vai 
descobrir que o tempo enviou seus recados e 
tentou entregar, mas eles não perceberam. 
Definitivamente nenhum deles saíra igual desta
experiência.



Recados do Tempo 
I Capítulo

“Uma vida sem desafios, não vale a pena  ser vivida!” Platão

Áurea lembrou-se do dia em que anunciou aos pais qual carreira iria seguir, diante da recusa da mãe que desesperada tentava fazê-la mudar de ideia dizendo quase aos prantos:
 _Como pode querer uma profissão tão perigosa, incerta e desregrada como esta Áurea?  Não... não, por favor, filha. Você quer acabar comigo? - Desfazendo-se em lágrimas a mãe frágil e submissa buscou apoio nos braços do marido pai de Áurea.
_Mãe o que é isso? Não adianta chorar mãe, é o que eu quero!  Já está decidido e não volto atrás, vou ser comissária de bordo! É uma profissão como qualquer outra  os riscos de um avião cair são menores do que uma colisão de veículos você sabia?   -Áurea não se deixou levar pelas lágrimas da mãe, olhou para o pai que nada dissera até agora, apenas ouvirá e acalentava a esposa. Áurea estava  esperando seu parecer. Olhando para a filha com carinho peculiar, disse calmamente:
_Filha, como dizia Platão: “ Uma vida sem desafios, não vale a pena ser vivida!”  Vá em frente, de o melhor de si, e seja  a melhor no que faz. Estamos do seu lado! Não é querida?  – perguntou  o pai apertando o ombro da esposa levemente. Contrariada, a mãe concordou, enxugando as lágrimas do rosto. 
Era comissária há dez anos, nunca houvera ocorrências graves nos voos que fez, apenas coisas corriqueiras, turbulências, passageiros que exageravam na bebida, alguns pousos de emergência, sustos, mas nada que a fizesse perder o amor e a devoção pelo seu trabalho.
Áurea começou a despertar e a frase que o pai lhe dissera ecoava em sua mente:
 “ Uma vida sem desafios, não vale a pena ser vivida!” 
_ Socorro!... -Ouvia ao longe um grande vozerio, várias pessoas falando, outras gritando e chorando  ao mesmo tempo.
_Por favor, minha perna está presa!
_Minha filha? Cadê minha filha?
Aos pouco Áurea começou a despertar com um dos comissários dando palmadinhas em seu rosto:
_Aura, Aura acorde! Aura! -(Aura era seu nome de batismo na profissão, era comum ter um nome de trabalho que não fosse o seu nas empresas aéreas).
 Ela ergueu a cabeça, sentindo dores no pescoço,  percebeu que ainda estava presa ao cinto de segurança.
_Júlio?! O que aconteceu??
_Aura...nos caímos. A aeronave caiu! -Disse o jovem comissário tentando manter calma e equilíbrio. -  _Preciso de você, há pessoas presas, feridas.
Foi como um balde de água fria jogado-lhe na cara, ela abriu os olhos rapidamente recuperando a consciência.
_Meu Deus! Júlio me ajude a soltar cinto. Rápido...

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Verônica – 25ª e última parte

Pedro arrastou Verônica para a cama sem desgrudar seus lábios dos dela.

A única coisa que passou pela cabeça dela por alguns segundos, foi que aquele Pedro ela nunca imaginou que existia, nunca havia se permitido pensar nele de forma tão intima.

A esta altura mais nada importava a não ser que ela queria ser inteira dele.

.......

Deitada de bruços, Verônica suspirou ao sentir Pedro beijar suas costas até chegar em seu ouvido e sussurrar.

_Você me enfeitiçou!

Ela sorriu e sem abrir os olhos respondeu:

_E você a mim, jamais imaginei que isso pudesse 
acontecer, embora eu confesso que cheguei a desejar!

_A vida é feita de surpresas, são elas tornam a vida melhor não acha!? -Ele sorriu pra ela.

_ Sim, sem dúvida! –Respondeu virando-se para ele cobrindo-se com o lençol. _Você é tudo de bom! Sempre gostei muito de você Pedro, sabe disso. –Ela acariciou o rosto dele dando-lhe um beijo leve na boca.

_Verônica, não sabe a quanto tempo venho controlando meus instintos quando estou perto de você.
Fiquei fascinado por você desde o dia em que vocês chegaram à fazenda. Não imagina quantas vezes disfarcei para ninguém perceber. Só não consegui enganar minha mãe.- Ele gargalhou.

_Lena não pode saber disso Pedro, por favor!- Nitidamente preocupada ela levou as mãos a cabeça _ Meu Deus... Lena não vai aprovar isso, que vergonha,ela vai me odiar.

_Pare com isso Verônica! Tenho trinta anos não sou mais um menino, embora minha mãe queira fingir que ainda sou. Ela não vai falar nada, sei como ela pensa. E tem mais, a vida é minha não dela.

__Não sei. -Ela estava realmente muito preocupada, pensava em como Lena reagiria? E Nelson? Iria provavelmente fazer um escândalo, chamá-la de vadia, e outras coisas mais.

_O que foi? –Perguntou ele vendo-a perdida em pensamentos.

_Tudo parece tão maravilhoso que me assusta um pouco.

_Assusta por quê? Eu jamais brincaria com seus sentimentos.

_Eu sei que não Pedro. Mas... eu sou mais velha que você uns dez anos. Sua mãe não aprovaria e Nelson faria um escândalo.

_Ei... ele estalou os dedos como se querendo fazê-la acordar. _Você não é mais esposa dele, não deve mais satisfações, esqueceu? E como eu disse, minha mãe sabe dos meus sentimentos por você. -Verônica arregalou os olhos incrédula. _ Não precisa olhar assim, porque acha que até agora ela, não veio aqui ou ligou! –Ele deu uma piscada pra ela que pareceu acordar.

_Fiquei tantos anos vivendo sob os desmandos e manias dele, que até esqueci que estou livre daquele bode velho. – Começaram a rir pelo apelido que ela chamou o ex-marido. _ Sabe que gosto mais deste Nelson que do outro? Este pelo menos é feliz.

_Eu adoro quando você sorri – Ele disse puxando seu rosto delicadamente para olhar nos olhos dela e continuou _Verônica! Esqueça esta coisa de idade, esqueça o medo, o que vai ser ou o que vai fazer! Vamos viver isso. Nada nos impede de sermos felizes, curtir a vida juntos.

_O que você viu em mim Pedro? Sou uma mulher tão comum! Não há como esquecer que sou mais velha, tenho marcas, rugas, cicatrizes. Vai conhecer tanta mulher bonita e jovem... 

Ele a interrompeu sendo enfático:

_Eu quero ficar com você Verônica! Não me interessa suas marcas, rugas, cicatrizes, eu quero conhecer cada uma delas. Elas fazem parte de você dos momentos que passou na vida. Eu quero conhecer você por inteira.

_Pedro, eu quero viver isso tudo, mas tenho que ter os pés no chão! Ser racional!

_ Eu vou perguntar uma coisa e você me responde com sinceridade e dependendo da resposta eu não vou mais insistir. Pode ser? -Ele estava falando sério e seu semblante era de um homem bem mais maduro do que aparentava.

_Claro, pergunte o que quiser! –Respondeu ela.

_Você gosta de mim a ponto de deixar de ser racional, amor não é racional é instintivo. Está disposta a correr riscos, assumir um relacionamento comigo? Se você disser que não, deixo você em paz e continuamos amigos! –Ela olhou pensativa, não queria deixar de viver aquele sentimento que fazia tão bem, que a fazia sentir-se livre.

 _Pense direito, porque vou respeitar sua vontade. –Reforçou Pedro.

Alguns instantes de silêncio ela olhou para ele que aguardava sua resposta.

_E então, pode responder?

_Sim Pedro, eu gosto de você a ponto de correr os riscos. Quero viver tudo que pudermos viver juntos. Eu quero amar você o tempo que durar esta nossa louca paixão. Quero ter você todas as vezes que eu desejar eu quero muito me fazer feliz, e o que me faz feliz hoje é estar com você. Que este amor seja infinito enquanto dure.  

Pedro abriu um belo sorriso ao ouvir a resposta.  abraçou-a com força e confirmou:

_Sim, que seja infinito enquanto dure meu anjo!- Ele beijou Verônica com mais paixão do que antes, agora a vida os guiaria e fariam o possível para que este amor fosse sempre intenso, leve e livre!!!


Fim


terça-feira, 16 de maio de 2017

Verônica 24ªParte

Verônica desceu para o café da manhã e encontrou Lena ajeitando a mesa.

_Bom dia Lena. Já tomou café?

_Bom dia menina! Já sim, levanto com as galinhas você sabe! -sorriu sentando-se de frente para verônica. _Pelo que sei está tudo resolvido entre você e Nelsinho, que bom que tudo acabou de forma pacífica não é minha filha?

_Pois é Lena, quem diria quando chegamos aqui, que ao sair minha vida teria outro rumo. –Ela comentou naturalmente, sem tristeza ou amargura, enquanto se servia de um pedaço de bolo.

_E quem somos nós para achar que nossa vida tem rumo certo? Antes de ir embora hoje, Nelson disse que é pra você aguardar o telefonema do doutor aqui, não voltar para São Paulo antes que ele fale com você.

_Ele já foi embora? –Perguntou Verônica.

_Foi sim, logo cedinho.

_Estranho ele pedir que eu fique aqui!

_Ele também me disse que pensa em dividir a fazenda para que metade dela seja sua! Eu quase dei um grito de felicidade. Mais eu controlei sabe. -Lena falou séria como se preocupada com os sentimentos de Nelson.

_Você é muito especial Lena, sabia? – Verônica pegou gentilmente a mão de Lena sentindo-se feliz por ser querida por ela. _ Vou ver Pedro, esta em casa ou nas baias?

_ Quando sai de casa ele estava dormindo, é bom que você vá ver o que ele tá aprontando. Ele não para um minuto Verônica parece criança. Pior é que não me ouve! –Lena falou contrariada.
................
Verônica entrou na casa de Lena, tudo estava em silêncio, pensou que Pedro deveria estar visitando as baias e virou-se para sair quando ouviu um barulho vindo do quarto dele.

_Pedro? – Ela chamou apreensiva.

_Verônica? Entre estou aqui no quarto. -Respondeu.

Ela abriu a porta e lá estava ele, com uma toalha na cintura e outra enxugando os cabelos.

_Pedro! O que aconteceu, que barulho foi este? -Perguntou assustada.

Ele virou pra ela e olhou atrás da porta enquanto explicava:

_Foi a bengala que rolou de cima do guarda roupa! Porque?

_Deixa pra lá. -Ela desconversou. _Você está bem?

Ele abriu os braços em forma de cruz segurando uma das toalhas enquanto a outra continuava presa à cintura.

_O que lhe parece? –Ele perguntou com sorriso maroto, ela ficou uns instantes observando aquele homem caminhando devagar em sua direção.  Respondeu sem pensar:

_Me parece muito bem. Bem...sim, está muito...está muito bem! –Verônica sentia novamente seu corpo tremer ao sentir que ele se aproximava dela não conseguia parar de gaguejar.

_E você gostou de me ver...bem? 

Eles estavam muito próximos, ela podia sentir o calor dele. Seu coração disparou, ela mal conseguia falar direito. Só conseguia sentir seu corpo quase grudado ao dela.

_Adorei...ver você...

Pedro colocou as mãos na parede mantendo Verônica cercada por seus braços. _Verônica... -Ele sussurrou o nome dela. Verônica fechou os olhos num gesto de entrega. Ele puxou-a para junto dele, agarrou seus cabelos e a beijou com paixão.

Os dois se entregaram aquele beijo esquecendo o mundo lá fora. Era um momento só deles.

Ela não o impediu, não queria e não iria resistir a ele...e tão pouco queria sair de seus braços.
...............






Verônica 23ª Parte

Lena esperava ansiosa por eles na porta de entrada.

_Pedrooo... porque demoraram tanto? Eu estava preocupada!

_Desculpe mãe, eu quis levar Verônica para conhecer o Parque Ecológico. Tentei ligar pra você mas seu celular só dava ocupado! -Explicou Pedro.

_Perdoe-nos Lena, devíamos ter ligado logo que saímos do consultório! –Lamentou verônica.

_Tudo bem, com foi a consulta? -Lena perguntou apreensiva.

Pedro e Verônica se olharam com ar de suspense. Ele olhou para a mãe e animado contou as novidades. Lena não cabia em si de tanta felicidade.

__Que notícia maravilhosa meu filho! -Abraçou e beijou várias vezes o filho tamanha alegria.

_Vamos entrar mãe?! Preciso beber alguma coisa, minha boca está seca!

Antes de entrar Lena aproximou-se um pouco mais de Verônica.

_Nelsinho está aqui! Chegou faz uma hora mais ou menos. Estão esperando você no escritório!

_Estão? Nelson está com alguém ai? –Perguntou Verônica com estranheza.

_ É o advogado, sei que o nome é Francisco. Acho que é ele que está cuidando dos papeis da separação de vocês.

_Francisco! -Verônica sabia que não era o advogado deles. _Pensei que ele fosse fazer isso com o nosso advogado. Obrigada Lena, vou falar com eles! _
Ela pensou que talvez Nelson não quisesse misturar assuntos pessoais com comerciais. Verônica desapareceu casa adentro. Pedro e a mãe se dirigiram a cozinha!

_Entre! – Gritou Nelson ao ouvir  as batidas na porta, Verônica entrou.

_Boa tarde!

_Entre Verônica, Lena me disse que foi com Pedro ao médico, e como ele está? –Perguntou Nelson.

_Está bem, já teve alta médica! -Respondeu ela.

_Que bom! –Disse Nelson virando-se em seguida para o homem a sua frente. _Verônica, este é o Dr. Francisco, ele fez todo o processo de divórcio! -Verônica cumprimentou o advogado e sentou-se na cadeira ao lado dele. Francisco era um homem jovem, tinha os traços do rosto delicados, era magro. Não tinha uma beleza estonteante e se vestia com elegância, estava com uma expressão muito séria, talvez pela causa que o levará até ali.
.......

Após um bom tempo de conversa, já a par de todo o processo e de como as coisas seriam feitas, Nelson perguntou:

_Alguma dúvida Verônica? Você concorda com a divisão de bens? Se quiser acrescentar ou mudar alguma coisa ainda há tempo.

_Não Nelson. Para mim está perfeito assim. E agora? ...

_Eu entrarei em contato com você assim que tudo estiver acertado -Explicou Dr. Francisco.  _Hoje em dia é muito mais fácil. No caso de vocês  há outros procedimentos a serem feitos porque deve ser feita a divisão dos bens. Vocês se casaram com comunhão total de bens. 

_Entendi, muito obrigada Dr. Ficarei aguardando seu contato. Agora se me dão licença, tenho algumas coisas á fazer antes do jantar. -Disse ela levantando-se.

_Fique a vontade Verônica eu e o Fran... eu e o Dr. Francisco vamos dar uma volta pela fazenda antes do jantar.

Verônica inclinou a cabeça afirmativamente. Teve certeza neste momento que Nelson já havia dado um rumo à vida dele. Se ela o conhecia bem, Nelson e Francisco tinham muito mais do que uma relação entre cliente e profissional. Sorriu internamente, isso não era mais da conta dela. Agora, desejava apenas que o ex
-marido fosse feliz e ela também iria ser.

.....

sábado, 13 de maio de 2017

Verônica 22ª parte

O parque era muito bem cuidado, arborizado, Pedro falou que também haviam algumas espécies de pássaros em viveiros e animais em jaulas como um pequeno zoológico.

_Que lugar lindo Pedro, não sabia que existia um lugar assim aqui! -Observou verônica encantada enquanto caminhavam.


_É muito bonito sim, bem cuidado e ótimo para relaxar. -Todas as manhãs há grupos de meditação, Yoga, ginastica. Eu costumava vir sempre aqui nas férias da faculdade para fazer uma caminhada, sair um pouco da fazenda sabe!

_Que legal isso. E é a prefeitura que mantem? -Perguntou Verônica

_Sim. Mesmo porque há uma escola municipal infantil aqui dentro. Daqui a pouco cruzamos com algum grupo, é sempre assim durante a semana.

_É maravilhoso! - Verônica parou e apoiou os braços na grade de proteção as margens de um grande lago. -Pedro parou para observar ao lado dela. _Olhe aqueles macacos, que graça! Deve ser um casal. Ela apontou se deliciando ao ver os dois animais rolando na grama que ficava no reservado de terra bem no meio do lago.

_Sim é um casal, são divertidos e muito espertos. Vamos andando? Ainda há muitos animais e aves para ver.

_Vamos, não me deixe ficar tão empolgada em cada lugar que eu parar Pedro. Vamos chegar em casa de madrugada se não me chamar. -Ela sorriu divertida seguindo ao lado dele o passeio.
...........

Já a caminho do carro, Verônica comentou:

_Obrigada Pedro, amei conhecer este lugar. Fico feliz por dividir comigo suas recordações e histórias de infância. Obrigada mesmo!

Os dois estavam parados ao lado da porta quando Pedro virou-se pra ela:

_Que bom que você gostou, este é um lugar muito especial pra mim. Só tenho na memória bons momentos, boas recordações e agora mais um momento especial pra mim... estar com você aqui. 

Pedro chegou bem próximo, ela sentiu seu rosto esquentar e seu coração acelerar de tal maneira que pensou que ele podia ouvi-lo. Sua respiração estava ofegante, não conseguiria disfarçar se continuassem mais um minuto parados um de frente para o outro. De repente ela os tirou naquele momento mágico.

_Vamos Pedro, sua mãe deve estar se perguntando onde fomos parar!

_Verdade! Dona Lena deve estar de cabelo em pé. –Ele sorriu com o canto da boca se dirigindo ao lado do passageiro.

Na volta Pedro explicava algumas coisas sobre o parque que acabaram de visitar, mas Verônica estava absorta em seus pensamentos:

“Verônica o que você fez? Porque fugiu? Esta era a  oportunidade de dizer a ele o que está sentindo. Agora quando será que haverá uma nova oportunidade para ficar tão próxima a ele, bem feito sua boba...”  -Pedro interrompeu seus pensamentos críticos.

_Verônica! Está tudo bem? -Pedro perguntou preocupado com seu silêncio.

_Ahh desculpe Pedro, tudo bem sim. Meu pensamento estava tão longe. -Respondeu sem graça. 


_É, eu percebi. - Ele disse novamente sorrindo com o canto da boca, Verônica adorava quando ele sorria assim e isso a deixou mais furiosa ainda consigo mesma. 
Parou o carro de frente a casa grande entregando a chave para que Zé das Botas o levasse para a garagem.
Ela e Pedro seguiram juntos para falar com Lena.
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terça-feira, 9 de maio de 2017

Verônica 21ª parte

Quase um mês havia se passado desde que Nelson fora embora da fazenda, não haviam mais se falado. As vezes em que ele ligava era para falar com Lena sobre assuntos da fazenda.

Pedro havia sido liberado de toda medicação, já não precisava do andador e conseguia se locomover sozinho, embora ainda precisasse ter cuidado e seguir a risca as sessões de fisioterapia. Nada mais o impedia de ir a faculdade e fazer algumas atividades leves na fazenda, só faltava ter alta médica para que tudo começasse a voltar ao normal.

Deitada em seu quarto lendo um livro, devaneou pensando que todo este tempo em que esteve sem Nelson por perto, ela estava melhor, mais leve. Embora se sentisse livre, ela e Pedro não tiveram nada de mais a não ser boas conversas. Pensou no que sentia e deu-se conta de que se sentia mais atraída por ele a cada dia! Não havia aparecido uma oportunidade que levasse ambos a terem um tipo de conversa mais intima. Porém ela sabia que Pedro a olhava diferente, insinuava-se discretamente, aquele jeito dele olhar tirava-lhe do prumo. 

Ela balançou a cabeça numa tentativa de espantar os pensamentos e caminhou até a janela, viu Pedro com o fisioterapeuta na piscina. Lembrou-se que precisava comprar algumas coisas, pegou a chaves do carro e a bolsa, foi até o escritório avisar Lena.

_Lena vou a cidade comprar alguns produtos de higiene pessoal, quer alguma coisa?

_Não verônica obrigada. –Lena respondeu um pouco pensativa. _ Você precisa ir agora? -Perguntou sem jeito.

_Não necessariamente, você precisa de minha ajuda por aqui?

_Na verdade preciso. Pedro tem consulta com o ortopedista hoje, acho que terá alta finalmente!

_É verdade! –Verônica arregalou os olhos levando uma das mãos á cabeça num gesto de esquecimento. –Desculpe Lena, havia me esquecido completamente.

_Você não tem obrigação de lembrar filha, eu o levaria mas enquanto não terminarem as obras do novo poço artesiano não posso sair daqui, pensei que você pudesse ir com ele.

_Claro que vou, aproveito a viagem para comprar o que preciso. A que horas é a consulta, as 14:00hs?

_Sim o mesmo horário de sempre.

_Fique tranquila, eu o levarei.

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Ambos saíram do consultório comemorando, Pedro teve alta médica, continuaria com a fisioterapia até retomar por completo os movimentos.

No caminho de volta após Verônica ter comprado suas coisas, parados em um dos poucos semáforos que havia na pequena cidade, ela notou Pedro olhando fixamente para uma loja de motos que ficava na avenida principal.

_São lindas não? – Ela comentou.

_Sou apaixonado por estas máquinas! -Ele comentou com brilho nos olhos.

_Pensei que fosse apaixonado por cavalos? –Brincou

_Também! Estas não deixam de ser cavalos ...de aço! – Ele observou rindo pra ela.

Neste momento Verônica pensou: “Mas como é bonito e sorrindo fica mais belo ainda.” -Pedro a tirou de seus pensamentos.

_Quer conhecer um lugar?

_Um lugar? Posso saber que lugar?

_É um parque.  Eu costumava brincar quando vínhamos passear nos finais de semana com meus pais. Quero te mostrar uma coisa. -Pedro explicou aguardando a resposta.

_Vamos, quero conhecer este parque que foi tão importante para você! Respondeu sorrindo pra ele.

Pedro comemorou e orientou Verônica sobre o caminho que deveria fazer....

......

domingo, 7 de maio de 2017

Verônica 20ª parte

Verônica despertou lentamente. 
Ao voltar do quarto de Nelson, tomou um banho e deitou-se, ela queria esquecer pelo menos um pouco tudo que ouvira. 
O sinal de aviso de mensagem recebida do aplicativo soou, ela pegou o celular e espantou-se com a hora, já passava das 18:30hs, não se preocupou muito, ela estava precisando desta pausa depois deste longo dia.
Visualizou uma mensagem de Pedro:
“_Oi, está tudo bem? Estou preocupado com você quando puder dê notícias!”
_Nossa, se Nelson não falou com Lena ainda, ela também deve estar preocupada. –Ela sussurrou baixinho enquanto caminhou até o guarda roupas, pegou uma calça jeans, uma camiseta e um tênis, vestiu-se e saiu.
A porta do quarto de Nelson estava fechada, imaginou que ele tivesse também caído no sono.
Desceu rapidamente as escadas e viu a mesa posta na sala de jantar com apenas um prato que repousava sobre a mesa e um par de talheres. 
Imediatamente pensou: "Com certeza Nelson falou com Lena e disse-lhe que ela não iria mais fazer as refeições com ele." Por um instante ficou triste, ela disse à ele que iria embora no dia seguinte e não hoje. Respirou fundo e foi a cozinha encontrar Lena.

_Boa noite! – Verônica entrou cumprimentando Lena e aos funcionários presentes.

_Verônica! Fui ao seu quarto para conversar com você, mas dormia tão tranquilamente que resolvi deixar. Venha, vamos até o escritório onde poderemos conversar! – Disse Lena pegando gentilmente em seu braço.

_Nelson conversou com você Lena? Falou tudo que conversamos? –Os olhos dela estavam mais inchados do que de costume e agora sentia a lágrima cair bem quente.

_Falou sim minha querida. Ahh minha filha, como eu queria que nada disso tivesse acontecido. – Lena demonstrava estar profundamente chateada.
 _Verônica, eu quero que você saiba que mesmo eu tendo conhecimento de toda a história, eu não poderia ser desleal aos meus patrões contando o que eu sabia à você. Eu prometi à eles quando tudo aconteceu que guardaria pra mim, que jamais revelaria a ninguém. -Dizendo isso Lena baixou a cabeça sem encarar Verônica, estava visivelmente triste e abatida com tudo isso.

_Não se preocupe Lena, sei bem separar as coisas. Você não tem nada que se desculpar. Era Nelson, e só ele que poderia me revelar tudo, a vida é dele. E... mesmo tento sido bem dolorido ouvir tudo aquilo, foi melhor assim. -Ela disse à Lena esboçando um sorriso forçado no canto da boca.

_Depois que você saiu do quarto, Nelson veio até mim e contou-me tudo. -Lena levantou-se e caminhou até a estante onde pegou um envelope e estendendo à Verônica explicou: _Ele pediu que entregasse isso à você.

Verônica olhou para Lena enquanto pegava o envelope de suas mãos e perguntou apreensiva:

_Mas... porque? Onde ele está? Porque não me falou ao invés de escrever?

_Ele disse que explica tudo ai, eu v
ou sair para que fique a vontade. -Lena anunciou.

_Não, fique por favor Lena. -  E abrindo o envelope leu o que Nelson havia escrito em voz alta.

“Verônica estou voltando à São Paulo para cuidar de tudo.

Vou procurar nosso advogado para que ele de entrada os papéis do divórcio, de forma justa faremos a partilha dos nossos bens.
Será melhor para nós dois que fiquemos um tempo longe um do outro e coloquemos as ideias no lugar. Pretendo voltar assim que tudo estiver resolvido, por enquanto, manteremos contado por telefone caso precise falar comigo.
Deixei o carro para que você use se precisar. 
Peço, por favor, que continue na fazenda, afinal de contas ela também é sua. Lena te quer muito bem e você poderá ajudá-la enquanto Pedro ainda está convalescente.

Nelson”

Fechando a carta, Verônica comentou:

_Nem sei o que dizer! Nem parece o Nelson dos últimos 15 anos, parece uma outra pessoa.

_ Minha querida, este é o meu Nelsinho, o que ajudei a criar, o que você conheceu e...se apaixonou.
-Lena sorriu para ela pegando suas mãos-  _Sei que não tenho direito de pedir isso Verônica, você sofreu muito todos estes anos e sem saber o porque... mas, se puder perdoá-lo! Ele também uma vítima de toda esta história, do preconceito e dos tabus que o pai jogou sobre ele. -Verônica ouvia tudo calada. _ O Sr. Nelson foi cruel com o filho, nunca mais o abraçou ou falou uma palavra de carinho para o menino, ele tem um sério problema de rejeição.

Verônica alisava o envelope em sua mão e respondeu:

_Isso é claro pra mim agora Lena! Vou dizer a você o que disse a ele, quem sou eu para perdoar? Também não vou julgá-lo, quero que ele seja feliz, assuma seu verdadeiro desejo e viva plenamente. Dizer à você que vou esquecer? Não, eu não vou esquecer nunca. 
Mas preciso dar este perdão porque quero ter o direito de ser feliz, de refazer minha vida e quero que ele refaça a dele. E se eu não trabalhar este perdão, não vou conseguir isso. Me entende?

_Eu entendo você, tem toda razão - O celular de Lena cortou a conversa. Depois de atender ela explicou: 
_É Pedro! Está perguntando de você... e dizendo que está com fome. -As duas deram risada ao imaginar a cara que Pedro fazia quando estava com fome, ele ficava bravo e mal-humorado.

_Vou pedir que sirvam o seu jantar, enquanto isso levo o dele -Lena avisou, mas Verônica sugeriu outra coisa:

_O que acha de pedir que preparem comida para nós dois, eu jantaria com Pedro, enquanto conversamos. Você se opõe? -Perguntou.

_De forma nenhuma, farei isso, Pedro vai ficar feliz em jantar com você! -Lena sorriu antes de sair para dar ordens na cozinha e Verônica ficou com seus pensamentos.
 Pensou no prato solitário sobre a mesa se comoveu ao saber que era pra dela. Se enganou achando que Nelson a estava colocando para fora da fazenda. E resmungou para si mesma com voz baixa:

_Como eu me enganei. Impressionante c
omo as coisas mudam tão rapidamente! Tiramos conclusões precipitadas apenas pelo que veem nossos olhos. Verônica, Verônica, prepare-se, uma nova vida vai começar....

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Verônica 19ª parte

Tentando se acalmar depois de tantas revelações Verônica respirou fundo, precisava manter a lucidez e a calma, caso contrário voaria pra cima dele. Ficou quieta enquanto ele se servia de mais uma dose de Whisky antes de responder ao seu último comentário.

_Você não sabe o que está falando, eu não usei você! -Ele tentou se defender antes de dar o ultimo gole.

_Nelson, pelo menos uma vez na vida seja honesto consigo mesmo, você me usou sim! Ou se esqueceu das reuniões com ”nossos” amigos. Das provocações que me faziam ficar me mordendo de ciúmes das mulheres que se aproximavam de você insinuantes, e você correspondia as investidas delas sem se preocupar com meus sentimentos?

_ Era apenas uma forma de me sentir vivo, eu precisava me sentir igual aos outros homens. A sociedade exigia isso de mim!

_Que coisa mais triste ouvir isso Nelson, “precisava me sentir igual aos outros homens”. O que é isso ninguém é igual, as pessoas são diferentes, cada um tem opções, religiões e gostos diferentes. Todos nós temos a  liberdade de ser o que e como somos.

_Nunca imaginei que você pensasse assim! -Ele observou.

_Você nunca me ouviu, sequer me notava ou dava importância ao que falava. Em todos estes anos, você nem percebeu que eu fui sua melhor amiga Nelson. -Ela enxugou discretamente a lágrima que caiu.

_Eu tentei Verônica, no início achei que poderíamos ser felizes como um casal normal! Tudo mudou quando você falou em ter filhos.


_Agora entendo sua recusa em ser pai! Você não tinha o direito de me impedir de ser mãe, mesmo que não fosse com você. Deveria ter me liberado, se separado de mim, de repente eu teria a chance de encontrar alguém que dividisse o mesmo desejo que eu.  -Ela tentava a todo custo entender tudo aquilo.

_Naquele momento eu soube que não queria mais continuar com o nosso casamento. Então comecei a ser este Nelson que você aprendeu a sentir “nojo”. Era na verdade a minha intenção, tentar fazer você ter raiva de mim e não querer mais continuar, eu precisava que você pedisse o divórcio.

_Que horror Nelson, tanto sofrimento para fazer eu me afastar de você! Não queria se sentir culpado pela separação? É isso não é? -Ela afirmou com aparente decepção.

Nelson não conseguia encará-la,  estava visivelmente envergonhado, parecia até outra pessoa, frágil com um gritante medo em seu olhar. Na verdade, Verônica entendeu que este a sua frente era o Nelson que ela havia conhecido e por quem havia se apaixonado, um homem gentil, alegre, divertido!

_Você tem noção do que fez com as nossas vidas Nelson? -Ele permaneceu calado.

_Você está me ouvindo? – Ele balançou a cabeça afirmativamente e ela continuou- _Olha pra você, olhe pra mim, olhe o que fez com nossas vidas?!

Nelson começou a chorar feito uma criança, com certeza o efeito do álcool havia chegado a depressão depois da euforia inicial.

_Voltando ao início da nossa conversa, me responde uma coisa? Ela perguntou.

_Sim! -Ele respondeu estendendo as mãos num gesto de rendição.

_Porque tem tanta raiva de Pedro, aconteceu alguma coisa entre vocês que não tenha me contado? –Ela precisava saber o porque de Pedro despertar tanta raiva em Nelson.

_Eu tinha raiva dele, hoje não é tanto assim. Ele sempre se mostrou muito forte e corajoso, tomava conta da fazenda com a Lena melhor que meu pai, domava cavalos, ao contrário de mim que nunca me dediquei a tudo isso. Eu judiava dele e tripudiava, as vezes humilhava por ele ser filho da “empregada”, imagina se Lena soubesse disso?- Ele balançou a cabeça como desaprovação de si mesmo.- _Pedro jamais contou a ninguém nem a Lena, se tivesse contado possivelmente eles não estariam até hoje aqui na fazenda. Nunca deu um deslize, não revelou meu segredo ou usou isso para me humilhar, como eu fazia com ele. Ele embargou a voz, parecia-lhe ficar mais difícil falar.
_ Além do mais, depois de tudo que aconteceu, meu pai passou a me ignorar e fazia questão de pegar Pedro no colo e dizer  que ele era o filho que ele queria ter, que ele seria um homem de verdade e não um ...”maricas” como muitos que ele conhecia.-Nelson começou a chorar mesmo assim continuou- Papai fazia questão de fazer isso na minha frente e de quem quer que estivesse perto. -Ele passou as mãos nos olhos para enxugar as lágrimas e continuou-  _É claro que só fazia isso na frente de gente daqui de casa. Ele jamais aceitaria que esse segredo saísse aqui de Laguna.
-Nelson chorava toda mágoa, tristeza e arrependimentos de todos estes anos, Verônica o vendo naquele estado lastimável, aproximou-se.

_Chore Nelson, chore mesmo, muito, desabafe, depois raciocine, reflita e se perdoe. Comece uma nova vida a partir de hoje, comece por ser você mesmo, se aceite. Não importando a ninguém o que você é ou deixa de ser. Viva como você quiser viver. –Ele a ouvia atento e ao mesmo tempo incrédulo em ouvir tudo isso dela. Ele tinha acabado com os sonhos, as ilusões e desejos daquela mulher, e ainda assim, ela se dispunha a ajudá-lo, incentivando a erguer a cabeça e recomeçar. Realmente ela era uma grande mulher.

_Bom Nelson, eu nada mais tenho a fazer aqui, vou arrumar minhas coisas e vou voltar pra casa, procurar um advogado e cuidar do nosso divórcio.

Ela encaminhava-se para a porta quando ele a chamou:

_Verônica!

Ela parou e virou-se para ele antes de abrir a porta sem nada dizer.

_Você nunca vai me perdoar não é mesmo?

_Quem sou eu pra perdoar? Não vou negar que eu jamais vou esquecer o que fez comigo, tudo que passamos, e quanto tempo me fez perder tentando ressuscitar nosso casamento. Mas perdoar, este é trabalho divino. Quanto a sentir raiva de você? Sabe bem que infelizmente não sei o que este sentimento significa. -Ele ouvia atento, mas cabisbaixo sem conseguir encará-la de frente.-
_Também não vou te julgar! Só não peça agora que eu o abrace e chore dizendo eu o desculpo porque não sou tão evoluída a tal ponto. Preciso também refletir, me levantar novamente, acordar deste pesadelo. E se me permite , aconselho que vá pedir desculpas a Lena e a Pedro pelo soco que deu na cara dele. Ele só estava me agradecendo por estes meses em que cuidei dele,  eu retribui sua gentileza com um beijo em seu rosto. A maldade estava em você!

Dizendo isso ela saiu do quarto deixando Nelson se desmanchando em choro e mergulhado em arrependimentos. ...

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Verônica 18ª parte

Recompondo-se um pouco depois desta revelação, Verônica agora queria saber sobre o pai dela, e a acusação de Nelson sobre tê-la vendido a ele.

_E onde entra o que você me falou na casa de Lena? Como meu pai me... vendeu pra você? –Ela segurava o choro, mas as lágrimas insistiam em rolar por sua face.

Nelson sentou-se novamente na beira da cama e continuou a falar.

_Depois deste acontecido, meu pai afastou-se da fazenda do Jaguar e do amigo, não comentou nada com Ernesto. Simplesmente me mandou para São Paulo, uma forma de me manter longe de Ernestinho. Mas mesmo assim nós continuamos a nos ver, ele viajava todos os meses para ficarmos juntos e quando meu pai descobriu, ele procurou o seu pai Verônica. Você sabe que eles estudaram e trabalharam juntos quando jovens!

Cabisbaixa tentando puxar na memoria os acontecimentos, Verônica se lembrou do dia em que conheceu o Sr. Nelson e pouco tempo depois lhe apresentaram Nelson.

_ Sim, eu sei!- Ela respondeu esperando que ele continuasse a contar.-

_Meu pai sabia que seu pai estava endividado e precisando de dinheiro. Lembrou-se de que ele falava muito de você, do quanto era bonita, da boa educação que tinha e do sonho de se casar. Foi então que ele confidenciou todo o acontecido a seu pai e propôs que se nós nos casássemos, eu teria uma esposa e ele quitaria todas as dívidas de seu pai.

_E meu pai aceitou isso? – Ela estava triste e desapontada.

_Não Verônica, seu pai não foi tão crápula assim. Ele disse ao meu pai que iriam nos apresentar um ao outro, e se você não mostrasse nenhum interesse por mim, não iria obrigá-la a nada. Mas caso você ao me conhecer demonstrasse um interesse espontâneo ele concordaria. Caso contrário ele continuaria com as dívidas, mas não faria a filha casar obrigada com quem não amasse, ainda mais por dinheiro.

_Me lembro bem do dia em que te conheci, fui eu mesma que falei para ele marcar um jantar, para que pudéssemos nos conhecer melhor, conversar mais. Eu havia gostado de você no dia em que nos conhecemos, agora começo a entender. Meu pai insistia se era mesmo o que eu queria, se eu tinha certeza de que o amava mesmo. Então...ele não me vendeu como disse!!! Querendo ou não eu amei você desde o primeiro dia em que te conheci. Amei até....

_Até ...??? –Ele quis saber quando o amor dela havia acabado.

_Até você começar a me usar Nelson. Você transformou, com seu comportamento meu amor em... em nojo, raiva, tristeza. –Ironicamente ele a olhava como quem não soubesse do que ela falava. - você sabe do que estou falando, pare de olhar assim.

_Você sente raiva de mim? Ele perguntou

_Agora? Não, agora sinto pena!

_Porque Pena? Perguntou ressabiado.

_Pena Nelson, porque você foi e é infeliz, porque fez com que minha vida se tornasse um inferno, uma tortura. Você me conhece, se tivesse me falado eu entenderia, você sabe disso, não precisaria ter me submetido a tanto sofrimento com suas manias. E quem sabe hoje estaria vivendo com alguém que realmente amasse! 

Verônica disse com uma firmeza que nunca havia tido com ele. 
...

Verônica 17ª parte

Acomodada na poltrona que Nelson lhe indicara, aguardava apreensiva.

Eu vou resumir, mas, você vai entender tudo. – Disse sentando-se na beira da cama de frente para ela. 

_ Quando eu tinha quinze anos costumava ir com meu pai a fazenda do Jaguar. A fazenda do Sr. Ernesto, eles eram muito amigos! Um dia houve um leilão de gado na fazenda vizinha e fomos todos pra lá. Inclusive o Pedro, na época ele tinha uns cinco anos, era bem menino.

Verônica franziu a testa. Porque Pedro estava nesta história? Mesmo assim continuou a ouvir sem interrompê-lo como ele havia pedido a ela.

_Ao terminar o leilão voltamos todos para a fazenda do Jaguar, nossos pais ficaram dentro da casa conversando. Ernestinho, eu e Pedro, saímos e fomos para o Jardim. Lá havia um ateliê, um local onde Ernestinho costumava pintar suas telas.

Ele deu tintas e pinceis para Pedro e incentivou-o a pintar a tela a sua frente. O menino se empolgou é claro. E  era o que Ernestinho queria. Então,  me convidou para ir ao estábulo ver os novos cavalos que o pai havia comprado. E assim fizemos! Deixamos Pedro lá, distraído com tintas e pinceis.

Nelson respirou fundo, pegou um copo e serviu-se de uma dose de whisky puro, tomou de uma vez só. Verônica aguardava calada até que ele retoma-se a conversa.

_Um tempo depois meu pai foi nos procurar, encontrou Pedro sozinho no ateliê, perguntou por nós e o menino disse que estávamos no estábulo. - Nelson calou-se, olhava fixamente para a janela, voltou caminhando devagar em direção a porta numa tentativa de encontrar coragem para continuar.

_Meu pai... e...– Ele estava inquieto, passou a mão pelos cabelos, caminhou até a janela novamente e segundos depois virou-se para ela e disparou – Meu pai e o Pedro foram no estábulo e viram a mim e Ernesto juntos. – Ele calou-se, os minutos pareceram eternos. Ela rompeu o silêncio:

_Seu pai e Pedro viram você e Ernesto.... ? Disse ela aguardando resposta.

_ Você está se fazendo de desentendida Verônica! -Ele se exaltou- Quer que eu fale com todas as letras? Meu pai e Pedro... viram a mim e a Ernesto em uma situação muito íntima, quer que eu continue? Ou já entendeu?

Verônica sentiu a cor faltar-lhe do rosto.

_Você quer dizer...você quer dizer que...você e Ernesto... Seu pai e Pedro os viram fazendo sexo? -Perguntou ela com receio da reação dele.

_Sim, Verônica! –Esta revelação causou um turbilhão de emoções nela e em Nelson que passando as duas mãos no rosto retomou a calma - _ Sim, eles viram. Em casa meu pai me deu a maior surra que levei na vida e Pedro viu tudo e ficou calado. Nunca tocou no assunto comigo. Até hoje tenho vergonha e... raiva dele.  Depois de me ver nesta... situação íntima com Ernestinho, ainda me viu apanhar, me viu chorar e ser enxotado da minha casa. Até hoje tenho raiva do olhar de pena que ele lançou sobre mim... e do olhar de orgulho que meu pai colocava sobre ele.

Verônica estava atordoada, mesmo assim tomou forças ainda haviam coisas que ela desejava e iria saber. 


Verônica - 16 Parte

Lena sentou-se ao lado de Pedro com a expressão preocupada:

_Você está bem filho?

_Estou mãe. Minha preocupação agora é com Verônica!

Lena respirou fundo e perguntou:

_Pedro...você e ela...você sabe...

_Claro que não mãe, Verônica não é assim. Agora você vai ficar com a mesma paranoia do louco do Nelson!!? – Pedro se exaltou.

_É que você me parece...preocupado demais.

_Mãe, ficamos dois meses e meio convivendo juntos, ela me ajudou, ficamos amigos. Caramba!Me surpreende, você a conhece melhor que eu, vir insinuar estas coisas. Nelson está desequilibrado mãe. Este soco na minha boca não foi por hoje.

_Eu sei, imagino que seja o soco que ele queria ter dado em você a muitos anos atrás. Pelos comentários do Sr. Nelson, pai dele. - Agora Lena havia entendido bem o que pedro lhe disse,

Pedro olhou pra mãe e levantou a sobrancelha num gesto positivo ao seu comentário.

_Bom, vou pra lá, tenho coisas a organizar para o almoço e assim fico por perto enquanto aqueles dois conversam.

_Mãe, me mantem informado das coisas lá.

_Está certo, vou pedir para o Zé das botas ficar por perto, caso você precise de alguma coisa ele pode te ajudar e qualquer coisa me ligue. - Ela levantou o celular e saiu deixando Pedro com seus pensamentos!

......

Nelson subiu as escadas, entrou em seu quarto deixando a porta aberta para Verônica.

Ela subiu devagar, uma mistura de medo e ansiedade a invadiram. Queria saber o que o marido tinha a revelar sobre o comentário que fizera sobre o pai dela lhe dava um frio na barriga.

Viu a porta do quarto aberta e entendeu o recado do marido. Entrou e viu  
Nelson que olhava pela janela.
_Oi! -Ela disse, uma forma de avisar que estava lá. 

Nelson virou-se para ela e indicou a poltrona para que ela se sentasse. agora ela saberia os segredos que Nelson guardava. 


_Eu acho que você pode ir direto ao assunto, vamos acabar logo com este tormento!

_Claro, sem rodeios!- Ele concordou secamente-  _Vamos lá eu também não aguento mais a vida que estou levando.Verônica!...
 O que vou contar não é fácil pra mim. Não me interrompa, depois você pergunta e fala o que quiser. Tá bom? -Nelson avisou, ela sentiu que muitas coisas iriam se esclarecer, E que o rumo de sua vida iria mudar definitivamente!
......



...

sábado, 29 de abril de 2017

Verônica - 15ª Parte

_ É isso mesmo que você ouviu! Casei com você porque fui obrigado por meu pai. –Nelson repetiu quase aos gritos.

Neste momento Lena abriu a porta assustada, trazia nas mãos as roupas de Pedro que verônica havia deixado sobre o aparador no corredor.

_Mas o que está acontecendo aqui? Podem ouvir os berros a quilômetros de distância! -Lena não acreditava no que via, o filho apenas de toalha com a boca sangrando, Verônica com o rosto marcado e Nelson com fisionomia alterada e o rosto muito vermelho a ponto de explodir. Aproximou-se do filho e baixou para ver o ferimento.

_O que foi isso Pedro? Tome! Vista a roupa e nos encontre na sala  - Virando-se para Nelson e Verônica os chamou:

_Vocês dois venham comigo. -Já na sala Lena encarou o casal:

_Mas o que houve com vocês? Perderam o Juízo?- Lena falou severamente.

_Lena, foi um mal entendido. Nelson chegou e achou que eu e Pedro estávamos em um momento íntimo e perdeu a cabeça.

_A culpa agora é minha? Eu entro no quarto e pego aos beijos com ele e você diz que eu é que perdi a cabeça, você não...  -Ele foi interrompido por Lena.

_ Nelson, eu sou sua funcionária, apenas uma empregada da casa. E.... embora eu esteja aqui a mais tempo do que já vivi fora deste lugar, sou apenas uma empregada. Conheço você desde pequeno, e não poucas vezes o chamei de filho, o tratei como filho e o tenho verdadeiramente como a um filho.

_Lena! -Nelson tentou falar, mas lena ergueu a mão em sinal de espera para que continuasse ouvindo.

_Continuando! Eu nunca pedi que você e Pedro se amassem como irmãos, mas que se respeitassem! E infelizmente hoje pelo que vi, acabou este respeito, se é que ele chegou a existir um dia.

_Lena, espere... - Nelson tentou novamente interrompê-la .

_Nelson, aprenda a ouvir, Por favor, acalme-se! E se não for pedir demais, não grite!

Nelson baixou a cabeça em respeito aquela que sempre viu como mãe.

Lena estava muito séria e apreensiva, não havia gostado nada de ver o filho envolvido entre os conflitos do casal. Notou Pedro vindo em direção á sala, fez menção de ir ajudar, mas ele a impediu com um gesto. Com os braços cruzados, aguardou observando o filho ajeitar-se no sofá.

_Agora eu quero saber o que está acontecendo. Estou profundamente triste pela cena que encontrei aqui. Triste e decepcionada. Tentem me explicar o que foi isso tudo!

Verônica foi a primeira a se manifestar, contou sua versão, em seguida Pedro e por último Nelson.


Mas ao contrario do que Lena pensava, Nelson insistia em jogar culpas na esposa e continuou com as agressões verbais a Verônica. E foi ai, que novamente a conversa tomou um rumo que não havia mais como voltar atrás. Enquanto Nelson soltava toda sua ira sobre a pobre Verônica. Lena e Pedro observavam calados e prontos para interceder caso ele tentasse agredi-la fisicamente.

_Seu pai não prestava, nunca prestou! -Nelson gritava

_Como você fala uma coisa destas, você nunca gostou do meu pai, e ele nem mais está neste plano! -Respondeu ela.

_Ele vendeu você pra mim Verônica.

Um silêncio tomou conta do ambiente, Lena fez sinal para que Pedro saísse, mas, ele não obedeceu e aproximando-se de Nelson buscou oferecer um pouco de lucidez a ele.

_Nelson, coloque a cabeça no lugar, cuidado com as palavras! -Lena alertou, ela sabia de toda história e não queria que isso tivesse que ser revelado assim, ali na sua casa, era uma coisa que Nelson teria que contar para a esposa.

_Não Lena! – Falou Verônica - _ Deixe que ele fale! Ele precisa ter coragem de revelar coisas da minha vida! E ao que me parece, nem eu mesma sei! Mas não aqui Lena, não na sua casa. - Olhou para o marido e disse:  _Vamos pra casa, lá conversamos!

Nelson entendeu o recado e saiu feito um leão da casa de Lena seguindo em direção a casa grande.
Aproximando-se de Lena Verônica envergonhada e contendo a emoção do choro falou:

_Lena, muito obrigada pela ajuda. Pedro, perdão por isso tudo. Cuide-se! Acho que hoje vou me libertar de muitas coisas. Depois conversaremos! 

Dizendo isso com um sorriso triste Verônica se retirou da casa de Lena, indo em direção a casa grande onde Nelson já estava quase chegando...

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Verônica 14ª Parte

Pedro abriu a porta do banheiro e uma nuvem de fumaça saiu antes dele.Devagar se esforçava para sair com o apoio do andador, tinha a toalha presa à cintura e os cabelos despenteados.Verônica foi até ele a fim de ajudá-lo.

_Obrigada Verônica! Estou me sentindo novo. Não imagina quanta falta senti desta água abençoada caindo em minha cabeça. - Disse ele com o semblante sereno.

_ Faço ideia! Não foi fácil tudo que você passou nestes meses. Agora a única coisa que precisa fazer é se dedicar as sessões de fisioterapia, e logo estará cavalgando por ai. -Verônica falava com ele enquanto caminhavam calmamente até a poltrona ao lado do sofá onde o ajudou a sentar. _Vou pegar suas roupas.

Pedro a segurou pela mão.

_ Espere! -Ele pegou a mão dela e levou a boca dando um beijo.Verônica ficou sem ação, aquela atitude dele a pegou de surpresa. _ Não tenho como agradecer tudo que fez por mim nestes longos dias Verônica! Muito, mas muito obrigado mesmo! -Ele falou demonstrando grande emoção, ela podia sentir a gratidão que ele tentava expressar olhando em seus olhos.

_O que é isso Pedro, não precisa agradecer. Você é que não tem ideia de como me fez bem.  Ficar com você, me fez aprender muita coisa e na medida do possível nos divertimos muito! -Ela se curvou e deu um beijo carinhoso em seu rosto. E neste instante  Nelson entrou subitamente no quarto.

_Ora, ora! Que cena mais linda. Vejo que atrapalhei os pombinhos. A sua voz irritante e sua ironia faziam o coração de Verônica fervilhar.

_Não é o que você está imaginando Nelson! - Ela explicou- _ Pedro estava me agradecendo por...

_Agradecendo é? Pedro estava agradecendo? Você pensa que sou idiota Verônica? Vi você beijando ele. -Nelson foi agressivo com as palavras e Pedro intercedeu:

_Nelson, é verdade eu só estava agradecendo, Verônica me retribuiu o agradecimento com um beijo no rosto.

_Cala a boca Pedro, está levantando a crista agora? Isto é entre mim e ela. - Nelson disse apontando o dedo  para a esposa e caminhando devagar em sua direção.  pegou o rosto de Verônica e apertou com força usando uma das mãos.

_Você é uma vadia mesmo, assume agora que eu te solto.

Nelson a estava machucando, Pedro notou que isso parecia dar-lhe prazer, então, agarrou-lhe o braço com força numa forma de impedi-lo a continuar. Nelson o olhou incrédulo. 

_O que você quer? Que eu aceite este casinho de vocês e fique quieto?

_Solte Verônica esta machucando ela, não vê? Não há caso nenhum Nelson, você é doente, precisa se tratar.
Nelson soltou o rosto de Verônica empurrando-a e abaixou-se para ficar cara a cara com Pedro e disse aos berros:

_O que foi hã? Está bravo porque? Ela é minha esposa!

Pedro estava se contendo com os punhos serrados respondeu entre os dentes.

_Você é um canalha Nelson! 

Nelson fechou a cara e deu um soco no rosto de Pedro. Verônica correu sobre ele socando seu peito, gritava chorando em fúria:

_Covarde, você é um grande covarde Nelson, como pode fazer isso?

Nelson segurou suas mãos mantendo-a imóvel  _Ahhhh, agora entendi. Você está apaixonada por ele? 

_Pare com isso, você está delirando? É uma covardia agredir alguém que não pode se defender a altura. 

Verônica se aproximou de Pedro observando o corte na boca sangrando.

_ Suma daqui Nelson, vou cuidar do ferimento e depois vou pra casa pra conversarmos. 

_Não, você vai agora, comigo! E pegando-a brutalmente pelo braço começou a arrastá-la para a porta. 

_ Me solta, Nelson me solta. Vou cuidar do ferimento dele. - fingindo não ouvi-la  ele apertava mais ainda seu braço. Então ela começou a gritar com fúria:

_Seu idiota, pare de me atormentar. Me deixe viver livre da sua doença, eu te odeio, te odeio!
Nelson a soltou, assombrado com a atitude anormal dela,  ficou a ouvindo falar, ela sempre havia sido submissa, pacata e jamais falara nada que o ofendesse. 

_ Você  nunca me amou. Odiava meu pai, não sei onde eu estava com a cabeça todos estes anos para te aturar, e a seus caprichos. Me esquece, esquece que eu existo... – Dizendo isso colocou-se a chorar copiosamente.

_ Quer que eu responda? Casei com você porque fui obrigado! -Ele gritou

Verônica arregalou os olhos já marejados de lágrimas. Pedro engoliu seco, enquanto limpava o sangue da boca na toalha, pensava em uma forma de defender Verônica, conhecendo o temperamento de Nelson, sabia que ele não iria parar, ele iria até o fim e depois iria pra cima dela. Ele precisaria fazer alguma coisa pra defendê-la.... 




....

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Verônica - 13ª parte

Enfim chegou o dia de Pedro retirar o gesso, depois de quase dois meses e meio na cama, ele poderia agora ficar de pé com ajuda do um andador. Embora as notícias do médico tenham sido muito positivas, ele sabia que teria muita fisioterapia pela frente e precisava ter muita paciência para aos poucos retomar a vida normal.

O carro parou em frente a casa de Lena, ela e Verônica ajudaram Pedro a descer do carro enquanto Nelson levou o carro para a frente da casa grande.

_Cuidado Pedro! Vá devagar, você está há meses sem colocar os pés no chão, tem que ir aos poucos menino. Vá com calma! -Bronqueou Lena.

_Tá bom mãe! Pode deixar que eu me viro!

Lena ficou olhando com desaprovação a pressa de Pedro, Verônica percebendo acalmou-a.

_Não se preocupe Lena, deixe comigo, eu o ajudo a se ajeitar!  E com uma piscada virou-se para abrir a porta da casa para que ele entrasse. Lena concordou e dirigiu-se para a casa grande.

Pedro entrou e sentou-se no sofá, olhou para Verônica e observou:

_ Agora é preciso fazer com que este quarto volte ao normal, não aguentava mais esta “internação domiciliar”. Disse isso e fechando os olhos apoiou a cabeça no encosto do sofá.

_Amanhã peço para que venham retirar a cama. Não haverá mais necessidade dela.

Mas hoje você ainda terá que dormir nela, a não ser que durma na casa grande.
Agora... se não me engano, eu sei exatamente o que vai fazer! -Verônica sorriu-lhe com cumplicidade, sabia exatamente cada pensamento de Pedro, cada desejo e já conhecia cada traço de seu rosto.

Deu-se conta de que o conhecia muito melhor do que ao seu marido, voltou de seu devaneio com a voz de Pedro.

_Se pensou que vou tomar uma banho, acertou! Verônica, vou tomar um banho daqueles que nunca viu igual. Depois de dois meses com este...banho de leito, m
ereço um belo e demorado banho!!! - Ele fez uma cara de nojo e voltou a sorrir.

_Merece sim Pedro. Vou pregar toalhas limpas e a cadeira de banho.

_Cadeira de banho? Pra que?

_Ora, você ainda não consegue tomar banho em pé sem apoio Pedro!

_Posso sim, claro que posso. Não quero cadeira nenhuma! Tenho o andador, me apoio nele.

_Ah é? Então está bem! E como vai lavar a cabeça? Os pés? Quero só ver! Pedro entenda, você não tem firmeza suficiente nas pernas ainda! Quer se arriscar mais?

_Não quero cadeira de banho Verônica.

_ Mas que homem teimoso! Vai usar a cadeira sim, ou você quer que eu de banho em você? – No mesmo instante ela percebeu que havia falado sem pensar, ficou sem graça pois sabia o que iria ouvir.

_Não seria má ideia! Respondeu-lhe Pedro lançando um olhar que a fez ficar com o rosto rubro.

_Pedro, Pedro! –Ela tentou disfarçar com um riso sem graça, mas ele percebeu que mexeu com ela, ficou observando enquanto ela pegava a cadeira e as toalhas e levava para o banheiro. – Pronto! Toalhas, sabonete, e a "cadeira" - Enfatizou.

 _ Agora vá tomar banho e tirar este cheiro de gesso. Ficarei aqui, se precisar é só chamar.

Pedro levantou-se devagar segurando no andador e dirigiu-se ao banheiro. Antes de fechar a porta sorriu maliciosamente para ela, fazendo com a cabeça um gesto para que ela entrasse com ele.

Verônica, fingindo ficar brava o fez gargalhar da cara dela antes de fechar a porta. Ela gritou:

_Não tranque a porta! Se precisar grite, vou ficar aqui!

Ela fechou os olhos e respirou fundo. Estava há tanto tempo ao lado dele, todos os dias, o dia inteiro. Seria difícil não ter mais que ficar em sua companhia. Sentiu-se triste e ao mesmo tempo se repreendeu:
_ Pare com isso Verônica, agora Pedro esta bem e andando, é isso que importa!-Sussurrou para si mesma. Sorriu sozinha, ela estava era feliz agora ele estava bem.

....