Recados do tempo
Comissária de bordo apaixonada por seu trabalho,
Áurea, que significa aquela que é feita ou coberta
de ouro; é uma pessoa comum, uma mulher
independente, solteira, não é perfeita apenas
diferente.
Admirada por vários colegas de trabalho, odiada
por outros, ela mudará a visão que muitos tinham
dela.
A queda da aeronave, vai reunir alguns colegas
A queda da aeronave, vai reunir alguns colegas
de trabalho e sobreviventes do desastre aéreo
com pensamentos, comportamentos e estórias
de vida diferentes.
Áurea terá que colocar em prática a sua fé e
Áurea terá que colocar em prática a sua fé e
determinação em ajudar as pessoas não somente
fisicamente mas principalmente despertará em
cada um questionamentos de seus
comportamentos anteriores. Cada um deles vai
descobrir que o tempo enviou seus recados e
tentou entregar, mas eles não perceberam.
Definitivamente nenhum deles saíra igual desta
experiência.
Recados do Tempo
I Capítulo
“Uma vida sem desafios, não vale a pena ser vivida!” Platão
Áurea lembrou-se do dia em que anunciou aos pais qual carreira iria seguir, diante da recusa da mãe que desesperada tentava fazê-la mudar de
ideia dizendo quase aos prantos:
_Como pode querer uma
profissão tão perigosa, incerta e desregrada como esta Áurea? Não... não, por favor, filha. Você quer acabar comigo? - Desfazendo-se
em lágrimas a mãe frágil e submissa buscou apoio nos braços do marido pai de Áurea.
_Mãe o que é isso? Não adianta chorar mãe, é o que eu quero! Já está decidido e não volto atrás, vou ser comissária de bordo! É uma profissão como qualquer outra os riscos de um avião cair são menores
do que uma colisão de veículos você sabia? -Áurea
não se deixou levar pelas lágrimas da mãe, olhou para o pai que nada dissera
até agora, apenas ouvirá e acalentava a esposa. Áurea estava esperando seu parecer. Olhando
para a filha com carinho peculiar, disse
calmamente:
_Filha, como dizia Platão: “ Uma vida sem desafios, não vale
a pena ser vivida!” Vá em frente, de o
melhor de si, e seja a melhor no que
faz. Estamos do seu lado! Não é querida? –
perguntou o pai apertando o ombro da esposa levemente. Contrariada, a mãe concordou, enxugando as
lágrimas do rosto.
Era comissária há dez anos, nunca houvera ocorrências graves
nos voos que fez, apenas coisas corriqueiras, turbulências, passageiros que
exageravam na bebida, alguns pousos de emergência, sustos, mas nada que a fizesse perder o
amor e a devoção pelo seu trabalho.
Áurea começou a despertar e a frase que o pai lhe dissera ecoava
em sua mente:
“ Uma vida sem
desafios, não vale a pena ser vivida!”
_ Socorro!... -Ouvia ao longe um grande vozerio, várias
pessoas falando, outras gritando e chorando ao
mesmo tempo.
_Por favor, minha perna está presa!
_Minha filha? Cadê minha filha?
Aos pouco Áurea começou a despertar com um dos comissários dando
palmadinhas em seu rosto:
_Aura, Aura acorde! Aura! -(Aura era seu nome de batismo na
profissão, era comum ter um nome de trabalho que não fosse o seu nas empresas
aéreas).
Ela ergueu a cabeça,
sentindo dores no pescoço, percebeu que ainda
estava presa ao cinto de segurança.
_Júlio?! O que aconteceu??
_Aura...nos caímos. A aeronave caiu! -Disse o jovem
comissário tentando manter calma e equilíbrio. - _Preciso de você, há pessoas
presas, feridas.
Foi como um balde de água fria jogado-lhe na cara, ela abriu os olhos rapidamente recuperando a
consciência.
_Meu Deus! Júlio me ajude a soltar cinto. Rápido...
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