terça-feira, 29 de agosto de 2017

Recados do tempo Capítulo I

Recados do tempo

Comissária de bordo apaixonada por seu trabalho,
Áurea, que significa aquela que é  feita ou coberta
de ouro; é uma pessoa comum, uma mulher 
independente, solteira, não é perfeita apenas 
diferente. 
Admirada por vários colegas de trabalho, odiada
por outros, ela mudará a visão que muitos tinham
dela.
A queda da aeronave, vai reunir alguns colegas
de trabalho e sobreviventes do desastre aéreo
com pensamentos, comportamentos e estórias
de vida diferentes. 
Áurea terá que colocar em prática a sua fé e
determinação em ajudar as pessoas não somente
fisicamente mas principalmente despertará em
cada um questionamentos de seus 
comportamentos anteriores. Cada um deles vai 
descobrir que o tempo enviou seus recados e 
tentou entregar, mas eles não perceberam. 
Definitivamente nenhum deles saíra igual desta
experiência.



Recados do Tempo 
I Capítulo

“Uma vida sem desafios, não vale a pena  ser vivida!” Platão

Áurea lembrou-se do dia em que anunciou aos pais qual carreira iria seguir, diante da recusa da mãe que desesperada tentava fazê-la mudar de ideia dizendo quase aos prantos:
 _Como pode querer uma profissão tão perigosa, incerta e desregrada como esta Áurea?  Não... não, por favor, filha. Você quer acabar comigo? - Desfazendo-se em lágrimas a mãe frágil e submissa buscou apoio nos braços do marido pai de Áurea.
_Mãe o que é isso? Não adianta chorar mãe, é o que eu quero!  Já está decidido e não volto atrás, vou ser comissária de bordo! É uma profissão como qualquer outra  os riscos de um avião cair são menores do que uma colisão de veículos você sabia?   -Áurea não se deixou levar pelas lágrimas da mãe, olhou para o pai que nada dissera até agora, apenas ouvirá e acalentava a esposa. Áurea estava  esperando seu parecer. Olhando para a filha com carinho peculiar, disse calmamente:
_Filha, como dizia Platão: “ Uma vida sem desafios, não vale a pena ser vivida!”  Vá em frente, de o melhor de si, e seja  a melhor no que faz. Estamos do seu lado! Não é querida?  – perguntou  o pai apertando o ombro da esposa levemente. Contrariada, a mãe concordou, enxugando as lágrimas do rosto. 
Era comissária há dez anos, nunca houvera ocorrências graves nos voos que fez, apenas coisas corriqueiras, turbulências, passageiros que exageravam na bebida, alguns pousos de emergência, sustos, mas nada que a fizesse perder o amor e a devoção pelo seu trabalho.
Áurea começou a despertar e a frase que o pai lhe dissera ecoava em sua mente:
 “ Uma vida sem desafios, não vale a pena ser vivida!” 
_ Socorro!... -Ouvia ao longe um grande vozerio, várias pessoas falando, outras gritando e chorando  ao mesmo tempo.
_Por favor, minha perna está presa!
_Minha filha? Cadê minha filha?
Aos pouco Áurea começou a despertar com um dos comissários dando palmadinhas em seu rosto:
_Aura, Aura acorde! Aura! -(Aura era seu nome de batismo na profissão, era comum ter um nome de trabalho que não fosse o seu nas empresas aéreas).
 Ela ergueu a cabeça, sentindo dores no pescoço,  percebeu que ainda estava presa ao cinto de segurança.
_Júlio?! O que aconteceu??
_Aura...nos caímos. A aeronave caiu! -Disse o jovem comissário tentando manter calma e equilíbrio. -  _Preciso de você, há pessoas presas, feridas.
Foi como um balde de água fria jogado-lhe na cara, ela abriu os olhos rapidamente recuperando a consciência.
_Meu Deus! Júlio me ajude a soltar cinto. Rápido...

Nenhum comentário:

Postar um comentário