terça-feira, 29 de agosto de 2017

Recados do Tempo - III Capítulo

Ao atravessar para o outro lado passando por dentro da aeronave, Áurea viu Rebeca comissária chefe, e Jaime o copiloto, ambos estavam feridos levemente.  Júlio ajudava os passageiros que estavam nos assentos traseiros do avião com a ajuda de outros passageiros que estavam levemente feridos.  
_Rebeca, Jaime, como vocês estão? -Perguntou Áurea aos amigos- E os outros tripulantes, não os encontraram?
_Rebeca, olhou para Áurea e disse em desespero:
_O piloto Galvão, está preso na cabine, Jaime disse  que deve ter quebrado o pescoço...está morto. As outras comissárias estavam no meio da aeronave na hora do impacto, devem estar enterradas embaixo da fuselagem! - Rebeca disse isso e despencou em um choro compulsivo.
_Áurea a abraçou e disse-lhe baixinho:
_Calma Rebeca,  tudo vai ficar bem. - Rebeca tinha apenas três anos de profissão, era muito bonita, esperta, uma pessoa muito preocupada com  aparência física, embora já tivesse mais de vinte cinco anos era infantil, e sempre deixará claro que queria o sucesso a qualquer preço. Áurea não a julgava, nem dava ouvidos aos mexericos que se ouvia nos corredores. Apesar de não concordar com sua forma de viver e pensar, a respeitava como colega de profissão. Já alguns companheiros de profissão não a suportavam achavam-na fútil e vazia.  Agora, nada disso importava, todos eram iguais e estavam na mesma situação. Vendo assim sua chefe, Áurea percebia que Rebeca parecia mais uma criança assustada do que a chefe das comissárias. Ela precisaria tomar a frente.
_Tente ficar calma Rebeca, precisamos ajudar os passageiros, são eles que precisam de nós agora!
Levantando-se  Áurea dirigiu-se a Jaime.
 _ Jaime, como está se sentindo?
_Estou atordoado e com muita dor no braço! –Jaime respondeu enquanto travava os dentes de dor. Ela olhou o braço dele sem tocar, e constatou:
_Está quebrado Jaime, está muito inchado, é uma fratura exposta. Vou fazer uma tipóia, temos um médico aqui, assim que o livrarmos do peso que prende suas pernas, nos ajudará muito.  - Ela pegou entre os destroços um travesseiro, arrancou fios das mascaras respiratórias, improvisando uma tipóia com cuidado. - _ Pronto! Pelo menos vai impedir movimentos até que possamos ver isso com mais calma. O rádio, está funcionando Jaime? 
_Não sei, ainda estou fora de mim! Precisamos ver todos os sobreviventes, separá-los dos ...corpos. Ajeitá-los em local seguro para passarmos a noite antes que escureça. –Disse Jaime.
_Sim, faremos isso. -Respondeu Áurea-  Mas antes preciso de ajuda para levantar a asa que está prendendo o médico. depois vou ver se o rádio está funcionando, Áurea levantou e disse em voz alta:
_Temos um passageiro preso do outro lado, preciso que me ajudem a levantar a asa para libertar suas pernas que estão presas sob ela. Quem pode ajudar?
Júlio e mais três passageiros acompanharam Áurea. Ao erguerem a asa viram que as pernas de Alberto não haviam sido quebradas, pois, foram protegidas pelos corpos de duas pessoas, uma delas sua amiga Tânia comissária e um passageiro. Ambos estavam mortos, chorando Áurea e Júlio viraram os corpos e puxaram para longe da aeronave, Alberto moveu as pernas normalmente, e levantou-se sentindo apenas um formigamento pelo tempo que esteve imóvel.
_Júlio, pode ver se o rádio está funcionando? Jaime está com uma fratura exposta no braço, não viu isso antes de sair da cabine!Ela pediu ao colega enquanto ambos se faziam de fortes e enxugavam as lágrimas com as mãos sujas de terra e sangue!
_Sim vou ver isso. Se Deus quiser conseguiremos algum contato para pedir ajuda. - Virou-se para Áurea novamente e disse:
_O que faremos com os corpos? 
_ Vou falar com Jaime e Rebeca,mas... teremos que enterrá-los! 
Sem palavras e com muita tristeza no olhar, Júlio virou-se e seguiu para a aeronave, rezando para conseguir chegar ao rádio e fazê-lo funcionar!

  




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