sexta-feira, 28 de abril de 2017

Verônica 14ª Parte

Pedro abriu a porta do banheiro e uma nuvem de fumaça saiu antes dele.Devagar se esforçava para sair com o apoio do andador, tinha a toalha presa à cintura e os cabelos despenteados.Verônica foi até ele a fim de ajudá-lo.

_Obrigada Verônica! Estou me sentindo novo. Não imagina quanta falta senti desta água abençoada caindo em minha cabeça. - Disse ele com o semblante sereno.

_ Faço ideia! Não foi fácil tudo que você passou nestes meses. Agora a única coisa que precisa fazer é se dedicar as sessões de fisioterapia, e logo estará cavalgando por ai. -Verônica falava com ele enquanto caminhavam calmamente até a poltrona ao lado do sofá onde o ajudou a sentar. _Vou pegar suas roupas.

Pedro a segurou pela mão.

_ Espere! -Ele pegou a mão dela e levou a boca dando um beijo.Verônica ficou sem ação, aquela atitude dele a pegou de surpresa. _ Não tenho como agradecer tudo que fez por mim nestes longos dias Verônica! Muito, mas muito obrigado mesmo! -Ele falou demonstrando grande emoção, ela podia sentir a gratidão que ele tentava expressar olhando em seus olhos.

_O que é isso Pedro, não precisa agradecer. Você é que não tem ideia de como me fez bem.  Ficar com você, me fez aprender muita coisa e na medida do possível nos divertimos muito! -Ela se curvou e deu um beijo carinhoso em seu rosto. E neste instante  Nelson entrou subitamente no quarto.

_Ora, ora! Que cena mais linda. Vejo que atrapalhei os pombinhos. A sua voz irritante e sua ironia faziam o coração de Verônica fervilhar.

_Não é o que você está imaginando Nelson! - Ela explicou- _ Pedro estava me agradecendo por...

_Agradecendo é? Pedro estava agradecendo? Você pensa que sou idiota Verônica? Vi você beijando ele. -Nelson foi agressivo com as palavras e Pedro intercedeu:

_Nelson, é verdade eu só estava agradecendo, Verônica me retribuiu o agradecimento com um beijo no rosto.

_Cala a boca Pedro, está levantando a crista agora? Isto é entre mim e ela. - Nelson disse apontando o dedo  para a esposa e caminhando devagar em sua direção.  pegou o rosto de Verônica e apertou com força usando uma das mãos.

_Você é uma vadia mesmo, assume agora que eu te solto.

Nelson a estava machucando, Pedro notou que isso parecia dar-lhe prazer, então, agarrou-lhe o braço com força numa forma de impedi-lo a continuar. Nelson o olhou incrédulo. 

_O que você quer? Que eu aceite este casinho de vocês e fique quieto?

_Solte Verônica esta machucando ela, não vê? Não há caso nenhum Nelson, você é doente, precisa se tratar.
Nelson soltou o rosto de Verônica empurrando-a e abaixou-se para ficar cara a cara com Pedro e disse aos berros:

_O que foi hã? Está bravo porque? Ela é minha esposa!

Pedro estava se contendo com os punhos serrados respondeu entre os dentes.

_Você é um canalha Nelson! 

Nelson fechou a cara e deu um soco no rosto de Pedro. Verônica correu sobre ele socando seu peito, gritava chorando em fúria:

_Covarde, você é um grande covarde Nelson, como pode fazer isso?

Nelson segurou suas mãos mantendo-a imóvel  _Ahhhh, agora entendi. Você está apaixonada por ele? 

_Pare com isso, você está delirando? É uma covardia agredir alguém que não pode se defender a altura. 

Verônica se aproximou de Pedro observando o corte na boca sangrando.

_ Suma daqui Nelson, vou cuidar do ferimento e depois vou pra casa pra conversarmos. 

_Não, você vai agora, comigo! E pegando-a brutalmente pelo braço começou a arrastá-la para a porta. 

_ Me solta, Nelson me solta. Vou cuidar do ferimento dele. - fingindo não ouvi-la  ele apertava mais ainda seu braço. Então ela começou a gritar com fúria:

_Seu idiota, pare de me atormentar. Me deixe viver livre da sua doença, eu te odeio, te odeio!
Nelson a soltou, assombrado com a atitude anormal dela,  ficou a ouvindo falar, ela sempre havia sido submissa, pacata e jamais falara nada que o ofendesse. 

_ Você  nunca me amou. Odiava meu pai, não sei onde eu estava com a cabeça todos estes anos para te aturar, e a seus caprichos. Me esquece, esquece que eu existo... – Dizendo isso colocou-se a chorar copiosamente.

_ Quer que eu responda? Casei com você porque fui obrigado! -Ele gritou

Verônica arregalou os olhos já marejados de lágrimas. Pedro engoliu seco, enquanto limpava o sangue da boca na toalha, pensava em uma forma de defender Verônica, conhecendo o temperamento de Nelson, sabia que ele não iria parar, ele iria até o fim e depois iria pra cima dela. Ele precisaria fazer alguma coisa pra defendê-la.... 




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2 comentários:

  1. Eita que o bicho pegou !!!! Agora parece que a verdade vem à tona, história pra tirar o fôlego.

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    1. Agora não tem mais como escapar, a verdade virá com toda certeza. Vamos ver como tudo isso vai acabar? Beijos querida, é sempre um prazer encontrá-la aqui.

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