sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Recados do Tempo Capítulo IV

Com sacrifício engatinhando e ora se arrastando pelas frestas, Júlio conseguiu chegar á entrada da cabine,  pode somente  ver  o corpo de Galvão debruçado sobre o manche, os braços largados e inertes com a mão repousando em concha no chão. Em vão tentou e constatou, não havia como entrar, com esforço ele conseguiu alcançar a mão direita do piloto, e segurando sussurrou com a voz embargada:
 _Descanse em paz meu amigo!– Júlio chorou ao  lembrar que poucas horas antes estavam rindo e brincando enquanto tomavam o café no aeroporto.
Jaime, que mal conseguia se mover tamanha dor que sentia, estava apoiado no encosto de uma das poltronas que se soltaram com a queda, perguntou:
_Conseguiu alguma coisa Júlio?- Observando que o colega trazia algumas coisas que havia encontrado dentro da aeronave, mas não perguntou do que se tratava.
_Não Jaime.  É impossível chegar lá!
_E os celulares que encontraram, não estão funcionando?
 _Até o momento em que deixei Aura e os outros tentando. Os poucos aparelhos que estavam inteiros não havia sinal! Explicou Júlio.
Jaime encostou a cabeça novamente no assento, e concluiu:
_De qualquer forma vão nos encontrar. Galvão pediu socorro à torre um pouco antes da queda! Só não sabemos quando nos acharão. Percebeu que estamos numa espécie de vale?
_Sim percebi! Pensei em pegar os celulares e subir – Júlio apontou com a cabeça para o alto do morro- _ Quem sabe eu consiga sinal.
Jaime sem dizer nada observou Júlio se afastar.  Pensou que precisaria encontrar a caixa preta do avião!

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