Acomodada na poltrona que Nelson lhe indicara, aguardava apreensiva.
Eu vou resumir, mas, você vai entender tudo. – Disse sentando-se na beira da cama de frente para ela.
_ Quando eu tinha quinze anos costumava ir com meu pai a fazenda do Jaguar. A fazenda do Sr. Ernesto, eles eram muito amigos! Um dia houve um leilão de gado na fazenda vizinha e fomos todos pra lá. Inclusive o Pedro, na época ele tinha uns cinco anos, era bem menino.
Verônica franziu a testa. Porque Pedro estava nesta história? Mesmo assim continuou a ouvir sem interrompê-lo como ele havia pedido a ela.
_Ao terminar o leilão voltamos todos para a fazenda do Jaguar, nossos pais ficaram dentro da casa conversando. Ernestinho, eu e Pedro, saímos e fomos para o Jardim. Lá havia um ateliê, um local onde Ernestinho costumava pintar suas telas.
Ele deu tintas e pinceis para Pedro e incentivou-o a pintar a tela a sua frente. O menino se empolgou é claro. E era o que Ernestinho queria. Então, me convidou para ir ao estábulo ver os novos cavalos que o pai havia comprado. E assim fizemos! Deixamos Pedro lá, distraído com tintas e pinceis.
Nelson respirou fundo, pegou um copo e serviu-se de uma dose de whisky puro, tomou de uma vez só. Verônica aguardava calada até que ele retoma-se a conversa.
_Um tempo depois meu pai foi nos procurar, encontrou Pedro sozinho no ateliê, perguntou por nós e o menino disse que estávamos no estábulo. - Nelson calou-se, olhava fixamente para a janela, voltou caminhando devagar em direção a porta numa tentativa de encontrar coragem para continuar.
_Meu pai... e...– Ele estava inquieto, passou a mão pelos cabelos, caminhou até a janela novamente e segundos depois virou-se para ela e disparou – Meu pai e o Pedro foram no estábulo e viram a mim e Ernesto juntos. – Ele calou-se, os minutos pareceram eternos. Ela rompeu o silêncio:
_Seu pai e Pedro viram você e Ernesto.... ? Disse ela aguardando resposta.
_ Você está se fazendo de desentendida Verônica! -Ele se exaltou- Quer que eu fale com todas as letras? Meu pai e Pedro... viram a mim e a Ernesto em uma situação muito íntima, quer que eu continue? Ou já entendeu?
Verônica sentiu a cor faltar-lhe do rosto.
_Você quer dizer...você quer dizer que...você e Ernesto... Seu pai e Pedro os viram fazendo sexo? -Perguntou ela com receio da reação dele.
_Sim, Verônica! –Esta revelação causou um turbilhão de emoções nela e em Nelson que passando as duas mãos no rosto retomou a calma - _ Sim, eles viram. Em casa meu pai me deu a maior surra que levei na vida e Pedro viu tudo e ficou calado. Nunca tocou no assunto comigo. Até hoje tenho vergonha e... raiva dele. Depois de me ver nesta... situação íntima com Ernestinho, ainda me viu apanhar, me viu chorar e ser enxotado da minha casa. Até hoje tenho raiva do olhar de pena que ele lançou sobre mim... e do olhar de orgulho que meu pai colocava sobre ele.
Verônica estava atordoada, mesmo assim tomou forças ainda haviam coisas que ela desejava e iria saber.
Eis que se confirma uma suspeita, a homosexualidade de Nelson. Eita!!!!
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