sábado, 29 de abril de 2017

Verônica - 15ª Parte

_ É isso mesmo que você ouviu! Casei com você porque fui obrigado por meu pai. –Nelson repetiu quase aos gritos.

Neste momento Lena abriu a porta assustada, trazia nas mãos as roupas de Pedro que verônica havia deixado sobre o aparador no corredor.

_Mas o que está acontecendo aqui? Podem ouvir os berros a quilômetros de distância! -Lena não acreditava no que via, o filho apenas de toalha com a boca sangrando, Verônica com o rosto marcado e Nelson com fisionomia alterada e o rosto muito vermelho a ponto de explodir. Aproximou-se do filho e baixou para ver o ferimento.

_O que foi isso Pedro? Tome! Vista a roupa e nos encontre na sala  - Virando-se para Nelson e Verônica os chamou:

_Vocês dois venham comigo. -Já na sala Lena encarou o casal:

_Mas o que houve com vocês? Perderam o Juízo?- Lena falou severamente.

_Lena, foi um mal entendido. Nelson chegou e achou que eu e Pedro estávamos em um momento íntimo e perdeu a cabeça.

_A culpa agora é minha? Eu entro no quarto e pego aos beijos com ele e você diz que eu é que perdi a cabeça, você não...  -Ele foi interrompido por Lena.

_ Nelson, eu sou sua funcionária, apenas uma empregada da casa. E.... embora eu esteja aqui a mais tempo do que já vivi fora deste lugar, sou apenas uma empregada. Conheço você desde pequeno, e não poucas vezes o chamei de filho, o tratei como filho e o tenho verdadeiramente como a um filho.

_Lena! -Nelson tentou falar, mas lena ergueu a mão em sinal de espera para que continuasse ouvindo.

_Continuando! Eu nunca pedi que você e Pedro se amassem como irmãos, mas que se respeitassem! E infelizmente hoje pelo que vi, acabou este respeito, se é que ele chegou a existir um dia.

_Lena, espere... - Nelson tentou novamente interrompê-la .

_Nelson, aprenda a ouvir, Por favor, acalme-se! E se não for pedir demais, não grite!

Nelson baixou a cabeça em respeito aquela que sempre viu como mãe.

Lena estava muito séria e apreensiva, não havia gostado nada de ver o filho envolvido entre os conflitos do casal. Notou Pedro vindo em direção á sala, fez menção de ir ajudar, mas ele a impediu com um gesto. Com os braços cruzados, aguardou observando o filho ajeitar-se no sofá.

_Agora eu quero saber o que está acontecendo. Estou profundamente triste pela cena que encontrei aqui. Triste e decepcionada. Tentem me explicar o que foi isso tudo!

Verônica foi a primeira a se manifestar, contou sua versão, em seguida Pedro e por último Nelson.


Mas ao contrario do que Lena pensava, Nelson insistia em jogar culpas na esposa e continuou com as agressões verbais a Verônica. E foi ai, que novamente a conversa tomou um rumo que não havia mais como voltar atrás. Enquanto Nelson soltava toda sua ira sobre a pobre Verônica. Lena e Pedro observavam calados e prontos para interceder caso ele tentasse agredi-la fisicamente.

_Seu pai não prestava, nunca prestou! -Nelson gritava

_Como você fala uma coisa destas, você nunca gostou do meu pai, e ele nem mais está neste plano! -Respondeu ela.

_Ele vendeu você pra mim Verônica.

Um silêncio tomou conta do ambiente, Lena fez sinal para que Pedro saísse, mas, ele não obedeceu e aproximando-se de Nelson buscou oferecer um pouco de lucidez a ele.

_Nelson, coloque a cabeça no lugar, cuidado com as palavras! -Lena alertou, ela sabia de toda história e não queria que isso tivesse que ser revelado assim, ali na sua casa, era uma coisa que Nelson teria que contar para a esposa.

_Não Lena! – Falou Verônica - _ Deixe que ele fale! Ele precisa ter coragem de revelar coisas da minha vida! E ao que me parece, nem eu mesma sei! Mas não aqui Lena, não na sua casa. - Olhou para o marido e disse:  _Vamos pra casa, lá conversamos!

Nelson entendeu o recado e saiu feito um leão da casa de Lena seguindo em direção a casa grande.
Aproximando-se de Lena Verônica envergonhada e contendo a emoção do choro falou:

_Lena, muito obrigada pela ajuda. Pedro, perdão por isso tudo. Cuide-se! Acho que hoje vou me libertar de muitas coisas. Depois conversaremos! 

Dizendo isso com um sorriso triste Verônica se retirou da casa de Lena, indo em direção a casa grande onde Nelson já estava quase chegando...

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Verônica 14ª Parte

Pedro abriu a porta do banheiro e uma nuvem de fumaça saiu antes dele.Devagar se esforçava para sair com o apoio do andador, tinha a toalha presa à cintura e os cabelos despenteados.Verônica foi até ele a fim de ajudá-lo.

_Obrigada Verônica! Estou me sentindo novo. Não imagina quanta falta senti desta água abençoada caindo em minha cabeça. - Disse ele com o semblante sereno.

_ Faço ideia! Não foi fácil tudo que você passou nestes meses. Agora a única coisa que precisa fazer é se dedicar as sessões de fisioterapia, e logo estará cavalgando por ai. -Verônica falava com ele enquanto caminhavam calmamente até a poltrona ao lado do sofá onde o ajudou a sentar. _Vou pegar suas roupas.

Pedro a segurou pela mão.

_ Espere! -Ele pegou a mão dela e levou a boca dando um beijo.Verônica ficou sem ação, aquela atitude dele a pegou de surpresa. _ Não tenho como agradecer tudo que fez por mim nestes longos dias Verônica! Muito, mas muito obrigado mesmo! -Ele falou demonstrando grande emoção, ela podia sentir a gratidão que ele tentava expressar olhando em seus olhos.

_O que é isso Pedro, não precisa agradecer. Você é que não tem ideia de como me fez bem.  Ficar com você, me fez aprender muita coisa e na medida do possível nos divertimos muito! -Ela se curvou e deu um beijo carinhoso em seu rosto. E neste instante  Nelson entrou subitamente no quarto.

_Ora, ora! Que cena mais linda. Vejo que atrapalhei os pombinhos. A sua voz irritante e sua ironia faziam o coração de Verônica fervilhar.

_Não é o que você está imaginando Nelson! - Ela explicou- _ Pedro estava me agradecendo por...

_Agradecendo é? Pedro estava agradecendo? Você pensa que sou idiota Verônica? Vi você beijando ele. -Nelson foi agressivo com as palavras e Pedro intercedeu:

_Nelson, é verdade eu só estava agradecendo, Verônica me retribuiu o agradecimento com um beijo no rosto.

_Cala a boca Pedro, está levantando a crista agora? Isto é entre mim e ela. - Nelson disse apontando o dedo  para a esposa e caminhando devagar em sua direção.  pegou o rosto de Verônica e apertou com força usando uma das mãos.

_Você é uma vadia mesmo, assume agora que eu te solto.

Nelson a estava machucando, Pedro notou que isso parecia dar-lhe prazer, então, agarrou-lhe o braço com força numa forma de impedi-lo a continuar. Nelson o olhou incrédulo. 

_O que você quer? Que eu aceite este casinho de vocês e fique quieto?

_Solte Verônica esta machucando ela, não vê? Não há caso nenhum Nelson, você é doente, precisa se tratar.
Nelson soltou o rosto de Verônica empurrando-a e abaixou-se para ficar cara a cara com Pedro e disse aos berros:

_O que foi hã? Está bravo porque? Ela é minha esposa!

Pedro estava se contendo com os punhos serrados respondeu entre os dentes.

_Você é um canalha Nelson! 

Nelson fechou a cara e deu um soco no rosto de Pedro. Verônica correu sobre ele socando seu peito, gritava chorando em fúria:

_Covarde, você é um grande covarde Nelson, como pode fazer isso?

Nelson segurou suas mãos mantendo-a imóvel  _Ahhhh, agora entendi. Você está apaixonada por ele? 

_Pare com isso, você está delirando? É uma covardia agredir alguém que não pode se defender a altura. 

Verônica se aproximou de Pedro observando o corte na boca sangrando.

_ Suma daqui Nelson, vou cuidar do ferimento e depois vou pra casa pra conversarmos. 

_Não, você vai agora, comigo! E pegando-a brutalmente pelo braço começou a arrastá-la para a porta. 

_ Me solta, Nelson me solta. Vou cuidar do ferimento dele. - fingindo não ouvi-la  ele apertava mais ainda seu braço. Então ela começou a gritar com fúria:

_Seu idiota, pare de me atormentar. Me deixe viver livre da sua doença, eu te odeio, te odeio!
Nelson a soltou, assombrado com a atitude anormal dela,  ficou a ouvindo falar, ela sempre havia sido submissa, pacata e jamais falara nada que o ofendesse. 

_ Você  nunca me amou. Odiava meu pai, não sei onde eu estava com a cabeça todos estes anos para te aturar, e a seus caprichos. Me esquece, esquece que eu existo... – Dizendo isso colocou-se a chorar copiosamente.

_ Quer que eu responda? Casei com você porque fui obrigado! -Ele gritou

Verônica arregalou os olhos já marejados de lágrimas. Pedro engoliu seco, enquanto limpava o sangue da boca na toalha, pensava em uma forma de defender Verônica, conhecendo o temperamento de Nelson, sabia que ele não iria parar, ele iria até o fim e depois iria pra cima dela. Ele precisaria fazer alguma coisa pra defendê-la.... 




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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Verônica - 13ª parte

Enfim chegou o dia de Pedro retirar o gesso, depois de quase dois meses e meio na cama, ele poderia agora ficar de pé com ajuda do um andador. Embora as notícias do médico tenham sido muito positivas, ele sabia que teria muita fisioterapia pela frente e precisava ter muita paciência para aos poucos retomar a vida normal.

O carro parou em frente a casa de Lena, ela e Verônica ajudaram Pedro a descer do carro enquanto Nelson levou o carro para a frente da casa grande.

_Cuidado Pedro! Vá devagar, você está há meses sem colocar os pés no chão, tem que ir aos poucos menino. Vá com calma! -Bronqueou Lena.

_Tá bom mãe! Pode deixar que eu me viro!

Lena ficou olhando com desaprovação a pressa de Pedro, Verônica percebendo acalmou-a.

_Não se preocupe Lena, deixe comigo, eu o ajudo a se ajeitar!  E com uma piscada virou-se para abrir a porta da casa para que ele entrasse. Lena concordou e dirigiu-se para a casa grande.

Pedro entrou e sentou-se no sofá, olhou para Verônica e observou:

_ Agora é preciso fazer com que este quarto volte ao normal, não aguentava mais esta “internação domiciliar”. Disse isso e fechando os olhos apoiou a cabeça no encosto do sofá.

_Amanhã peço para que venham retirar a cama. Não haverá mais necessidade dela.

Mas hoje você ainda terá que dormir nela, a não ser que durma na casa grande.
Agora... se não me engano, eu sei exatamente o que vai fazer! -Verônica sorriu-lhe com cumplicidade, sabia exatamente cada pensamento de Pedro, cada desejo e já conhecia cada traço de seu rosto.

Deu-se conta de que o conhecia muito melhor do que ao seu marido, voltou de seu devaneio com a voz de Pedro.

_Se pensou que vou tomar uma banho, acertou! Verônica, vou tomar um banho daqueles que nunca viu igual. Depois de dois meses com este...banho de leito, m
ereço um belo e demorado banho!!! - Ele fez uma cara de nojo e voltou a sorrir.

_Merece sim Pedro. Vou pregar toalhas limpas e a cadeira de banho.

_Cadeira de banho? Pra que?

_Ora, você ainda não consegue tomar banho em pé sem apoio Pedro!

_Posso sim, claro que posso. Não quero cadeira nenhuma! Tenho o andador, me apoio nele.

_Ah é? Então está bem! E como vai lavar a cabeça? Os pés? Quero só ver! Pedro entenda, você não tem firmeza suficiente nas pernas ainda! Quer se arriscar mais?

_Não quero cadeira de banho Verônica.

_ Mas que homem teimoso! Vai usar a cadeira sim, ou você quer que eu de banho em você? – No mesmo instante ela percebeu que havia falado sem pensar, ficou sem graça pois sabia o que iria ouvir.

_Não seria má ideia! Respondeu-lhe Pedro lançando um olhar que a fez ficar com o rosto rubro.

_Pedro, Pedro! –Ela tentou disfarçar com um riso sem graça, mas ele percebeu que mexeu com ela, ficou observando enquanto ela pegava a cadeira e as toalhas e levava para o banheiro. – Pronto! Toalhas, sabonete, e a "cadeira" - Enfatizou.

 _ Agora vá tomar banho e tirar este cheiro de gesso. Ficarei aqui, se precisar é só chamar.

Pedro levantou-se devagar segurando no andador e dirigiu-se ao banheiro. Antes de fechar a porta sorriu maliciosamente para ela, fazendo com a cabeça um gesto para que ela entrasse com ele.

Verônica, fingindo ficar brava o fez gargalhar da cara dela antes de fechar a porta. Ela gritou:

_Não tranque a porta! Se precisar grite, vou ficar aqui!

Ela fechou os olhos e respirou fundo. Estava há tanto tempo ao lado dele, todos os dias, o dia inteiro. Seria difícil não ter mais que ficar em sua companhia. Sentiu-se triste e ao mesmo tempo se repreendeu:
_ Pare com isso Verônica, agora Pedro esta bem e andando, é isso que importa!-Sussurrou para si mesma. Sorriu sozinha, ela estava era feliz agora ele estava bem.

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terça-feira, 28 de março de 2017

Verônica parte 12

Os dias transcorreram bem, apesar dos momentos de tristeza de Pedro, que sendo um homem de ação e movimento ficava muito irritado em não poder sair do lugar. 
Um mês já havia se passado do acidente em que Pedro ficou imobilizado. 
Todos os dias Verônica arrumava uma atividade para distraí-lo, assistiam filmes, jogavam dama, ela lia pra ele, ele lia pra ela, conversavam sobre vários assuntos e riam muito de algumas situações. Verônica estava se sentindo feliz, apesar de saber que ainda precisaria resolver sua situação com Nelson, por vezes esquecia do assunto. 
Pedro lhe contou das namoradas que teve e das brigas e cobranças que acabaram com o último relacionamento de quase dois anos. 

_Depois que terminei com Lívia, nunca mais namorei sério com ninguém. -Disse Pedro olhando para a janela para ver a chuva que caia lentamente.

_Eu entendo, mas mulheres são assim mesmo Pedro, todas nós queremos um amor, alguém que se preocupe conosco, nos ame e principalmente que nos respeite. -Verônica observou.

_ Lívia queria casar, eu até me casaria com ela, não fosse o nojo que ela tinha de cavalos e o horror pela cidade, e olhe que nasceu aqui.

_É complicado! Em um relacionamento quando um só quer ter razão, as coisas começam a ficar bem difíceis. É preciso muito amor, flexibilidade, diálogo e .. respeito, volto a frisar .

-Então... ela não gostava de vir aqui em casa porque dizia que o cheiro de estábulo estava em todos os lugares, que eu deveria me casar com uma égua...

Verônica não conseguiu segurar a risada interrompendo Pedro que olhou sem entender.

_Desculpe Pedro. – Ela continuava rindo. _ Mas eu não aguentei sua última frase, “Se casar com uma égua?”

_É verdade! – Ele ria também. _ Ela falava isso pra mim, “porque você não casa com uma égua.” Pedro repetiu a frase e se contagiando com o ataque de riso de Verônica .

_Olha Pedro, ainda bem que não está mais com está “Lívia” que mulher chata.

Os dois continuaram a rir, parando somente quando a porta do quarto se abriu interrompendo a alegria de ambos. Era Nelson!

_Bom dia!!! Pelo visto a chuva não mexeu com o humor de vocês! Quero rir também, sobre o que falavam?

Pedro olhou para Verônica que respondeu.

_Estávamos lembrando de coisas engraçadas só isso!

_Sei... - Nelson olhou cismado para ela, enquanto dirigia-se para mais perto da cama:

_ E ai Pedro, como está?

_Melhorando! Não aguento mais é ficar nesta cama!

_Logo você vai sair dai, já se passou um mês. - Lembrou Nelson


_Não vejo a hora deste dia chegar! -Comentou Pedro.

_Bom! Vou indo, só vim avisar Verônica, que estou saindo. Vou a cidade vizinha com Zé das Botas resolver uns assuntos. Só volto amanhã.  -Nelson deu um sorriso com o canto da boca se dirigindo a porta, antes de fechá-la mandou um beijo no ar para verônica com seu jeito irônico que a irritava demais.

_Boa viagem! –Respondeu verônica, Pedro somente acenou com a mão percebendo o ar de triste que apareceu em sua cuidadora e amiga.

_O que foi Verônica, parece triste?

Verônica deu um longo suspiro e sentou-se na cama dele como se buscando um conforto nesta proximidade.

_Nada Pedro, não se preocupe comigo, isso passa!!!

_Sei... sua situação com Nelson continua tumultuada não é?

_Insuportavelmente tumultuada. Mas, não vamos falar disso agora está certo?

_Verônica, não falou de você em nenhum momento em todos estes dias que esteve comigo, brincou, sorriu, fez piada. Eu conheço um pouco de você para saber que está sem paz de espírito. Fale! Vamos conversar!

Verônica começou a chorar e enxugando as lágrimas levantou-se da cama.

_Depois Pedro! Depois conversaremos. Vou tomar um banho agora, depois volto. Você vai ficar bem? Quer que eu ligue a tv?

Quando verônica aproximou-se para pegar o controle, Pedro a segurou pelo braço. Seus olhares se cruzaram por um instante, que pareceu uma eternidade. Sentiu seu coração acelerar e o sangue ferver em seu corpo. Nunca havia estado tão próximo de outro homem que não fosse seu marido. Afastou-se dele devagar, sem conseguir entender o que havia acabado de acontecer ali. Ela viu pela primeira vez que o menino que conheceu a muitos anos atrás, hoje era um belo homem.

_Vou tomar um banho e volto depois. Se... se precisar de alguma coisa enquanto estou fora, ligue no celular da Lena tá certo?

_Ok até mais. – Pedro lançou um sorriso afetuoso e ela retribuiu virando-se para sair do quarto , caminhou devagar até a porta, sendo seguida pelo olhar de Pedro.
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terça-feira, 21 de março de 2017

Verônica - parte 11

Dois dias haviam se passado desde o acidente de Pedro.

Lena já havia deixado tudo pronto para os dois meses de convalescência do filho.

Ao chegar do hospital, Pedro, fora levado a casa que sempre ocupou com a mãe, ficava atrás da casa grande na fazenda, era confortável e bem funcional, o que permitiu a Lena deixar o filho em um quarto de frente para o Jardim, assim poderia se sentir mais animado para a recuperação.

_Bom dia dorminhoco. -Disse Verônica abrindo as persianas e deixando a luz tomar conta do quarto! _Como está se sentindo nesta primeira noite de volta ao lar?

_Bom dia! -Pedro disse se esforçando inutilmente para se mover.

_Calma! Esqueceu que é a cama que o levantará e o deitará? Não pode com o peso do gesso! Com um suspiro triste Pedro balançou a cabeça, agora estaria de castigo nesta cama por dois meses.

_Obrigada Verônica! Será que pode me dar o ... aquele negócio para urinar ?

_O nome disso é “Papagaio” ou “urinol” -Verônica explicou entregando o recipiente a Pedro. _ Vou sair, quando terminar me chame, estou aqui do lado ok?

Envergonhado Pedro concordou com a cabeça. Estava com vergonha de Verônica, ter que chamá-la para pegar o xixi, que desagradável. Mas fazer o que? Era ela ou a mãe!

_Pronto! Ele gritou para chamar Verônica que entrou no quarto e viu Pedro quase roxo de vergonha.

_Pedro, não precisa ter vergonha, apesar de tudo sou auxiliar de enfermagem! –Brincou.

_Ah Verônica, que vergonha! Não tem outro jeito não? Perguntou Pedro.

_Tem outro jeito sim, mais fácil até no seu caso. Só que precisaremos da ajuda de Nelson ou do Zé das Botas. Verônica fingiu falar sério mas estava tentando fazê-lo sorrir.

Pedro arregalou os olhos e perguntou:

_Porque precisa de um deles? Vão me levar ao banheiro?

_Imagina Pedro! Você está com gesso do quadril até as pernas, as duas pernas. -Ela o lembrou tomando cuidado para não entristecê-lo. _ Não pode molhar o gesso Pedro.

_Então o que está pensando? Nem pense em me enfiar aquele cano no meu...! -Pedro assustou-se fazendo Verônica não conter o riso.

_Não seu bobo, é um outro tipo de coletor de urina. Brinquei sobre Nelson ou Zé das Botas. Quando o enfermeiro vir hoje para dar seu banho, pedirei a ele que coloque. Se sentirá mais confortável.

_Tá! Pedro pressionou a boca num gesto de extrema vergonha e timidez.

-Agora teremos que organizar nossos dias, fazer uma agenda para que não fiquemos olhando um pra cara do outro. O que gosta de ler? Romance, ficção, drama?

_Pra falar a verdade não tenho muito paciência pra isso, já me bastam as literaturas da faculdade. E por falar nisso, preciso avisar meus colegas, ver o que podem me passar das aulas.

_Não se preocupe sua mãe já fez isso, foi até a faculdade falou com o Reitor. Todos os dias uma pessoa vai trazer as atividades pra você. 

_Minha mãe! Ahh  Dona Lena... Dona Lena, que trabalhão estou dando pra ela...e pra você Verônica! -Pedro falou colocando a mão na cabeça ainda dolorida e enfaixada.

_Que trabalho Pedro! Você não escolheu isso, aconteceu! Agora é tratar de se recuperar. Vai passar rápido vai ver. Vou arrumar muitas atividades pra nós!

_Obrigada Verônica! Vai ser muito bom ficar este tempo com você. Uma enfermeira tão cuidadosa e carinhosa. Além de linda! – Pedro deu uma risada discreta e recebeu o sorriso doce e bonito de Verônica como recompensa daqueles dias de tensão!
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sábado, 18 de março de 2017

Verônica 10ª Parte

Verônica ainda estava zonza pelo acontecido, e sem ação depois da discussão que tivera com Nelson, e ele a deixou falando sozinha. Um grito vindo de fora tirou-a de suas divagações e a trouxe rapidamente para a realidade. Dirigiu-se a janela e viu Pedro esticado no chão e o cavalo empinando  e as pernas de Pedro presas ao cavalo.

_Pedro. Ela gritou, correndo desesperada desceu as escadas e foi para o pátio da casa onde já estavam “Zé das Botas” e “Das Dores” dois funcionários antigos da fazenda. Lena estava se dirigindo ao local poucos passos diante de Verônica.

_Pedro...Pedro meu filho!? Pedro. 
O que aconteceu? perguntou Lena aos prantos. - Pedro estava desacordado, tinha um corte na testa que sangrava muito.

_Dona Lena o cavalo empinou, ele ficou com os pés presos no estribo. – Respondeu Zé das Botas. Tinha ganhado este apelido do pai de Nelson, quando ainda pequeno vivia com as botas do pai dele que ajudava o pai de Pedro a cuidar dos estábulos.  Senhor Nelson achava graça em ver o menino com as botas maiores que seu número deixando um rastro de barro e estrume por onde passava. Para o terror das mulheres da casa. 


_O que deu neste cavalo? Ele estava domando Zé?

_Estava sim dona Lena.

_Vou chamar o resgate! Lena não tire ele do lugar pode afetar a coluna! Verônica rapidamente discou o número da emergência no celular e pediu socorro.

Rapidamente o resgate chegou e o colocou na ambulância.

_Vou com ele! Lena avisou já subindo no carro.

_Vou com você Lena. Disse Verônica. _ Das dores, avise Nelson sobre o que aconteceu. Diga que assim que estivermos no hospital eu o aviso!

Chegaram ao Hospital central onde a equipe de enfermagem já esperava por Pedro.

_Doutor meu filho não acorda, ele vai ficar bem? Pelo amor de Deus doutor, Ajude meu menino. Lena implorava e chorava desesperadamente.

_Calma senhora, vamos cuidar dele, venho dar notícias assim que puder. –O médico olhou para Verônica e disse: _Cuide dela, assim que possível trarei notícias.

_Venha Lena, vamos nos sentar. Tente acalmar-se tudo vai ficar bem!

Uma hora já havia se passado, nenhuma notícia havia chegado. Nelson já estava lá e buscava informações enquanto Lena e Verônica continuaram na sala de espera!

O médico surgiu na sala acompanhado de Nelson. Lena correu até ele:

_ Doutor como está meu Pedro, o que aconteceu com ele?

_Acalme-se Dona Lena, Pedro está bem, não corre risco de morte, teve um corte na cabeça, foram dados 10 pontos, felizmente os exames não mostraram nada de mais grave no crânio. Mas ele fraturou o quadril... e as duas pernas .

_Meu Deus! Lena desabou a chorar e Verônica continuou a conversar com o médico.

_Doutor, e qual é o quadro geral dele! Perguntou Verônica.

_Ele está bem, vai passar uns dias internado para novos exames, se tudo correr bem, amanhã ou depois terá alta.

_Dr. Se ele fraturou o quadril e as duas pernas ... será engessado da cintura para baixo, é isso ? Perguntou Nelson.

_Sim, isso mesmo! A princípio acredito que ficará dois meses engessado e sem sair da cama, precisará de cuidados!

_Ai Verônica, e agora? O que farei sem meu Pedro pra me ajudar? Lena chorava, nem parecia a mulher forte que sempre demonstrou ser, compreensivo pois Pedro era a vida dela.

_Eu vou ajuda-la Lena! – Nelson tomou a palavra. _Preciso mesmo me inteirar das coisas da fazenda.

_Precisarei encontrar uma enfermeira ou um cuidador Nelsinho, ele precisará de alguém ao lado dele 24 horas por dia. Não posso dispor de Das dores e nem do Zé! Lena tinha os olhos inchados de tanto chorar. 

_ Não será preciso Lena,  Verônica poderá cuidar de Pedro. Ela tem curso de enfermagem! 

_Não vou incomodar Verônica com meus problemas Nelsinho, vocês já tem lá seus problemas pra resolver.

_O que é isso Lena, não é incomodo algum. Será um prazer cuidar de Pedro para você.  Temos muito tempo para resolver nossas coisas,  agora o mais importante é a saúde e recuperação do seu filho.

Verônica olhou para o marido sem acreditar que era ele que falava, parecia menos infantil e mais responsável.  Por alguns momentos ela havia se esquecido da briga que tiveram antes do acidente de Pedro. Agora isso teria que esperar, Lena precisava deles e era o que importava,  a recuperação de Pedro era a prioridade!

......



terça-feira, 14 de março de 2017

Verônica parte 9

Nelson subiu as escadas devagar, um sentimento misto de medo e alívio! 
Quantos anos vivendo esta situação. 
Pensou em tudo que ele e Lena conversaram, sim, ela tinha razão. Em todos esses anos ele havia se escondido atrás de um casamento de aparências, evitando o assunto que mudou todo o rumo de sua vida e por consequência o de Verônica. 
Às vezes tinha raiva de seu pai, outras tinha raiva do pai de Verônica por submeter a filha a uma forma de enriquecimento, como se ela fosse uma mercadoria.
Se tudo isso não houvesse acontecido as coisas poderiam ter sido diferentes pensou.
Ao chegar no topo da escada, respirou fundo e caminhou devagar em direção a porta de seu quarto, olhou para o quarto de Verônica, por alguns instantes quase foi até lá para chamá-la e colocar definitivamente um ponto final nessa história toda, mas desistiu. 
Abriu aporta do quarto e fechou-a atrás de si.

_Verônica?!! O que está fazendo aqui? – Perguntou Nelson assustado ao ver a esposa sentada na poltrona ao lado da janela.

_Estava te esperando!

_Mas...porque? Aconteceu alguma coisa?

_Nelson! Não seja irônico, não se faça de desentendido. Sabe bem que a situação está insuportável entre nós. – Disse Verônica levantando-se da poltrona e se aproximando dele.

_Ai meu Deus, o que você quer que eu diga?  – Nelson disse isso virando-se para ir até o guarda roupa, quando Verônica o puxou pelo braço.

_Não Nelson! Você vai me dizer agora o que acontece. Eu não aguento mais esta vida que levamos juntos. Desse jeito não dá mais pra viver ou nos acertamos ou nos separamos!

Nelson aproximou-se da cama e sentou-se enquanto tentava encontrar palavras para dizer a Verônica tudo que ele precisava dizer. Sentia tudo naquele momento menos coragem, apesar de não amá-la ele tinha um enorme carinho por ela. Como ela reagiria ao saber as tramas do pai?

_Eu...eu não sei do que você está falando! Que jeito não dá mais pra viver? 
– Nelson tentou desconversar. _Sou tão ruim assim?

_Não é questão disso Nelson, pelo amor de Deus, acorda! Você me trata mal, não gosta que eu o acompanhe nos lugares onde vai, dormimos separados. Há quantos meses não nos tocamos Nelson?
-Verônica estava decidida a arrancar tudo que precisava saber. Em pé diante dele, os braços cruzados numa posição de defesa. Continuava firme apesar do medo que sentia de seu temperamento explosivo!

_Verônica, eu já disse, O que você quer fazer? Quer se separar? Continuar casada comigo? Fale e faremos como você quiser! -Nelson levantou-se enquanto tirava a camisa!

_O que é isso Nelson? – Ela dirigiu-se para perto dele e tocou em seu pescoço onde quase perto do ombro havia uma marca que ela não conseguia definir bem o que era. _Nelson isso é uma marca!!! Neste momento Nelson a empurrou.

_Saia Verônica, que marca ? Pare com estas esteiras, não te dei liberdade para isso! Caminhou até o espelho a fim de ver do que Verônica falava.


_Nelson, isso é uma marca... o que é isso? Batom? Deixe eu ver !  -Ela tentou em vão ficar próxima a ele.

_Cale essa boca Verônica. Não sabe o que está dizendo! - 
 Disse ele enquanto recolocava a camisa a fim de evitar mais perguntas. Mas ele sabia que ela não ia parar. 

_Onde esteve? – Ela estava irritada, andava feito uma onça em torno dele, ela ia insistir 
está era a única forma de conseguir arrancar alguma coisa dele o conhecia e sabia até onde ir.  _ Foi a um bordel para relembrar sua juventude? Ou saiu com uma Garota de programa? 

_Pare Verônica, não me irrite com estas perguntas idiotas. -Nelson pegou a toalha de banho e ela o seguia, falando e perguntando.

_Nelson, Responde!!! Por isso não quis que eu o acompanhasse?

_CALE ESSA BOCA VERÔNICA! -O grito dele deve ter sido ouvido por toda fazenda. 
_Será que não tenho mais sossego? Será que não tenho um momento de paz? - Nelson saiu do  quarto e entrou no banheiro, deixando Verônica feito uma estátua parada e sem saber o que pensar ou o que fazer...