Lena já havia deixado tudo pronto para os dois meses de convalescência do filho.
Ao chegar do hospital, Pedro, fora levado a casa que sempre ocupou com a mãe, ficava atrás da casa grande na fazenda, era confortável e bem funcional, o que permitiu a Lena deixar o filho em um quarto de frente para o Jardim, assim poderia se sentir mais animado para a recuperação.
_Bom dia dorminhoco. -Disse Verônica abrindo as persianas e deixando a luz tomar conta do quarto! _Como está se sentindo nesta primeira noite de volta ao lar?
_Bom dia! -Pedro disse se esforçando inutilmente para se mover.
_Calma! Esqueceu que é a cama que o levantará e o deitará? Não pode com o peso do gesso! Com um suspiro triste Pedro balançou a cabeça, agora estaria de castigo nesta cama por dois meses.
_Obrigada Verônica! Será que pode me dar o ... aquele negócio para urinar ?
_O nome disso é “Papagaio” ou “urinol” -Verônica explicou entregando o recipiente a Pedro. _ Vou sair, quando terminar me chame, estou aqui do lado ok?
Envergonhado Pedro concordou com a cabeça. Estava com vergonha de Verônica, ter que chamá-la para pegar o xixi, que desagradável. Mas fazer o que? Era ela ou a mãe!
_Pronto! Ele gritou para chamar Verônica que entrou no quarto e viu Pedro quase roxo de vergonha.
_Pedro, não precisa ter vergonha, apesar de tudo sou auxiliar de enfermagem! –Brincou.
_Ah Verônica, que vergonha! Não tem outro jeito não? Perguntou Pedro.
_Tem outro jeito sim, mais fácil até no seu caso. Só que precisaremos da ajuda de Nelson ou do Zé das Botas. Verônica fingiu falar sério mas estava tentando fazê-lo sorrir.
Pedro arregalou os olhos e perguntou:
_Porque precisa de um deles? Vão me levar ao banheiro?
_Imagina Pedro! Você está com gesso do quadril até as pernas, as duas pernas. -Ela o lembrou tomando cuidado para não entristecê-lo. _ Não pode molhar o gesso Pedro.
_Então o que está pensando? Nem pense em me enfiar aquele cano no meu...! -Pedro assustou-se fazendo Verônica não conter o riso.
_Não seu bobo, é um outro tipo de coletor de urina. Brinquei sobre Nelson ou Zé das Botas. Quando o enfermeiro vir hoje para dar seu banho, pedirei a ele que coloque. Se sentirá mais confortável.
_Tá! Pedro pressionou a boca num gesto de extrema vergonha e timidez.
-Agora teremos que organizar nossos dias, fazer uma agenda para que não fiquemos olhando um pra cara do outro. O que gosta de ler? Romance, ficção, drama?
_Pra falar a verdade não tenho muito paciência pra isso, já me bastam as literaturas da faculdade. E por falar nisso, preciso avisar meus colegas, ver o que podem me passar das aulas.
_Não se preocupe sua mãe já fez isso, foi até a faculdade falou com o Reitor. Todos os dias uma pessoa vai trazer as atividades pra você.
_Minha mãe! Ahh Dona Lena... Dona Lena, que trabalhão estou dando pra ela...e pra você Verônica! -Pedro falou colocando a mão na cabeça ainda dolorida e enfaixada.
_Que trabalho Pedro! Você não escolheu isso, aconteceu! Agora é tratar de se recuperar. Vai passar rápido vai ver. Vou arrumar muitas atividades pra nós!
_Obrigada Verônica! Vai ser muito bom ficar este tempo com você. Uma enfermeira tão cuidadosa e carinhosa. Além de linda! – Pedro deu uma risada discreta e recebeu o sorriso doce e bonito de Verônica como recompensa daqueles dias de tensão!
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