sábado, 13 de maio de 2017

Verônica 22ª parte

O parque era muito bem cuidado, arborizado, Pedro falou que também haviam algumas espécies de pássaros em viveiros e animais em jaulas como um pequeno zoológico.

_Que lugar lindo Pedro, não sabia que existia um lugar assim aqui! -Observou verônica encantada enquanto caminhavam.


_É muito bonito sim, bem cuidado e ótimo para relaxar. -Todas as manhãs há grupos de meditação, Yoga, ginastica. Eu costumava vir sempre aqui nas férias da faculdade para fazer uma caminhada, sair um pouco da fazenda sabe!

_Que legal isso. E é a prefeitura que mantem? -Perguntou Verônica

_Sim. Mesmo porque há uma escola municipal infantil aqui dentro. Daqui a pouco cruzamos com algum grupo, é sempre assim durante a semana.

_É maravilhoso! - Verônica parou e apoiou os braços na grade de proteção as margens de um grande lago. -Pedro parou para observar ao lado dela. _Olhe aqueles macacos, que graça! Deve ser um casal. Ela apontou se deliciando ao ver os dois animais rolando na grama que ficava no reservado de terra bem no meio do lago.

_Sim é um casal, são divertidos e muito espertos. Vamos andando? Ainda há muitos animais e aves para ver.

_Vamos, não me deixe ficar tão empolgada em cada lugar que eu parar Pedro. Vamos chegar em casa de madrugada se não me chamar. -Ela sorriu divertida seguindo ao lado dele o passeio.
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Já a caminho do carro, Verônica comentou:

_Obrigada Pedro, amei conhecer este lugar. Fico feliz por dividir comigo suas recordações e histórias de infância. Obrigada mesmo!

Os dois estavam parados ao lado da porta quando Pedro virou-se pra ela:

_Que bom que você gostou, este é um lugar muito especial pra mim. Só tenho na memória bons momentos, boas recordações e agora mais um momento especial pra mim... estar com você aqui. 

Pedro chegou bem próximo, ela sentiu seu rosto esquentar e seu coração acelerar de tal maneira que pensou que ele podia ouvi-lo. Sua respiração estava ofegante, não conseguiria disfarçar se continuassem mais um minuto parados um de frente para o outro. De repente ela os tirou naquele momento mágico.

_Vamos Pedro, sua mãe deve estar se perguntando onde fomos parar!

_Verdade! Dona Lena deve estar de cabelo em pé. –Ele sorriu com o canto da boca se dirigindo ao lado do passageiro.

Na volta Pedro explicava algumas coisas sobre o parque que acabaram de visitar, mas Verônica estava absorta em seus pensamentos:

“Verônica o que você fez? Porque fugiu? Esta era a  oportunidade de dizer a ele o que está sentindo. Agora quando será que haverá uma nova oportunidade para ficar tão próxima a ele, bem feito sua boba...”  -Pedro interrompeu seus pensamentos críticos.

_Verônica! Está tudo bem? -Pedro perguntou preocupado com seu silêncio.

_Ahh desculpe Pedro, tudo bem sim. Meu pensamento estava tão longe. -Respondeu sem graça. 


_É, eu percebi. - Ele disse novamente sorrindo com o canto da boca, Verônica adorava quando ele sorria assim e isso a deixou mais furiosa ainda consigo mesma. 
Parou o carro de frente a casa grande entregando a chave para que Zé das Botas o levasse para a garagem.
Ela e Pedro seguiram juntos para falar com Lena.
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terça-feira, 9 de maio de 2017

Verônica 21ª parte

Quase um mês havia se passado desde que Nelson fora embora da fazenda, não haviam mais se falado. As vezes em que ele ligava era para falar com Lena sobre assuntos da fazenda.

Pedro havia sido liberado de toda medicação, já não precisava do andador e conseguia se locomover sozinho, embora ainda precisasse ter cuidado e seguir a risca as sessões de fisioterapia. Nada mais o impedia de ir a faculdade e fazer algumas atividades leves na fazenda, só faltava ter alta médica para que tudo começasse a voltar ao normal.

Deitada em seu quarto lendo um livro, devaneou pensando que todo este tempo em que esteve sem Nelson por perto, ela estava melhor, mais leve. Embora se sentisse livre, ela e Pedro não tiveram nada de mais a não ser boas conversas. Pensou no que sentia e deu-se conta de que se sentia mais atraída por ele a cada dia! Não havia aparecido uma oportunidade que levasse ambos a terem um tipo de conversa mais intima. Porém ela sabia que Pedro a olhava diferente, insinuava-se discretamente, aquele jeito dele olhar tirava-lhe do prumo. 

Ela balançou a cabeça numa tentativa de espantar os pensamentos e caminhou até a janela, viu Pedro com o fisioterapeuta na piscina. Lembrou-se que precisava comprar algumas coisas, pegou a chaves do carro e a bolsa, foi até o escritório avisar Lena.

_Lena vou a cidade comprar alguns produtos de higiene pessoal, quer alguma coisa?

_Não verônica obrigada. –Lena respondeu um pouco pensativa. _ Você precisa ir agora? -Perguntou sem jeito.

_Não necessariamente, você precisa de minha ajuda por aqui?

_Na verdade preciso. Pedro tem consulta com o ortopedista hoje, acho que terá alta finalmente!

_É verdade! –Verônica arregalou os olhos levando uma das mãos á cabeça num gesto de esquecimento. –Desculpe Lena, havia me esquecido completamente.

_Você não tem obrigação de lembrar filha, eu o levaria mas enquanto não terminarem as obras do novo poço artesiano não posso sair daqui, pensei que você pudesse ir com ele.

_Claro que vou, aproveito a viagem para comprar o que preciso. A que horas é a consulta, as 14:00hs?

_Sim o mesmo horário de sempre.

_Fique tranquila, eu o levarei.

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Ambos saíram do consultório comemorando, Pedro teve alta médica, continuaria com a fisioterapia até retomar por completo os movimentos.

No caminho de volta após Verônica ter comprado suas coisas, parados em um dos poucos semáforos que havia na pequena cidade, ela notou Pedro olhando fixamente para uma loja de motos que ficava na avenida principal.

_São lindas não? – Ela comentou.

_Sou apaixonado por estas máquinas! -Ele comentou com brilho nos olhos.

_Pensei que fosse apaixonado por cavalos? –Brincou

_Também! Estas não deixam de ser cavalos ...de aço! – Ele observou rindo pra ela.

Neste momento Verônica pensou: “Mas como é bonito e sorrindo fica mais belo ainda.” -Pedro a tirou de seus pensamentos.

_Quer conhecer um lugar?

_Um lugar? Posso saber que lugar?

_É um parque.  Eu costumava brincar quando vínhamos passear nos finais de semana com meus pais. Quero te mostrar uma coisa. -Pedro explicou aguardando a resposta.

_Vamos, quero conhecer este parque que foi tão importante para você! Respondeu sorrindo pra ele.

Pedro comemorou e orientou Verônica sobre o caminho que deveria fazer....

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domingo, 7 de maio de 2017

Verônica 20ª parte

Verônica despertou lentamente. 
Ao voltar do quarto de Nelson, tomou um banho e deitou-se, ela queria esquecer pelo menos um pouco tudo que ouvira. 
O sinal de aviso de mensagem recebida do aplicativo soou, ela pegou o celular e espantou-se com a hora, já passava das 18:30hs, não se preocupou muito, ela estava precisando desta pausa depois deste longo dia.
Visualizou uma mensagem de Pedro:
“_Oi, está tudo bem? Estou preocupado com você quando puder dê notícias!”
_Nossa, se Nelson não falou com Lena ainda, ela também deve estar preocupada. –Ela sussurrou baixinho enquanto caminhou até o guarda roupas, pegou uma calça jeans, uma camiseta e um tênis, vestiu-se e saiu.
A porta do quarto de Nelson estava fechada, imaginou que ele tivesse também caído no sono.
Desceu rapidamente as escadas e viu a mesa posta na sala de jantar com apenas um prato que repousava sobre a mesa e um par de talheres. 
Imediatamente pensou: "Com certeza Nelson falou com Lena e disse-lhe que ela não iria mais fazer as refeições com ele." Por um instante ficou triste, ela disse à ele que iria embora no dia seguinte e não hoje. Respirou fundo e foi a cozinha encontrar Lena.

_Boa noite! – Verônica entrou cumprimentando Lena e aos funcionários presentes.

_Verônica! Fui ao seu quarto para conversar com você, mas dormia tão tranquilamente que resolvi deixar. Venha, vamos até o escritório onde poderemos conversar! – Disse Lena pegando gentilmente em seu braço.

_Nelson conversou com você Lena? Falou tudo que conversamos? –Os olhos dela estavam mais inchados do que de costume e agora sentia a lágrima cair bem quente.

_Falou sim minha querida. Ahh minha filha, como eu queria que nada disso tivesse acontecido. – Lena demonstrava estar profundamente chateada.
 _Verônica, eu quero que você saiba que mesmo eu tendo conhecimento de toda a história, eu não poderia ser desleal aos meus patrões contando o que eu sabia à você. Eu prometi à eles quando tudo aconteceu que guardaria pra mim, que jamais revelaria a ninguém. -Dizendo isso Lena baixou a cabeça sem encarar Verônica, estava visivelmente triste e abatida com tudo isso.

_Não se preocupe Lena, sei bem separar as coisas. Você não tem nada que se desculpar. Era Nelson, e só ele que poderia me revelar tudo, a vida é dele. E... mesmo tento sido bem dolorido ouvir tudo aquilo, foi melhor assim. -Ela disse à Lena esboçando um sorriso forçado no canto da boca.

_Depois que você saiu do quarto, Nelson veio até mim e contou-me tudo. -Lena levantou-se e caminhou até a estante onde pegou um envelope e estendendo à Verônica explicou: _Ele pediu que entregasse isso à você.

Verônica olhou para Lena enquanto pegava o envelope de suas mãos e perguntou apreensiva:

_Mas... porque? Onde ele está? Porque não me falou ao invés de escrever?

_Ele disse que explica tudo ai, eu v
ou sair para que fique a vontade. -Lena anunciou.

_Não, fique por favor Lena. -  E abrindo o envelope leu o que Nelson havia escrito em voz alta.

“Verônica estou voltando à São Paulo para cuidar de tudo.

Vou procurar nosso advogado para que ele de entrada os papéis do divórcio, de forma justa faremos a partilha dos nossos bens.
Será melhor para nós dois que fiquemos um tempo longe um do outro e coloquemos as ideias no lugar. Pretendo voltar assim que tudo estiver resolvido, por enquanto, manteremos contado por telefone caso precise falar comigo.
Deixei o carro para que você use se precisar. 
Peço, por favor, que continue na fazenda, afinal de contas ela também é sua. Lena te quer muito bem e você poderá ajudá-la enquanto Pedro ainda está convalescente.

Nelson”

Fechando a carta, Verônica comentou:

_Nem sei o que dizer! Nem parece o Nelson dos últimos 15 anos, parece uma outra pessoa.

_ Minha querida, este é o meu Nelsinho, o que ajudei a criar, o que você conheceu e...se apaixonou.
-Lena sorriu para ela pegando suas mãos-  _Sei que não tenho direito de pedir isso Verônica, você sofreu muito todos estes anos e sem saber o porque... mas, se puder perdoá-lo! Ele também uma vítima de toda esta história, do preconceito e dos tabus que o pai jogou sobre ele. -Verônica ouvia tudo calada. _ O Sr. Nelson foi cruel com o filho, nunca mais o abraçou ou falou uma palavra de carinho para o menino, ele tem um sério problema de rejeição.

Verônica alisava o envelope em sua mão e respondeu:

_Isso é claro pra mim agora Lena! Vou dizer a você o que disse a ele, quem sou eu para perdoar? Também não vou julgá-lo, quero que ele seja feliz, assuma seu verdadeiro desejo e viva plenamente. Dizer à você que vou esquecer? Não, eu não vou esquecer nunca. 
Mas preciso dar este perdão porque quero ter o direito de ser feliz, de refazer minha vida e quero que ele refaça a dele. E se eu não trabalhar este perdão, não vou conseguir isso. Me entende?

_Eu entendo você, tem toda razão - O celular de Lena cortou a conversa. Depois de atender ela explicou: 
_É Pedro! Está perguntando de você... e dizendo que está com fome. -As duas deram risada ao imaginar a cara que Pedro fazia quando estava com fome, ele ficava bravo e mal-humorado.

_Vou pedir que sirvam o seu jantar, enquanto isso levo o dele -Lena avisou, mas Verônica sugeriu outra coisa:

_O que acha de pedir que preparem comida para nós dois, eu jantaria com Pedro, enquanto conversamos. Você se opõe? -Perguntou.

_De forma nenhuma, farei isso, Pedro vai ficar feliz em jantar com você! -Lena sorriu antes de sair para dar ordens na cozinha e Verônica ficou com seus pensamentos.
 Pensou no prato solitário sobre a mesa se comoveu ao saber que era pra dela. Se enganou achando que Nelson a estava colocando para fora da fazenda. E resmungou para si mesma com voz baixa:

_Como eu me enganei. Impressionante c
omo as coisas mudam tão rapidamente! Tiramos conclusões precipitadas apenas pelo que veem nossos olhos. Verônica, Verônica, prepare-se, uma nova vida vai começar....

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Verônica 19ª parte

Tentando se acalmar depois de tantas revelações Verônica respirou fundo, precisava manter a lucidez e a calma, caso contrário voaria pra cima dele. Ficou quieta enquanto ele se servia de mais uma dose de Whisky antes de responder ao seu último comentário.

_Você não sabe o que está falando, eu não usei você! -Ele tentou se defender antes de dar o ultimo gole.

_Nelson, pelo menos uma vez na vida seja honesto consigo mesmo, você me usou sim! Ou se esqueceu das reuniões com ”nossos” amigos. Das provocações que me faziam ficar me mordendo de ciúmes das mulheres que se aproximavam de você insinuantes, e você correspondia as investidas delas sem se preocupar com meus sentimentos?

_ Era apenas uma forma de me sentir vivo, eu precisava me sentir igual aos outros homens. A sociedade exigia isso de mim!

_Que coisa mais triste ouvir isso Nelson, “precisava me sentir igual aos outros homens”. O que é isso ninguém é igual, as pessoas são diferentes, cada um tem opções, religiões e gostos diferentes. Todos nós temos a  liberdade de ser o que e como somos.

_Nunca imaginei que você pensasse assim! -Ele observou.

_Você nunca me ouviu, sequer me notava ou dava importância ao que falava. Em todos estes anos, você nem percebeu que eu fui sua melhor amiga Nelson. -Ela enxugou discretamente a lágrima que caiu.

_Eu tentei Verônica, no início achei que poderíamos ser felizes como um casal normal! Tudo mudou quando você falou em ter filhos.


_Agora entendo sua recusa em ser pai! Você não tinha o direito de me impedir de ser mãe, mesmo que não fosse com você. Deveria ter me liberado, se separado de mim, de repente eu teria a chance de encontrar alguém que dividisse o mesmo desejo que eu.  -Ela tentava a todo custo entender tudo aquilo.

_Naquele momento eu soube que não queria mais continuar com o nosso casamento. Então comecei a ser este Nelson que você aprendeu a sentir “nojo”. Era na verdade a minha intenção, tentar fazer você ter raiva de mim e não querer mais continuar, eu precisava que você pedisse o divórcio.

_Que horror Nelson, tanto sofrimento para fazer eu me afastar de você! Não queria se sentir culpado pela separação? É isso não é? -Ela afirmou com aparente decepção.

Nelson não conseguia encará-la,  estava visivelmente envergonhado, parecia até outra pessoa, frágil com um gritante medo em seu olhar. Na verdade, Verônica entendeu que este a sua frente era o Nelson que ela havia conhecido e por quem havia se apaixonado, um homem gentil, alegre, divertido!

_Você tem noção do que fez com as nossas vidas Nelson? -Ele permaneceu calado.

_Você está me ouvindo? – Ele balançou a cabeça afirmativamente e ela continuou- _Olha pra você, olhe pra mim, olhe o que fez com nossas vidas?!

Nelson começou a chorar feito uma criança, com certeza o efeito do álcool havia chegado a depressão depois da euforia inicial.

_Voltando ao início da nossa conversa, me responde uma coisa? Ela perguntou.

_Sim! -Ele respondeu estendendo as mãos num gesto de rendição.

_Porque tem tanta raiva de Pedro, aconteceu alguma coisa entre vocês que não tenha me contado? –Ela precisava saber o porque de Pedro despertar tanta raiva em Nelson.

_Eu tinha raiva dele, hoje não é tanto assim. Ele sempre se mostrou muito forte e corajoso, tomava conta da fazenda com a Lena melhor que meu pai, domava cavalos, ao contrário de mim que nunca me dediquei a tudo isso. Eu judiava dele e tripudiava, as vezes humilhava por ele ser filho da “empregada”, imagina se Lena soubesse disso?- Ele balançou a cabeça como desaprovação de si mesmo.- _Pedro jamais contou a ninguém nem a Lena, se tivesse contado possivelmente eles não estariam até hoje aqui na fazenda. Nunca deu um deslize, não revelou meu segredo ou usou isso para me humilhar, como eu fazia com ele. Ele embargou a voz, parecia-lhe ficar mais difícil falar.
_ Além do mais, depois de tudo que aconteceu, meu pai passou a me ignorar e fazia questão de pegar Pedro no colo e dizer  que ele era o filho que ele queria ter, que ele seria um homem de verdade e não um ...”maricas” como muitos que ele conhecia.-Nelson começou a chorar mesmo assim continuou- Papai fazia questão de fazer isso na minha frente e de quem quer que estivesse perto. -Ele passou as mãos nos olhos para enxugar as lágrimas e continuou-  _É claro que só fazia isso na frente de gente daqui de casa. Ele jamais aceitaria que esse segredo saísse aqui de Laguna.
-Nelson chorava toda mágoa, tristeza e arrependimentos de todos estes anos, Verônica o vendo naquele estado lastimável, aproximou-se.

_Chore Nelson, chore mesmo, muito, desabafe, depois raciocine, reflita e se perdoe. Comece uma nova vida a partir de hoje, comece por ser você mesmo, se aceite. Não importando a ninguém o que você é ou deixa de ser. Viva como você quiser viver. –Ele a ouvia atento e ao mesmo tempo incrédulo em ouvir tudo isso dela. Ele tinha acabado com os sonhos, as ilusões e desejos daquela mulher, e ainda assim, ela se dispunha a ajudá-lo, incentivando a erguer a cabeça e recomeçar. Realmente ela era uma grande mulher.

_Bom Nelson, eu nada mais tenho a fazer aqui, vou arrumar minhas coisas e vou voltar pra casa, procurar um advogado e cuidar do nosso divórcio.

Ela encaminhava-se para a porta quando ele a chamou:

_Verônica!

Ela parou e virou-se para ele antes de abrir a porta sem nada dizer.

_Você nunca vai me perdoar não é mesmo?

_Quem sou eu pra perdoar? Não vou negar que eu jamais vou esquecer o que fez comigo, tudo que passamos, e quanto tempo me fez perder tentando ressuscitar nosso casamento. Mas perdoar, este é trabalho divino. Quanto a sentir raiva de você? Sabe bem que infelizmente não sei o que este sentimento significa. -Ele ouvia atento, mas cabisbaixo sem conseguir encará-la de frente.-
_Também não vou te julgar! Só não peça agora que eu o abrace e chore dizendo eu o desculpo porque não sou tão evoluída a tal ponto. Preciso também refletir, me levantar novamente, acordar deste pesadelo. E se me permite , aconselho que vá pedir desculpas a Lena e a Pedro pelo soco que deu na cara dele. Ele só estava me agradecendo por estes meses em que cuidei dele,  eu retribui sua gentileza com um beijo em seu rosto. A maldade estava em você!

Dizendo isso ela saiu do quarto deixando Nelson se desmanchando em choro e mergulhado em arrependimentos. ...

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Verônica 18ª parte

Recompondo-se um pouco depois desta revelação, Verônica agora queria saber sobre o pai dela, e a acusação de Nelson sobre tê-la vendido a ele.

_E onde entra o que você me falou na casa de Lena? Como meu pai me... vendeu pra você? –Ela segurava o choro, mas as lágrimas insistiam em rolar por sua face.

Nelson sentou-se novamente na beira da cama e continuou a falar.

_Depois deste acontecido, meu pai afastou-se da fazenda do Jaguar e do amigo, não comentou nada com Ernesto. Simplesmente me mandou para São Paulo, uma forma de me manter longe de Ernestinho. Mas mesmo assim nós continuamos a nos ver, ele viajava todos os meses para ficarmos juntos e quando meu pai descobriu, ele procurou o seu pai Verônica. Você sabe que eles estudaram e trabalharam juntos quando jovens!

Cabisbaixa tentando puxar na memoria os acontecimentos, Verônica se lembrou do dia em que conheceu o Sr. Nelson e pouco tempo depois lhe apresentaram Nelson.

_ Sim, eu sei!- Ela respondeu esperando que ele continuasse a contar.-

_Meu pai sabia que seu pai estava endividado e precisando de dinheiro. Lembrou-se de que ele falava muito de você, do quanto era bonita, da boa educação que tinha e do sonho de se casar. Foi então que ele confidenciou todo o acontecido a seu pai e propôs que se nós nos casássemos, eu teria uma esposa e ele quitaria todas as dívidas de seu pai.

_E meu pai aceitou isso? – Ela estava triste e desapontada.

_Não Verônica, seu pai não foi tão crápula assim. Ele disse ao meu pai que iriam nos apresentar um ao outro, e se você não mostrasse nenhum interesse por mim, não iria obrigá-la a nada. Mas caso você ao me conhecer demonstrasse um interesse espontâneo ele concordaria. Caso contrário ele continuaria com as dívidas, mas não faria a filha casar obrigada com quem não amasse, ainda mais por dinheiro.

_Me lembro bem do dia em que te conheci, fui eu mesma que falei para ele marcar um jantar, para que pudéssemos nos conhecer melhor, conversar mais. Eu havia gostado de você no dia em que nos conhecemos, agora começo a entender. Meu pai insistia se era mesmo o que eu queria, se eu tinha certeza de que o amava mesmo. Então...ele não me vendeu como disse!!! Querendo ou não eu amei você desde o primeiro dia em que te conheci. Amei até....

_Até ...??? –Ele quis saber quando o amor dela havia acabado.

_Até você começar a me usar Nelson. Você transformou, com seu comportamento meu amor em... em nojo, raiva, tristeza. –Ironicamente ele a olhava como quem não soubesse do que ela falava. - você sabe do que estou falando, pare de olhar assim.

_Você sente raiva de mim? Ele perguntou

_Agora? Não, agora sinto pena!

_Porque Pena? Perguntou ressabiado.

_Pena Nelson, porque você foi e é infeliz, porque fez com que minha vida se tornasse um inferno, uma tortura. Você me conhece, se tivesse me falado eu entenderia, você sabe disso, não precisaria ter me submetido a tanto sofrimento com suas manias. E quem sabe hoje estaria vivendo com alguém que realmente amasse! 

Verônica disse com uma firmeza que nunca havia tido com ele. 
...

Verônica 17ª parte

Acomodada na poltrona que Nelson lhe indicara, aguardava apreensiva.

Eu vou resumir, mas, você vai entender tudo. – Disse sentando-se na beira da cama de frente para ela. 

_ Quando eu tinha quinze anos costumava ir com meu pai a fazenda do Jaguar. A fazenda do Sr. Ernesto, eles eram muito amigos! Um dia houve um leilão de gado na fazenda vizinha e fomos todos pra lá. Inclusive o Pedro, na época ele tinha uns cinco anos, era bem menino.

Verônica franziu a testa. Porque Pedro estava nesta história? Mesmo assim continuou a ouvir sem interrompê-lo como ele havia pedido a ela.

_Ao terminar o leilão voltamos todos para a fazenda do Jaguar, nossos pais ficaram dentro da casa conversando. Ernestinho, eu e Pedro, saímos e fomos para o Jardim. Lá havia um ateliê, um local onde Ernestinho costumava pintar suas telas.

Ele deu tintas e pinceis para Pedro e incentivou-o a pintar a tela a sua frente. O menino se empolgou é claro. E  era o que Ernestinho queria. Então,  me convidou para ir ao estábulo ver os novos cavalos que o pai havia comprado. E assim fizemos! Deixamos Pedro lá, distraído com tintas e pinceis.

Nelson respirou fundo, pegou um copo e serviu-se de uma dose de whisky puro, tomou de uma vez só. Verônica aguardava calada até que ele retoma-se a conversa.

_Um tempo depois meu pai foi nos procurar, encontrou Pedro sozinho no ateliê, perguntou por nós e o menino disse que estávamos no estábulo. - Nelson calou-se, olhava fixamente para a janela, voltou caminhando devagar em direção a porta numa tentativa de encontrar coragem para continuar.

_Meu pai... e...– Ele estava inquieto, passou a mão pelos cabelos, caminhou até a janela novamente e segundos depois virou-se para ela e disparou – Meu pai e o Pedro foram no estábulo e viram a mim e Ernesto juntos. – Ele calou-se, os minutos pareceram eternos. Ela rompeu o silêncio:

_Seu pai e Pedro viram você e Ernesto.... ? Disse ela aguardando resposta.

_ Você está se fazendo de desentendida Verônica! -Ele se exaltou- Quer que eu fale com todas as letras? Meu pai e Pedro... viram a mim e a Ernesto em uma situação muito íntima, quer que eu continue? Ou já entendeu?

Verônica sentiu a cor faltar-lhe do rosto.

_Você quer dizer...você quer dizer que...você e Ernesto... Seu pai e Pedro os viram fazendo sexo? -Perguntou ela com receio da reação dele.

_Sim, Verônica! –Esta revelação causou um turbilhão de emoções nela e em Nelson que passando as duas mãos no rosto retomou a calma - _ Sim, eles viram. Em casa meu pai me deu a maior surra que levei na vida e Pedro viu tudo e ficou calado. Nunca tocou no assunto comigo. Até hoje tenho vergonha e... raiva dele.  Depois de me ver nesta... situação íntima com Ernestinho, ainda me viu apanhar, me viu chorar e ser enxotado da minha casa. Até hoje tenho raiva do olhar de pena que ele lançou sobre mim... e do olhar de orgulho que meu pai colocava sobre ele.

Verônica estava atordoada, mesmo assim tomou forças ainda haviam coisas que ela desejava e iria saber. 


Verônica - 16 Parte

Lena sentou-se ao lado de Pedro com a expressão preocupada:

_Você está bem filho?

_Estou mãe. Minha preocupação agora é com Verônica!

Lena respirou fundo e perguntou:

_Pedro...você e ela...você sabe...

_Claro que não mãe, Verônica não é assim. Agora você vai ficar com a mesma paranoia do louco do Nelson!!? – Pedro se exaltou.

_É que você me parece...preocupado demais.

_Mãe, ficamos dois meses e meio convivendo juntos, ela me ajudou, ficamos amigos. Caramba!Me surpreende, você a conhece melhor que eu, vir insinuar estas coisas. Nelson está desequilibrado mãe. Este soco na minha boca não foi por hoje.

_Eu sei, imagino que seja o soco que ele queria ter dado em você a muitos anos atrás. Pelos comentários do Sr. Nelson, pai dele. - Agora Lena havia entendido bem o que pedro lhe disse,

Pedro olhou pra mãe e levantou a sobrancelha num gesto positivo ao seu comentário.

_Bom, vou pra lá, tenho coisas a organizar para o almoço e assim fico por perto enquanto aqueles dois conversam.

_Mãe, me mantem informado das coisas lá.

_Está certo, vou pedir para o Zé das botas ficar por perto, caso você precise de alguma coisa ele pode te ajudar e qualquer coisa me ligue. - Ela levantou o celular e saiu deixando Pedro com seus pensamentos!

......

Nelson subiu as escadas, entrou em seu quarto deixando a porta aberta para Verônica.

Ela subiu devagar, uma mistura de medo e ansiedade a invadiram. Queria saber o que o marido tinha a revelar sobre o comentário que fizera sobre o pai dela lhe dava um frio na barriga.

Viu a porta do quarto aberta e entendeu o recado do marido. Entrou e viu  
Nelson que olhava pela janela.
_Oi! -Ela disse, uma forma de avisar que estava lá. 

Nelson virou-se para ela e indicou a poltrona para que ela se sentasse. agora ela saberia os segredos que Nelson guardava. 


_Eu acho que você pode ir direto ao assunto, vamos acabar logo com este tormento!

_Claro, sem rodeios!- Ele concordou secamente-  _Vamos lá eu também não aguento mais a vida que estou levando.Verônica!...
 O que vou contar não é fácil pra mim. Não me interrompa, depois você pergunta e fala o que quiser. Tá bom? -Nelson avisou, ela sentiu que muitas coisas iriam se esclarecer, E que o rumo de sua vida iria mudar definitivamente!
......



...