quarta-feira, 3 de maio de 2017

Verônica 19ª parte

Tentando se acalmar depois de tantas revelações Verônica respirou fundo, precisava manter a lucidez e a calma, caso contrário voaria pra cima dele. Ficou quieta enquanto ele se servia de mais uma dose de Whisky antes de responder ao seu último comentário.

_Você não sabe o que está falando, eu não usei você! -Ele tentou se defender antes de dar o ultimo gole.

_Nelson, pelo menos uma vez na vida seja honesto consigo mesmo, você me usou sim! Ou se esqueceu das reuniões com ”nossos” amigos. Das provocações que me faziam ficar me mordendo de ciúmes das mulheres que se aproximavam de você insinuantes, e você correspondia as investidas delas sem se preocupar com meus sentimentos?

_ Era apenas uma forma de me sentir vivo, eu precisava me sentir igual aos outros homens. A sociedade exigia isso de mim!

_Que coisa mais triste ouvir isso Nelson, “precisava me sentir igual aos outros homens”. O que é isso ninguém é igual, as pessoas são diferentes, cada um tem opções, religiões e gostos diferentes. Todos nós temos a  liberdade de ser o que e como somos.

_Nunca imaginei que você pensasse assim! -Ele observou.

_Você nunca me ouviu, sequer me notava ou dava importância ao que falava. Em todos estes anos, você nem percebeu que eu fui sua melhor amiga Nelson. -Ela enxugou discretamente a lágrima que caiu.

_Eu tentei Verônica, no início achei que poderíamos ser felizes como um casal normal! Tudo mudou quando você falou em ter filhos.


_Agora entendo sua recusa em ser pai! Você não tinha o direito de me impedir de ser mãe, mesmo que não fosse com você. Deveria ter me liberado, se separado de mim, de repente eu teria a chance de encontrar alguém que dividisse o mesmo desejo que eu.  -Ela tentava a todo custo entender tudo aquilo.

_Naquele momento eu soube que não queria mais continuar com o nosso casamento. Então comecei a ser este Nelson que você aprendeu a sentir “nojo”. Era na verdade a minha intenção, tentar fazer você ter raiva de mim e não querer mais continuar, eu precisava que você pedisse o divórcio.

_Que horror Nelson, tanto sofrimento para fazer eu me afastar de você! Não queria se sentir culpado pela separação? É isso não é? -Ela afirmou com aparente decepção.

Nelson não conseguia encará-la,  estava visivelmente envergonhado, parecia até outra pessoa, frágil com um gritante medo em seu olhar. Na verdade, Verônica entendeu que este a sua frente era o Nelson que ela havia conhecido e por quem havia se apaixonado, um homem gentil, alegre, divertido!

_Você tem noção do que fez com as nossas vidas Nelson? -Ele permaneceu calado.

_Você está me ouvindo? – Ele balançou a cabeça afirmativamente e ela continuou- _Olha pra você, olhe pra mim, olhe o que fez com nossas vidas?!

Nelson começou a chorar feito uma criança, com certeza o efeito do álcool havia chegado a depressão depois da euforia inicial.

_Voltando ao início da nossa conversa, me responde uma coisa? Ela perguntou.

_Sim! -Ele respondeu estendendo as mãos num gesto de rendição.

_Porque tem tanta raiva de Pedro, aconteceu alguma coisa entre vocês que não tenha me contado? –Ela precisava saber o porque de Pedro despertar tanta raiva em Nelson.

_Eu tinha raiva dele, hoje não é tanto assim. Ele sempre se mostrou muito forte e corajoso, tomava conta da fazenda com a Lena melhor que meu pai, domava cavalos, ao contrário de mim que nunca me dediquei a tudo isso. Eu judiava dele e tripudiava, as vezes humilhava por ele ser filho da “empregada”, imagina se Lena soubesse disso?- Ele balançou a cabeça como desaprovação de si mesmo.- _Pedro jamais contou a ninguém nem a Lena, se tivesse contado possivelmente eles não estariam até hoje aqui na fazenda. Nunca deu um deslize, não revelou meu segredo ou usou isso para me humilhar, como eu fazia com ele. Ele embargou a voz, parecia-lhe ficar mais difícil falar.
_ Além do mais, depois de tudo que aconteceu, meu pai passou a me ignorar e fazia questão de pegar Pedro no colo e dizer  que ele era o filho que ele queria ter, que ele seria um homem de verdade e não um ...”maricas” como muitos que ele conhecia.-Nelson começou a chorar mesmo assim continuou- Papai fazia questão de fazer isso na minha frente e de quem quer que estivesse perto. -Ele passou as mãos nos olhos para enxugar as lágrimas e continuou-  _É claro que só fazia isso na frente de gente daqui de casa. Ele jamais aceitaria que esse segredo saísse aqui de Laguna.
-Nelson chorava toda mágoa, tristeza e arrependimentos de todos estes anos, Verônica o vendo naquele estado lastimável, aproximou-se.

_Chore Nelson, chore mesmo, muito, desabafe, depois raciocine, reflita e se perdoe. Comece uma nova vida a partir de hoje, comece por ser você mesmo, se aceite. Não importando a ninguém o que você é ou deixa de ser. Viva como você quiser viver. –Ele a ouvia atento e ao mesmo tempo incrédulo em ouvir tudo isso dela. Ele tinha acabado com os sonhos, as ilusões e desejos daquela mulher, e ainda assim, ela se dispunha a ajudá-lo, incentivando a erguer a cabeça e recomeçar. Realmente ela era uma grande mulher.

_Bom Nelson, eu nada mais tenho a fazer aqui, vou arrumar minhas coisas e vou voltar pra casa, procurar um advogado e cuidar do nosso divórcio.

Ela encaminhava-se para a porta quando ele a chamou:

_Verônica!

Ela parou e virou-se para ele antes de abrir a porta sem nada dizer.

_Você nunca vai me perdoar não é mesmo?

_Quem sou eu pra perdoar? Não vou negar que eu jamais vou esquecer o que fez comigo, tudo que passamos, e quanto tempo me fez perder tentando ressuscitar nosso casamento. Mas perdoar, este é trabalho divino. Quanto a sentir raiva de você? Sabe bem que infelizmente não sei o que este sentimento significa. -Ele ouvia atento, mas cabisbaixo sem conseguir encará-la de frente.-
_Também não vou te julgar! Só não peça agora que eu o abrace e chore dizendo eu o desculpo porque não sou tão evoluída a tal ponto. Preciso também refletir, me levantar novamente, acordar deste pesadelo. E se me permite , aconselho que vá pedir desculpas a Lena e a Pedro pelo soco que deu na cara dele. Ele só estava me agradecendo por estes meses em que cuidei dele,  eu retribui sua gentileza com um beijo em seu rosto. A maldade estava em você!

Dizendo isso ela saiu do quarto deixando Nelson se desmanchando em choro e mergulhado em arrependimentos. ...

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Verônica 18ª parte

Recompondo-se um pouco depois desta revelação, Verônica agora queria saber sobre o pai dela, e a acusação de Nelson sobre tê-la vendido a ele.

_E onde entra o que você me falou na casa de Lena? Como meu pai me... vendeu pra você? –Ela segurava o choro, mas as lágrimas insistiam em rolar por sua face.

Nelson sentou-se novamente na beira da cama e continuou a falar.

_Depois deste acontecido, meu pai afastou-se da fazenda do Jaguar e do amigo, não comentou nada com Ernesto. Simplesmente me mandou para São Paulo, uma forma de me manter longe de Ernestinho. Mas mesmo assim nós continuamos a nos ver, ele viajava todos os meses para ficarmos juntos e quando meu pai descobriu, ele procurou o seu pai Verônica. Você sabe que eles estudaram e trabalharam juntos quando jovens!

Cabisbaixa tentando puxar na memoria os acontecimentos, Verônica se lembrou do dia em que conheceu o Sr. Nelson e pouco tempo depois lhe apresentaram Nelson.

_ Sim, eu sei!- Ela respondeu esperando que ele continuasse a contar.-

_Meu pai sabia que seu pai estava endividado e precisando de dinheiro. Lembrou-se de que ele falava muito de você, do quanto era bonita, da boa educação que tinha e do sonho de se casar. Foi então que ele confidenciou todo o acontecido a seu pai e propôs que se nós nos casássemos, eu teria uma esposa e ele quitaria todas as dívidas de seu pai.

_E meu pai aceitou isso? – Ela estava triste e desapontada.

_Não Verônica, seu pai não foi tão crápula assim. Ele disse ao meu pai que iriam nos apresentar um ao outro, e se você não mostrasse nenhum interesse por mim, não iria obrigá-la a nada. Mas caso você ao me conhecer demonstrasse um interesse espontâneo ele concordaria. Caso contrário ele continuaria com as dívidas, mas não faria a filha casar obrigada com quem não amasse, ainda mais por dinheiro.

_Me lembro bem do dia em que te conheci, fui eu mesma que falei para ele marcar um jantar, para que pudéssemos nos conhecer melhor, conversar mais. Eu havia gostado de você no dia em que nos conhecemos, agora começo a entender. Meu pai insistia se era mesmo o que eu queria, se eu tinha certeza de que o amava mesmo. Então...ele não me vendeu como disse!!! Querendo ou não eu amei você desde o primeiro dia em que te conheci. Amei até....

_Até ...??? –Ele quis saber quando o amor dela havia acabado.

_Até você começar a me usar Nelson. Você transformou, com seu comportamento meu amor em... em nojo, raiva, tristeza. –Ironicamente ele a olhava como quem não soubesse do que ela falava. - você sabe do que estou falando, pare de olhar assim.

_Você sente raiva de mim? Ele perguntou

_Agora? Não, agora sinto pena!

_Porque Pena? Perguntou ressabiado.

_Pena Nelson, porque você foi e é infeliz, porque fez com que minha vida se tornasse um inferno, uma tortura. Você me conhece, se tivesse me falado eu entenderia, você sabe disso, não precisaria ter me submetido a tanto sofrimento com suas manias. E quem sabe hoje estaria vivendo com alguém que realmente amasse! 

Verônica disse com uma firmeza que nunca havia tido com ele. 
...

Verônica 17ª parte

Acomodada na poltrona que Nelson lhe indicara, aguardava apreensiva.

Eu vou resumir, mas, você vai entender tudo. – Disse sentando-se na beira da cama de frente para ela. 

_ Quando eu tinha quinze anos costumava ir com meu pai a fazenda do Jaguar. A fazenda do Sr. Ernesto, eles eram muito amigos! Um dia houve um leilão de gado na fazenda vizinha e fomos todos pra lá. Inclusive o Pedro, na época ele tinha uns cinco anos, era bem menino.

Verônica franziu a testa. Porque Pedro estava nesta história? Mesmo assim continuou a ouvir sem interrompê-lo como ele havia pedido a ela.

_Ao terminar o leilão voltamos todos para a fazenda do Jaguar, nossos pais ficaram dentro da casa conversando. Ernestinho, eu e Pedro, saímos e fomos para o Jardim. Lá havia um ateliê, um local onde Ernestinho costumava pintar suas telas.

Ele deu tintas e pinceis para Pedro e incentivou-o a pintar a tela a sua frente. O menino se empolgou é claro. E  era o que Ernestinho queria. Então,  me convidou para ir ao estábulo ver os novos cavalos que o pai havia comprado. E assim fizemos! Deixamos Pedro lá, distraído com tintas e pinceis.

Nelson respirou fundo, pegou um copo e serviu-se de uma dose de whisky puro, tomou de uma vez só. Verônica aguardava calada até que ele retoma-se a conversa.

_Um tempo depois meu pai foi nos procurar, encontrou Pedro sozinho no ateliê, perguntou por nós e o menino disse que estávamos no estábulo. - Nelson calou-se, olhava fixamente para a janela, voltou caminhando devagar em direção a porta numa tentativa de encontrar coragem para continuar.

_Meu pai... e...– Ele estava inquieto, passou a mão pelos cabelos, caminhou até a janela novamente e segundos depois virou-se para ela e disparou – Meu pai e o Pedro foram no estábulo e viram a mim e Ernesto juntos. – Ele calou-se, os minutos pareceram eternos. Ela rompeu o silêncio:

_Seu pai e Pedro viram você e Ernesto.... ? Disse ela aguardando resposta.

_ Você está se fazendo de desentendida Verônica! -Ele se exaltou- Quer que eu fale com todas as letras? Meu pai e Pedro... viram a mim e a Ernesto em uma situação muito íntima, quer que eu continue? Ou já entendeu?

Verônica sentiu a cor faltar-lhe do rosto.

_Você quer dizer...você quer dizer que...você e Ernesto... Seu pai e Pedro os viram fazendo sexo? -Perguntou ela com receio da reação dele.

_Sim, Verônica! –Esta revelação causou um turbilhão de emoções nela e em Nelson que passando as duas mãos no rosto retomou a calma - _ Sim, eles viram. Em casa meu pai me deu a maior surra que levei na vida e Pedro viu tudo e ficou calado. Nunca tocou no assunto comigo. Até hoje tenho vergonha e... raiva dele.  Depois de me ver nesta... situação íntima com Ernestinho, ainda me viu apanhar, me viu chorar e ser enxotado da minha casa. Até hoje tenho raiva do olhar de pena que ele lançou sobre mim... e do olhar de orgulho que meu pai colocava sobre ele.

Verônica estava atordoada, mesmo assim tomou forças ainda haviam coisas que ela desejava e iria saber. 


Verônica - 16 Parte

Lena sentou-se ao lado de Pedro com a expressão preocupada:

_Você está bem filho?

_Estou mãe. Minha preocupação agora é com Verônica!

Lena respirou fundo e perguntou:

_Pedro...você e ela...você sabe...

_Claro que não mãe, Verônica não é assim. Agora você vai ficar com a mesma paranoia do louco do Nelson!!? – Pedro se exaltou.

_É que você me parece...preocupado demais.

_Mãe, ficamos dois meses e meio convivendo juntos, ela me ajudou, ficamos amigos. Caramba!Me surpreende, você a conhece melhor que eu, vir insinuar estas coisas. Nelson está desequilibrado mãe. Este soco na minha boca não foi por hoje.

_Eu sei, imagino que seja o soco que ele queria ter dado em você a muitos anos atrás. Pelos comentários do Sr. Nelson, pai dele. - Agora Lena havia entendido bem o que pedro lhe disse,

Pedro olhou pra mãe e levantou a sobrancelha num gesto positivo ao seu comentário.

_Bom, vou pra lá, tenho coisas a organizar para o almoço e assim fico por perto enquanto aqueles dois conversam.

_Mãe, me mantem informado das coisas lá.

_Está certo, vou pedir para o Zé das botas ficar por perto, caso você precise de alguma coisa ele pode te ajudar e qualquer coisa me ligue. - Ela levantou o celular e saiu deixando Pedro com seus pensamentos!

......

Nelson subiu as escadas, entrou em seu quarto deixando a porta aberta para Verônica.

Ela subiu devagar, uma mistura de medo e ansiedade a invadiram. Queria saber o que o marido tinha a revelar sobre o comentário que fizera sobre o pai dela lhe dava um frio na barriga.

Viu a porta do quarto aberta e entendeu o recado do marido. Entrou e viu  
Nelson que olhava pela janela.
_Oi! -Ela disse, uma forma de avisar que estava lá. 

Nelson virou-se para ela e indicou a poltrona para que ela se sentasse. agora ela saberia os segredos que Nelson guardava. 


_Eu acho que você pode ir direto ao assunto, vamos acabar logo com este tormento!

_Claro, sem rodeios!- Ele concordou secamente-  _Vamos lá eu também não aguento mais a vida que estou levando.Verônica!...
 O que vou contar não é fácil pra mim. Não me interrompa, depois você pergunta e fala o que quiser. Tá bom? -Nelson avisou, ela sentiu que muitas coisas iriam se esclarecer, E que o rumo de sua vida iria mudar definitivamente!
......



...

sábado, 29 de abril de 2017

Verônica - 15ª Parte

_ É isso mesmo que você ouviu! Casei com você porque fui obrigado por meu pai. –Nelson repetiu quase aos gritos.

Neste momento Lena abriu a porta assustada, trazia nas mãos as roupas de Pedro que verônica havia deixado sobre o aparador no corredor.

_Mas o que está acontecendo aqui? Podem ouvir os berros a quilômetros de distância! -Lena não acreditava no que via, o filho apenas de toalha com a boca sangrando, Verônica com o rosto marcado e Nelson com fisionomia alterada e o rosto muito vermelho a ponto de explodir. Aproximou-se do filho e baixou para ver o ferimento.

_O que foi isso Pedro? Tome! Vista a roupa e nos encontre na sala  - Virando-se para Nelson e Verônica os chamou:

_Vocês dois venham comigo. -Já na sala Lena encarou o casal:

_Mas o que houve com vocês? Perderam o Juízo?- Lena falou severamente.

_Lena, foi um mal entendido. Nelson chegou e achou que eu e Pedro estávamos em um momento íntimo e perdeu a cabeça.

_A culpa agora é minha? Eu entro no quarto e pego aos beijos com ele e você diz que eu é que perdi a cabeça, você não...  -Ele foi interrompido por Lena.

_ Nelson, eu sou sua funcionária, apenas uma empregada da casa. E.... embora eu esteja aqui a mais tempo do que já vivi fora deste lugar, sou apenas uma empregada. Conheço você desde pequeno, e não poucas vezes o chamei de filho, o tratei como filho e o tenho verdadeiramente como a um filho.

_Lena! -Nelson tentou falar, mas lena ergueu a mão em sinal de espera para que continuasse ouvindo.

_Continuando! Eu nunca pedi que você e Pedro se amassem como irmãos, mas que se respeitassem! E infelizmente hoje pelo que vi, acabou este respeito, se é que ele chegou a existir um dia.

_Lena, espere... - Nelson tentou novamente interrompê-la .

_Nelson, aprenda a ouvir, Por favor, acalme-se! E se não for pedir demais, não grite!

Nelson baixou a cabeça em respeito aquela que sempre viu como mãe.

Lena estava muito séria e apreensiva, não havia gostado nada de ver o filho envolvido entre os conflitos do casal. Notou Pedro vindo em direção á sala, fez menção de ir ajudar, mas ele a impediu com um gesto. Com os braços cruzados, aguardou observando o filho ajeitar-se no sofá.

_Agora eu quero saber o que está acontecendo. Estou profundamente triste pela cena que encontrei aqui. Triste e decepcionada. Tentem me explicar o que foi isso tudo!

Verônica foi a primeira a se manifestar, contou sua versão, em seguida Pedro e por último Nelson.


Mas ao contrario do que Lena pensava, Nelson insistia em jogar culpas na esposa e continuou com as agressões verbais a Verônica. E foi ai, que novamente a conversa tomou um rumo que não havia mais como voltar atrás. Enquanto Nelson soltava toda sua ira sobre a pobre Verônica. Lena e Pedro observavam calados e prontos para interceder caso ele tentasse agredi-la fisicamente.

_Seu pai não prestava, nunca prestou! -Nelson gritava

_Como você fala uma coisa destas, você nunca gostou do meu pai, e ele nem mais está neste plano! -Respondeu ela.

_Ele vendeu você pra mim Verônica.

Um silêncio tomou conta do ambiente, Lena fez sinal para que Pedro saísse, mas, ele não obedeceu e aproximando-se de Nelson buscou oferecer um pouco de lucidez a ele.

_Nelson, coloque a cabeça no lugar, cuidado com as palavras! -Lena alertou, ela sabia de toda história e não queria que isso tivesse que ser revelado assim, ali na sua casa, era uma coisa que Nelson teria que contar para a esposa.

_Não Lena! – Falou Verônica - _ Deixe que ele fale! Ele precisa ter coragem de revelar coisas da minha vida! E ao que me parece, nem eu mesma sei! Mas não aqui Lena, não na sua casa. - Olhou para o marido e disse:  _Vamos pra casa, lá conversamos!

Nelson entendeu o recado e saiu feito um leão da casa de Lena seguindo em direção a casa grande.
Aproximando-se de Lena Verônica envergonhada e contendo a emoção do choro falou:

_Lena, muito obrigada pela ajuda. Pedro, perdão por isso tudo. Cuide-se! Acho que hoje vou me libertar de muitas coisas. Depois conversaremos! 

Dizendo isso com um sorriso triste Verônica se retirou da casa de Lena, indo em direção a casa grande onde Nelson já estava quase chegando...

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Verônica 14ª Parte

Pedro abriu a porta do banheiro e uma nuvem de fumaça saiu antes dele.Devagar se esforçava para sair com o apoio do andador, tinha a toalha presa à cintura e os cabelos despenteados.Verônica foi até ele a fim de ajudá-lo.

_Obrigada Verônica! Estou me sentindo novo. Não imagina quanta falta senti desta água abençoada caindo em minha cabeça. - Disse ele com o semblante sereno.

_ Faço ideia! Não foi fácil tudo que você passou nestes meses. Agora a única coisa que precisa fazer é se dedicar as sessões de fisioterapia, e logo estará cavalgando por ai. -Verônica falava com ele enquanto caminhavam calmamente até a poltrona ao lado do sofá onde o ajudou a sentar. _Vou pegar suas roupas.

Pedro a segurou pela mão.

_ Espere! -Ele pegou a mão dela e levou a boca dando um beijo.Verônica ficou sem ação, aquela atitude dele a pegou de surpresa. _ Não tenho como agradecer tudo que fez por mim nestes longos dias Verônica! Muito, mas muito obrigado mesmo! -Ele falou demonstrando grande emoção, ela podia sentir a gratidão que ele tentava expressar olhando em seus olhos.

_O que é isso Pedro, não precisa agradecer. Você é que não tem ideia de como me fez bem.  Ficar com você, me fez aprender muita coisa e na medida do possível nos divertimos muito! -Ela se curvou e deu um beijo carinhoso em seu rosto. E neste instante  Nelson entrou subitamente no quarto.

_Ora, ora! Que cena mais linda. Vejo que atrapalhei os pombinhos. A sua voz irritante e sua ironia faziam o coração de Verônica fervilhar.

_Não é o que você está imaginando Nelson! - Ela explicou- _ Pedro estava me agradecendo por...

_Agradecendo é? Pedro estava agradecendo? Você pensa que sou idiota Verônica? Vi você beijando ele. -Nelson foi agressivo com as palavras e Pedro intercedeu:

_Nelson, é verdade eu só estava agradecendo, Verônica me retribuiu o agradecimento com um beijo no rosto.

_Cala a boca Pedro, está levantando a crista agora? Isto é entre mim e ela. - Nelson disse apontando o dedo  para a esposa e caminhando devagar em sua direção.  pegou o rosto de Verônica e apertou com força usando uma das mãos.

_Você é uma vadia mesmo, assume agora que eu te solto.

Nelson a estava machucando, Pedro notou que isso parecia dar-lhe prazer, então, agarrou-lhe o braço com força numa forma de impedi-lo a continuar. Nelson o olhou incrédulo. 

_O que você quer? Que eu aceite este casinho de vocês e fique quieto?

_Solte Verônica esta machucando ela, não vê? Não há caso nenhum Nelson, você é doente, precisa se tratar.
Nelson soltou o rosto de Verônica empurrando-a e abaixou-se para ficar cara a cara com Pedro e disse aos berros:

_O que foi hã? Está bravo porque? Ela é minha esposa!

Pedro estava se contendo com os punhos serrados respondeu entre os dentes.

_Você é um canalha Nelson! 

Nelson fechou a cara e deu um soco no rosto de Pedro. Verônica correu sobre ele socando seu peito, gritava chorando em fúria:

_Covarde, você é um grande covarde Nelson, como pode fazer isso?

Nelson segurou suas mãos mantendo-a imóvel  _Ahhhh, agora entendi. Você está apaixonada por ele? 

_Pare com isso, você está delirando? É uma covardia agredir alguém que não pode se defender a altura. 

Verônica se aproximou de Pedro observando o corte na boca sangrando.

_ Suma daqui Nelson, vou cuidar do ferimento e depois vou pra casa pra conversarmos. 

_Não, você vai agora, comigo! E pegando-a brutalmente pelo braço começou a arrastá-la para a porta. 

_ Me solta, Nelson me solta. Vou cuidar do ferimento dele. - fingindo não ouvi-la  ele apertava mais ainda seu braço. Então ela começou a gritar com fúria:

_Seu idiota, pare de me atormentar. Me deixe viver livre da sua doença, eu te odeio, te odeio!
Nelson a soltou, assombrado com a atitude anormal dela,  ficou a ouvindo falar, ela sempre havia sido submissa, pacata e jamais falara nada que o ofendesse. 

_ Você  nunca me amou. Odiava meu pai, não sei onde eu estava com a cabeça todos estes anos para te aturar, e a seus caprichos. Me esquece, esquece que eu existo... – Dizendo isso colocou-se a chorar copiosamente.

_ Quer que eu responda? Casei com você porque fui obrigado! -Ele gritou

Verônica arregalou os olhos já marejados de lágrimas. Pedro engoliu seco, enquanto limpava o sangue da boca na toalha, pensava em uma forma de defender Verônica, conhecendo o temperamento de Nelson, sabia que ele não iria parar, ele iria até o fim e depois iria pra cima dela. Ele precisaria fazer alguma coisa pra defendê-la.... 




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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Verônica - 13ª parte

Enfim chegou o dia de Pedro retirar o gesso, depois de quase dois meses e meio na cama, ele poderia agora ficar de pé com ajuda do um andador. Embora as notícias do médico tenham sido muito positivas, ele sabia que teria muita fisioterapia pela frente e precisava ter muita paciência para aos poucos retomar a vida normal.

O carro parou em frente a casa de Lena, ela e Verônica ajudaram Pedro a descer do carro enquanto Nelson levou o carro para a frente da casa grande.

_Cuidado Pedro! Vá devagar, você está há meses sem colocar os pés no chão, tem que ir aos poucos menino. Vá com calma! -Bronqueou Lena.

_Tá bom mãe! Pode deixar que eu me viro!

Lena ficou olhando com desaprovação a pressa de Pedro, Verônica percebendo acalmou-a.

_Não se preocupe Lena, deixe comigo, eu o ajudo a se ajeitar!  E com uma piscada virou-se para abrir a porta da casa para que ele entrasse. Lena concordou e dirigiu-se para a casa grande.

Pedro entrou e sentou-se no sofá, olhou para Verônica e observou:

_ Agora é preciso fazer com que este quarto volte ao normal, não aguentava mais esta “internação domiciliar”. Disse isso e fechando os olhos apoiou a cabeça no encosto do sofá.

_Amanhã peço para que venham retirar a cama. Não haverá mais necessidade dela.

Mas hoje você ainda terá que dormir nela, a não ser que durma na casa grande.
Agora... se não me engano, eu sei exatamente o que vai fazer! -Verônica sorriu-lhe com cumplicidade, sabia exatamente cada pensamento de Pedro, cada desejo e já conhecia cada traço de seu rosto.

Deu-se conta de que o conhecia muito melhor do que ao seu marido, voltou de seu devaneio com a voz de Pedro.

_Se pensou que vou tomar uma banho, acertou! Verônica, vou tomar um banho daqueles que nunca viu igual. Depois de dois meses com este...banho de leito, m
ereço um belo e demorado banho!!! - Ele fez uma cara de nojo e voltou a sorrir.

_Merece sim Pedro. Vou pregar toalhas limpas e a cadeira de banho.

_Cadeira de banho? Pra que?

_Ora, você ainda não consegue tomar banho em pé sem apoio Pedro!

_Posso sim, claro que posso. Não quero cadeira nenhuma! Tenho o andador, me apoio nele.

_Ah é? Então está bem! E como vai lavar a cabeça? Os pés? Quero só ver! Pedro entenda, você não tem firmeza suficiente nas pernas ainda! Quer se arriscar mais?

_Não quero cadeira de banho Verônica.

_ Mas que homem teimoso! Vai usar a cadeira sim, ou você quer que eu de banho em você? – No mesmo instante ela percebeu que havia falado sem pensar, ficou sem graça pois sabia o que iria ouvir.

_Não seria má ideia! Respondeu-lhe Pedro lançando um olhar que a fez ficar com o rosto rubro.

_Pedro, Pedro! –Ela tentou disfarçar com um riso sem graça, mas ele percebeu que mexeu com ela, ficou observando enquanto ela pegava a cadeira e as toalhas e levava para o banheiro. – Pronto! Toalhas, sabonete, e a "cadeira" - Enfatizou.

 _ Agora vá tomar banho e tirar este cheiro de gesso. Ficarei aqui, se precisar é só chamar.

Pedro levantou-se devagar segurando no andador e dirigiu-se ao banheiro. Antes de fechar a porta sorriu maliciosamente para ela, fazendo com a cabeça um gesto para que ela entrasse com ele.

Verônica, fingindo ficar brava o fez gargalhar da cara dela antes de fechar a porta. Ela gritou:

_Não tranque a porta! Se precisar grite, vou ficar aqui!

Ela fechou os olhos e respirou fundo. Estava há tanto tempo ao lado dele, todos os dias, o dia inteiro. Seria difícil não ter mais que ficar em sua companhia. Sentiu-se triste e ao mesmo tempo se repreendeu:
_ Pare com isso Verônica, agora Pedro esta bem e andando, é isso que importa!-Sussurrou para si mesma. Sorriu sozinha, ela estava era feliz agora ele estava bem.

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