Ao atravessar para o outro lado passando
por dentro da aeronave, Áurea viu Rebeca comissária chefe, e Jaime o
copiloto, ambos estavam feridos levemente. Júlio ajudava os passageiros
que estavam nos assentos traseiros do avião com a ajuda de outros passageiros
que estavam levemente feridos.
_Rebeca, Jaime, como vocês estão? -Perguntou Áurea aos amigos- E os outros
tripulantes, não os encontraram?
_Rebeca, olhou para Áurea e disse
em desespero:
_O piloto Galvão, está preso na
cabine, Jaime disse que deve ter
quebrado o pescoço...está morto. As outras comissárias estavam no meio da
aeronave na hora do impacto, devem estar enterradas embaixo da fuselagem! -
Rebeca disse isso e despencou em um choro compulsivo.
_Áurea a abraçou e disse-lhe baixinho:
_Calma Rebeca, tudo vai ficar bem. - Rebeca tinha apenas
três anos de profissão, era muito bonita, esperta, uma pessoa muito preocupada com aparência física, embora já tivesse mais de
vinte cinco anos era infantil, e sempre deixará claro que queria o sucesso a
qualquer preço. Áurea não a julgava, nem dava ouvidos aos mexericos que se ouvia nos corredores. Apesar de não concordar com sua forma de viver e pensar, a respeitava como colega de profissão. Já alguns companheiros de profissão não a suportavam
achavam-na fútil e vazia. Agora, nada disso importava, todos
eram iguais e estavam na mesma situação. Vendo assim sua chefe, Áurea percebia que Rebeca parecia mais uma
criança assustada do que a chefe das comissárias. Ela precisaria tomar a frente.
_Tente ficar calma Rebeca,
precisamos ajudar os passageiros, são eles que precisam de nós agora!
Levantando-se Áurea dirigiu-se a Jaime.
_ Jaime, como está se sentindo?
_Estou atordoado e com muita
dor no braço! –Jaime respondeu enquanto travava os dentes de dor. Ela olhou o
braço dele sem tocar, e constatou:
_Está quebrado Jaime,
está muito inchado, é uma fratura exposta. Vou fazer uma tipóia, temos um médico aqui, assim que o
livrarmos do peso que prende suas pernas, nos ajudará muito. - Ela pegou entre os destroços um travesseiro, arrancou fios das mascaras respiratórias, improvisando uma tipóia com cuidado.
- _ Pronto! Pelo menos vai impedir movimentos até que possamos ver isso com mais calma. O rádio, está funcionando Jaime?
_Não sei, ainda estou fora de
mim! Precisamos ver todos os sobreviventes, separá-los dos ...corpos. Ajeitá-los
em local seguro para passarmos a noite antes que escureça. –Disse Jaime.
_Sim, faremos isso. -Respondeu Áurea- Mas antes
preciso de ajuda para levantar a asa que está prendendo o médico. depois vou ver se o rádio está funcionando, Áurea levantou e disse em voz alta:
_Temos um passageiro preso do
outro lado, preciso que me ajudem a levantar a asa para libertar suas pernas
que estão presas sob ela. Quem pode ajudar?
Júlio e mais três passageiros acompanharam
Áurea. Ao erguerem a asa viram que as pernas de Alberto não haviam sido
quebradas, pois, foram protegidas pelos corpos de duas pessoas, uma delas sua amiga Tânia comissária
e um passageiro. Ambos estavam mortos, chorando Áurea e Júlio viraram os corpos
e puxaram para longe da aeronave, Alberto moveu as pernas normalmente, e
levantou-se sentindo apenas um formigamento pelo tempo que esteve imóvel.
_Júlio, pode ver se o rádio está funcionando? Jaime está com uma fratura exposta no braço, não viu isso antes de sair da cabine!Ela pediu ao colega enquanto ambos se faziam de fortes e enxugavam as lágrimas com as mãos sujas de terra e sangue!
_Sim vou ver isso. Se Deus quiser conseguiremos algum contato para pedir ajuda. - Virou-se para Áurea novamente e disse:
_O que faremos com os corpos?
_ Vou falar com Jaime e Rebeca,mas... teremos que enterrá-los!
Sem palavras e com muita tristeza no olhar, Júlio virou-se e seguiu para a aeronave, rezando para conseguir chegar ao rádio e fazê-lo funcionar!