quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Recados do tempo

Recados do tempo

Uma comissária de bordo apaixonada por seu trabalho,  Áurea, que significa aquela que é  feita ou coberta de ouro,  é uma pessoa comum, uma mulher independente, solteira, não é perfeita apenas diferente. Admirada por vários colegas de trabalho, odiada por outros, ela mudará a visão que muitos tinham dela.
A queda da aeronave, vai reunir alguns colegas de trabalho e sobreviventes do desastre aéreo com pensamentos, comportamentos e estórias de vida diferentes. 
Áurea terá que colocar em prática a sua fé e determinação em ajudar as pessoas não somente fisicamente mas principalmente despertará em cada um questionamentos de seus comportamentos anteriores, cada um deles vai descobrir que o tempo enviou seus recados e tentou entregar, mas eles não perceberam. Definitivamente nenhum deles saíra igual desta experiência.

Em breve postarei o quarto capítulo. 
Gratidão

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Recados do Tempo - III Capítulo

Ao atravessar para o outro lado passando por dentro da aeronave, Áurea viu Rebeca comissária chefe, e Jaime o copiloto, ambos estavam feridos levemente.  Júlio ajudava os passageiros que estavam nos assentos traseiros do avião com a ajuda de outros passageiros que estavam levemente feridos.  
_Rebeca, Jaime, como vocês estão? -Perguntou Áurea aos amigos- E os outros tripulantes, não os encontraram?
_Rebeca, olhou para Áurea e disse em desespero:
_O piloto Galvão, está preso na cabine, Jaime disse  que deve ter quebrado o pescoço...está morto. As outras comissárias estavam no meio da aeronave na hora do impacto, devem estar enterradas embaixo da fuselagem! - Rebeca disse isso e despencou em um choro compulsivo.
_Áurea a abraçou e disse-lhe baixinho:
_Calma Rebeca,  tudo vai ficar bem. - Rebeca tinha apenas três anos de profissão, era muito bonita, esperta, uma pessoa muito preocupada com  aparência física, embora já tivesse mais de vinte cinco anos era infantil, e sempre deixará claro que queria o sucesso a qualquer preço. Áurea não a julgava, nem dava ouvidos aos mexericos que se ouvia nos corredores. Apesar de não concordar com sua forma de viver e pensar, a respeitava como colega de profissão. Já alguns companheiros de profissão não a suportavam achavam-na fútil e vazia.  Agora, nada disso importava, todos eram iguais e estavam na mesma situação. Vendo assim sua chefe, Áurea percebia que Rebeca parecia mais uma criança assustada do que a chefe das comissárias. Ela precisaria tomar a frente.
_Tente ficar calma Rebeca, precisamos ajudar os passageiros, são eles que precisam de nós agora!
Levantando-se  Áurea dirigiu-se a Jaime.
 _ Jaime, como está se sentindo?
_Estou atordoado e com muita dor no braço! –Jaime respondeu enquanto travava os dentes de dor. Ela olhou o braço dele sem tocar, e constatou:
_Está quebrado Jaime, está muito inchado, é uma fratura exposta. Vou fazer uma tipóia, temos um médico aqui, assim que o livrarmos do peso que prende suas pernas, nos ajudará muito.  - Ela pegou entre os destroços um travesseiro, arrancou fios das mascaras respiratórias, improvisando uma tipóia com cuidado. - _ Pronto! Pelo menos vai impedir movimentos até que possamos ver isso com mais calma. O rádio, está funcionando Jaime? 
_Não sei, ainda estou fora de mim! Precisamos ver todos os sobreviventes, separá-los dos ...corpos. Ajeitá-los em local seguro para passarmos a noite antes que escureça. –Disse Jaime.
_Sim, faremos isso. -Respondeu Áurea-  Mas antes preciso de ajuda para levantar a asa que está prendendo o médico. depois vou ver se o rádio está funcionando, Áurea levantou e disse em voz alta:
_Temos um passageiro preso do outro lado, preciso que me ajudem a levantar a asa para libertar suas pernas que estão presas sob ela. Quem pode ajudar?
Júlio e mais três passageiros acompanharam Áurea. Ao erguerem a asa viram que as pernas de Alberto não haviam sido quebradas, pois, foram protegidas pelos corpos de duas pessoas, uma delas sua amiga Tânia comissária e um passageiro. Ambos estavam mortos, chorando Áurea e Júlio viraram os corpos e puxaram para longe da aeronave, Alberto moveu as pernas normalmente, e levantou-se sentindo apenas um formigamento pelo tempo que esteve imóvel.
_Júlio, pode ver se o rádio está funcionando? Jaime está com uma fratura exposta no braço, não viu isso antes de sair da cabine!Ela pediu ao colega enquanto ambos se faziam de fortes e enxugavam as lágrimas com as mãos sujas de terra e sangue!
_Sim vou ver isso. Se Deus quiser conseguiremos algum contato para pedir ajuda. - Virou-se para Áurea novamente e disse:
_O que faremos com os corpos? 
_ Vou falar com Jaime e Rebeca,mas... teremos que enterrá-los! 
Sem palavras e com muita tristeza no olhar, Júlio virou-se e seguiu para a aeronave, rezando para conseguir chegar ao rádio e fazê-lo funcionar!

  




Recados do Tempo Capítulo II

Ao chegarem do lado de fora da aeronave, que se havia partido ao meio, o caos estava instalado.
Áurea levou as mãos ao rosto e chorou, um grito a fez voltar a  realidade.
_Alguém me ajude... Aeromoça.. me ajude... minha perna esta presa! -Áurea virou-se e viu entre tantos aquele homem que gritava e sangrava na testa.
_ Júlio, há possibilidades da aeronave explodir?
_Não Aura. O motivo da queda foi falta de combustível. – Júlio a olhou com cumplicidade recebendo de Áurea um apertar de lábios que ele já sabia o que significava.   
_Tudo bem, menos  mal. Na hora certa resolveremos  isso. Agora precisamos encontrar as outras comissárias, o piloto, o copiloto. Também as caixas de primeiros socorros, cobertores, tudo que pudermos tirar da aeronave. Rápido, procure por eles eu vou  ver as pessoas aqui, ver se há alguma capaz de nos ajudar.
_ok Aura.  –Júlio  dirigiu-se ao que restava da aeronave, enquanto Áurea foi até o homem que gritava por sua ajuda.
Com cuidado Áurea passava por pessoas, certificando-se de seu estado,  havia encontrado três que estavam sem vida. Com lágrimas nos olhos seguiu a difícil caminhada por entre destroços, bagagens e pessoas até alcançar o homem.
_Senhor, meu nome é Aura, lembra-se de seu nome? Como se chama?
_Meu nome é Alberto, sou médico. Tateando percebi que o ferimento que tenho na cabeça é superficial, minhas pernas estão presas, não estão quebradas, eu sei que não estão, só estão presas.
_ Alberto, estava viajando sozinho? 
_Sim, estava sozinho, voltando de um Simpósio!
_ Está certo Alberto, espere um momento, vou ver como podemos tirar o peso que prende suas pernas.
Áurea foi até onde estava presa a perna de Alberto, sob parte da asa esquerda. Com esforço tentou levantá-la, mas foi em vão. Voltou-se para ele e avisou:

_Alberto,  vou precisar de ajuda para levantar parte da asa que está sobre suas pernas. Preciso sair um pouco e procurar um dos comissários para nos ajudar está bem? -Ela esforçou-se por um sorriso, com o coração apertado, não poderia deixar que os sobreviventes entrassem em pânico ao perceberem que só haviam ela e Julio da tripulação até o momento...

Recados do tempo Capítulo I

Recados do tempo

Comissária de bordo apaixonada por seu trabalho,
Áurea, que significa aquela que é  feita ou coberta
de ouro; é uma pessoa comum, uma mulher 
independente, solteira, não é perfeita apenas 
diferente. 
Admirada por vários colegas de trabalho, odiada
por outros, ela mudará a visão que muitos tinham
dela.
A queda da aeronave, vai reunir alguns colegas
de trabalho e sobreviventes do desastre aéreo
com pensamentos, comportamentos e estórias
de vida diferentes. 
Áurea terá que colocar em prática a sua fé e
determinação em ajudar as pessoas não somente
fisicamente mas principalmente despertará em
cada um questionamentos de seus 
comportamentos anteriores. Cada um deles vai 
descobrir que o tempo enviou seus recados e 
tentou entregar, mas eles não perceberam. 
Definitivamente nenhum deles saíra igual desta
experiência.



Recados do Tempo 
I Capítulo

“Uma vida sem desafios, não vale a pena  ser vivida!” Platão

Áurea lembrou-se do dia em que anunciou aos pais qual carreira iria seguir, diante da recusa da mãe que desesperada tentava fazê-la mudar de ideia dizendo quase aos prantos:
 _Como pode querer uma profissão tão perigosa, incerta e desregrada como esta Áurea?  Não... não, por favor, filha. Você quer acabar comigo? - Desfazendo-se em lágrimas a mãe frágil e submissa buscou apoio nos braços do marido pai de Áurea.
_Mãe o que é isso? Não adianta chorar mãe, é o que eu quero!  Já está decidido e não volto atrás, vou ser comissária de bordo! É uma profissão como qualquer outra  os riscos de um avião cair são menores do que uma colisão de veículos você sabia?   -Áurea não se deixou levar pelas lágrimas da mãe, olhou para o pai que nada dissera até agora, apenas ouvirá e acalentava a esposa. Áurea estava  esperando seu parecer. Olhando para a filha com carinho peculiar, disse calmamente:
_Filha, como dizia Platão: “ Uma vida sem desafios, não vale a pena ser vivida!”  Vá em frente, de o melhor de si, e seja  a melhor no que faz. Estamos do seu lado! Não é querida?  – perguntou  o pai apertando o ombro da esposa levemente. Contrariada, a mãe concordou, enxugando as lágrimas do rosto. 
Era comissária há dez anos, nunca houvera ocorrências graves nos voos que fez, apenas coisas corriqueiras, turbulências, passageiros que exageravam na bebida, alguns pousos de emergência, sustos, mas nada que a fizesse perder o amor e a devoção pelo seu trabalho.
Áurea começou a despertar e a frase que o pai lhe dissera ecoava em sua mente:
 “ Uma vida sem desafios, não vale a pena ser vivida!” 
_ Socorro!... -Ouvia ao longe um grande vozerio, várias pessoas falando, outras gritando e chorando  ao mesmo tempo.
_Por favor, minha perna está presa!
_Minha filha? Cadê minha filha?
Aos pouco Áurea começou a despertar com um dos comissários dando palmadinhas em seu rosto:
_Aura, Aura acorde! Aura! -(Aura era seu nome de batismo na profissão, era comum ter um nome de trabalho que não fosse o seu nas empresas aéreas).
 Ela ergueu a cabeça, sentindo dores no pescoço,  percebeu que ainda estava presa ao cinto de segurança.
_Júlio?! O que aconteceu??
_Aura...nos caímos. A aeronave caiu! -Disse o jovem comissário tentando manter calma e equilíbrio. -  _Preciso de você, há pessoas presas, feridas.
Foi como um balde de água fria jogado-lhe na cara, ela abriu os olhos rapidamente recuperando a consciência.
_Meu Deus! Júlio me ajude a soltar cinto. Rápido...