Lena sentia faltar-lhe o chão ouvindo o desabafo de Verônica. Mas era Nelson quem deveria falar, mas conhecendo-o como conhecia, ele jamais diria.
_Verônica, sabe que tenho Nelson como um filho e sei que ele não é fácil, é genioso, metódico e foi muito ...mimado! – Lena tinha no rosto o ar de reprovação pela criação dada a Nelson pelos pais.
_Já falou com ele? Perguntou abertamente o que está acontecendo?
_Já perguntei, insisti, ele diz que é besteira minha, coisas que crio em minha cabeça. -Verônica olhou para o relógio no alto da parede do escritório e observou:
_ Olhe a hora, está anoitecendo e nem sinal de Nelson. Será que aconteceu alguma coisa?
_Não, claro que não! Nelsinho conhece este lugar melhor do que eu e Pedro juntos, fique tranquila, daqui apouco estará de volta. Continue, quero saber tudo que esta afligindo você!
_Eu quero saber da juventude de Nelson, a infância, adolescência, tudo. Alguma coisa paira no ar e eu sinto isso, minha vida está rodando em torno dos mandos e desmandos dele, das grosserias e do temperamento instável. –Ela falava tentando conter o choro- _ Eu não mereço isso...ou até mereço, por ser tão idiota, dedicada, carinhosa, sempre me curvando às suas vontades.
Lena olhava para Verônica com um misto de pena e carinho, ouvindo atentamente a mulher a sua frente, pensava como iria começar a falar alguma coisa. Com certeza Verônica iria ficar muito decepcionada com ela por ter guardado um segredo dela por tantos anos.
_Sabe o que é pior Lena? Meu pai sabia de alguma coisa, perguntei à ele várias vezes quando tive oportunidade. Não entendia porque Nelson o odiava tanto? Como sempre ele desconversava, mudava de assunto.
Um silêncio incômodo tomou conta do ambiente. Lena só observava, enquanto Verônica enxugava as lágrimas que insistiam e brotar dos olhos. Naquele momento Lena sentiu-se uma crápula por manter segredo de algo que poderia ter evitado seu casamento com Nelson e quem sabe ela tomasse um outro rumo na vida e fosse mais feliz do que agora. Ao mesmo tempo se perdoava pensando que ela nada poderia fazer naquela época, era somente uma empregada de "Laguna” apenas cumpria ordens!
_E seu pai, nunca lhe falou nada, não deu uma dica do que poderia ser? _Indagou Lena
_Não disse nada Lena, ele morreu levando para o túmulo as respostas que eu pedia. Perguntei também à minha mãe, mas, ela nunca sabia de nada e acredito que não saiba mesmo. Minha mãe é uma mulher muito simples, justa e correta. Ao contrario do meu pai, apesar de amá-lo muito eu sei que ele aprontava, nunca concordei com a forma que ele tinha de pensar e agir e minha mãe sempre o protegeu , ficava do lado dele, ele era tudo pra ela.
_Entendo! Lena respirou fundo. Precisava se preparar, se Nelson não falasse a verdade à Verônica ela contaria a verdade. Não poderia esperar mais. A hora havia chegado... e era agora!
......
Que história legal!!! Agora ansiosa estou aguardando os próximos acontecimentos...
ResponderExcluir