sábado, 21 de janeiro de 2017

Verônica 3ª parte

Verônica levantou a cabeça sobressaltada parecia ter ouvido um estouro, deu-se conta de que pegara no sono.

_Dormi! Quanto tempo será que dormi? Cheguei a sonhar. Que horror Verônica! - Levantou-se repreendendo a si mesma enquanto passava as mãos na roupa para tirar os ciscos que a grama deixou. Pegando as meias e o tênis voltou descalça, uma forma de descarregar a tensão da selva de pedra em que vivia.

Caminhava tranquila sentindo cada passo, ouvindo cada farfalhar de folha. Iria até o estábulo queria ver os cavalos, e com sorte saber se veria algum novo potro nascer enquanto ela estivesse na fazenda.

Sentou-se em um dos bancos antes de entrar nas baias para colocar o calçado.

_Vai cavalgar?_  Estava tão absorta que não percebeu a aproximação de Pedro que vendo seu sobressalto desculpou-se 
 _Perdoe-me se assustei você! 

_Me assustei mesmo Pedro, estava em outra dimensão! Não vou cavalgar, não hoje. Vim apenas ver os cavalos e saber se há alguma égua prenhe. Queria ver um potro nascer. -Ela respondeu sorrindo.

_ Não há nenhuma égua prenhe, a última cria  nasceu há três dias. Quer ver, levo você lá?  

Pedro respondeu tomando o caminho das baias, sendo seguido por Verônica que não pode deixar de notar o homem que caminhava a sua frente.  Ele vestia um macacão jeans com uma das alças soltas, e uma camiseta regata,deixando os braços a mostra.

Pedro era um rapaz bonito, boa postura, falava bem, quando o viu pela última vez era um menino franzino e arredio, não parecia ter só vinte e um anos, parecia ter mais. Apesar de jovem era sério, responsável e muito forte, o trabalho da fazenda desenvolvera e definira muito bem seus músculos. Sabendo que Lena se preocupava muito com educação dos filhos pensou que Pedro deveria estar cursando alguma faculdade da região.

_Você estuda Pedro? Já está cursando a faculdade?

_Sim, estou fazendo faculdade de Veterinária! - Respondeu Pedro voltando o olhar para ela que o seguia, e completou sorrindo - _ Não poderia ser diferente!

_Com toda certeza está na área certa! -Respondeu Verônica retribuindo o sorriso.

Pedro parou diante da baia e deixou espaço para Verônica poder ver a égua e seu potro.

_Olhe! 

_Ah que gracinha, como se chama? Já escolheu o nome? Perguntou curiosa.

_É macho, lhe demos o nome de “Luar”,  estava uma noite estrelada e o luar estava lindo. Então, minha mãe o batizou assim.

_Lena sempre foi boa nisso. ” Luar” é um lindo nome!

_Quer se aproximar dele? Abro a portinhola!

_Não, não! É melhor deixá-lo só com a mãe por enquanto. Veja como olha pra nós e como defende sua cria. Outro dia talvez. Agora vou voltar para casa, faz horas que sai!

_Eu acompanho você!

Caminharam em silêncio até sair do estábulo, então, Verônica perguntou:

_Pedro, conhece bem antes de mim o Nelson, embora eu saiba que você era bem pequeno, como era o comportamento dele quando conviviam juntos?

_Verônica, o Nelson é um enigma pra mim, sempre foi.  Desde pequeno tento entender o comportamento dele. Algumas vezes era bom ser seu amigo, outras vezes, eu o queria bem longe de mim!

_Mas... o que ele fazia? O que ele fazia que deixava você com vontade de vê-lo longe?

_ Se você não se importa hoje não quer falar sobre isso, outro dia qualquer quem sabe. _Pedro falou olhando desconfortável para o chapéu que trazia na mão.

_ Ele tem sido agressivo com você, quero dizer, ele te agrediu fisicamente em algum momento nestes anos todos de casamento? Por quê está me perguntando isso?

_Não, isso nunca, ele sabe que se erguer a mão pra mim, nunca mais vai me ver. O deixo na hora. Perguntei por que ele está com um comportamento agressivo, mudou muito do que era. Apesar de nunca ter sido um homem gentil, agora está insuportavelmente grosso. Muitas vezes as palavras e este comportamento dele ferem mais e são mais doloridos que uma grande surra. Verônica fez um instante de silêncio para não falar mais do que deveria.

Eles pararam em frente a casa grande, ficando de frente um para o outro,

_Chegamos! - Observou Pedro- 

_ Obrigada pela companhia Pedro. Não comente com Nelson que falei com você sobre isso por favor!

 _Verônica! Nelson mal falou comigo desde que chegou. E mesmo que venha falar, ele não tem nada que saber o que conversamos. Enquanto estiver aqui, se desejar vamos conversando e quem sabe conseguimos juntos entender o que acontece com seu marido.

_Claro Pedro, obrigada novamente! 

Desfizeram o ar sério da conversa com o esboço de um sorriso. Verônica entrou na casa e Pedro dirigiu-se novamente as baias, enquanto caminhava pensou:

“Verônica, você deve sofrer muito com ele. Nelson tem um comportamento estranho, sempre teve, não suporta ser contrariado. Mas ainda não é o momento de falar à você o que aconteceu, e o porque de ele ter sido mandado para a cidade grande. Infelizmente teve que ser você a escolhida. Mas ainda falaremos sobre isso, na hora certa falaremos.”

Pedro colocou na cabeça o chapéu, agora era hora de retomar o serviço!
....

Nenhum comentário:

Postar um comentário