Verônica acordou com o galo cantando, abriu lentamente os olhos, pela claridade viu que estava apenas amanhecendo, pegou o celular para ver a hora, ainda não eram seis horas.
Levantou, preparou-se para fazer uma caminhada pela fazenda vestindo uma camiseta branca, legging preta, meias brancas e um tênis confortável. Amarrou os longos cabelos em um rabo de cavalo e desceu para tomar o café da manhã que pelo cheiro que invadia a casa já estava pronto.
_Bom diaaa! - Disse Lena que já estava a mesa com o filho Pedro _ Acordou muito cedo, poderia aproveitar para dormir um pouco mais!
_Bom dia Lena, Pedro! Não é preciso, oito horas de sono me são suficientes! Disse com riso nos lábios enquanto se ajeitava na cadeira, sem perceber que estava sendo observada atentamente por Pedro.
_Tome seu café, tem de tudo um pouco, leite, ovos, pão, bolo, geleia....
_Você sempre uma mãezona, obrigada por tanto carinho. -Verônica disse carinhosamente pousando sua mão sobre a mão de Lena, um gesto de gratidão à amiga e confidente dos tempos de namoro com Nelson.
Pedro terminou seu café, pediu licença e retirou-se da mesa, enquanto Lena permaneceu conversando e fazendo companhia à Verônica.
_E você Lena, como estão as coisas? Arrumou um namorado ou continua fiel a memória de seu falecido marido? -Verônica perguntou esperando a resposta de sempre, mas Lena a surpreendeu.
_Você se lembra do Jaime? Administrador da fazenda do lado? Perguntou Lena.
Verônica franziu a testa na tentativa de recordar de quem ela falava, enquanto passava manteiga no pão.
_Ahhhh, lembro-me é claro, aquele homem que sempre vinha aqui buscar o cavalo que "fugia" do pasto dele?
_Isso, é ele mesmo. -Lena encostou pertinho de Verônica a fim de falar algo sem que alguém pudesse ouvir. _Estamos juntos. Já faz uns dois anos, estou gostando dele! Falou rindo timidamente.
_Lenaaa, que notícia maravilhosa. Isso mesmo, você é uma mulher linda, dedicada, você merece o melhor da vida! E...cá pra nós o cavalo nunca fugia, -Verônica gargalhou- _Era ele que espantava o cavalo para cá, só para ver você! -As duas se divertiam relembrando histórias passadas.
_Ele quer casar! Lena sorriu tímida e enquanto falava, agrupava as casquinhas de pão sobre a toalha, como se quisesse organizar suas ideias- _Mas eu não quero não, pelo menos por enquanto!
As duas riram da resposta de Lena.
_Faça o que for a sua vontade Lena, sempre. Ame, faça sexo, é saudável e rejuvenesce... quando é saudável e recíproco. Verônica fechou o riso quando pronunciou as últimas palavras, dando a Lena a oportunidade de perguntar:
_Verônica sabe que nunca fui de me envolver em assuntos dos patrões, mas... ontem o Pedro me disse que você e o Nelsinho não quiseram ficar no mesmo aposento. Está acontecendo alguma coisa minha filha?
Verônica olhou nos olhos de Lena, viu a preocupação da amiga vinte anos mais velha do que ela. Tinha vontade de se abrir, mas não poderia dizer tudo, ela era como mãe de Nelson e verônica havia entrado na família ao se casar com Nelson, Embora soubesse do carinho que Lena tinha, não seria do lado dela que ela ficaria ou que iria apoiar caso houvesse uma separação.Lena ficaria do lado de Nelson. O que seria compreensível.
_Não se preocupe Lena tudo se acerta!
_Verônica, apesar de amar Nelsinho como um filho, sei que ele tem muitos defeitos. Estou com receio que ele tenha herdado os vícios do pai. Você sabe né filha? A bebida, as orgias com mulherada.
_Ele tem bebido muito sim Lena, isso está me deixando muito preocupada e chateada também. Verônica serviu-se de café e serviu também a Lena que agradeceu e retomou a conversa.
_Imagino o que tem passado, lembro-me, que Dona Amélia sofreu feito o cão com o Sr. Nelson, a vi chorar várias vezes, quando ele gritava e saia batendo as tamancas para o... ah você sabe onde! Falou com cara de desaprovação.
_Lena, ele não está agindo como o Sr. Nelson, mas...parece outra pessoa quando bebe. É agressivo com as palavras, está com uns hábitos detestáveis que não consigo entender.
_Hábitos? Que hábitos filha?
_ Você não vai entender Lena, nem eu entendo. Mas vamos resolver Lena, não se preocupe, são coisas de casal. -Verônica disse colocando o guardanapo sobre a mesa- _Deve ser problema da idade! Verônica disse sorrindo para quebrar o teor sério da conversa e encerrar o assunto. Percebeu que Lena ficou aliviada.Levantou-se e perguntou:
_ Vou sair para caminhar aqui pelos arredores... Quer vir junto?
_Não posso filha, tenho que fazer o pedido das vacinas do gado e da ração dos outros animais. Hoje é o dia do encerramento dos pedidos do mês. Me perdoe, prometo ir com você dia destes. quer que eu peça para alguém ir com você?
_Não é necessário Lena vou ficar por perto.
_ Bom passeio aproveite o ar do campo.
_Obrigada Lena! Verônica pensou que Lena não entenderia o que estava acontecendo com Nelson, pois nem mesmo ela entendia.
Desceu as escadas que davam para o jardim e tomou o caminho cercado de palmeiras imperiais, admirando cada detalhe, sentindo o cheiro das plantas, do mato, das flores. O canto dos pássaros trazia-lhe muitas lembranças agradáveis, os bons tempos com o marido ainda quando namoravam, lembrou-se de Dona Amélia, sempre inventando um motivo para ficar de olho neles, e do Sr. Nelson que apesar de ser péssimo marido, era uma pessoa divertida, amável e gentil.
Um bom tempo depois, protegeu-se na sombra de uma árvore tirou o tênis,as meias e deitou-se na grama. Estava em estado de graça, só ela, os pássaros e aquela energia magnífica que aquele lugar lhe provocava.
......
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