sexta-feira, 19 de maio de 2017

Verônica – 25ª e última parte

Pedro arrastou Verônica para a cama sem desgrudar seus lábios dos dela.

A única coisa que passou pela cabeça dela por alguns segundos, foi que aquele Pedro ela nunca imaginou que existia, nunca havia se permitido pensar nele de forma tão intima.

A esta altura mais nada importava a não ser que ela queria ser inteira dele.

.......

Deitada de bruços, Verônica suspirou ao sentir Pedro beijar suas costas até chegar em seu ouvido e sussurrar.

_Você me enfeitiçou!

Ela sorriu e sem abrir os olhos respondeu:

_E você a mim, jamais imaginei que isso pudesse 
acontecer, embora eu confesso que cheguei a desejar!

_A vida é feita de surpresas, são elas tornam a vida melhor não acha!? -Ele sorriu pra ela.

_ Sim, sem dúvida! –Respondeu virando-se para ele cobrindo-se com o lençol. _Você é tudo de bom! Sempre gostei muito de você Pedro, sabe disso. –Ela acariciou o rosto dele dando-lhe um beijo leve na boca.

_Verônica, não sabe a quanto tempo venho controlando meus instintos quando estou perto de você.
Fiquei fascinado por você desde o dia em que vocês chegaram à fazenda. Não imagina quantas vezes disfarcei para ninguém perceber. Só não consegui enganar minha mãe.- Ele gargalhou.

_Lena não pode saber disso Pedro, por favor!- Nitidamente preocupada ela levou as mãos a cabeça _ Meu Deus... Lena não vai aprovar isso, que vergonha,ela vai me odiar.

_Pare com isso Verônica! Tenho trinta anos não sou mais um menino, embora minha mãe queira fingir que ainda sou. Ela não vai falar nada, sei como ela pensa. E tem mais, a vida é minha não dela.

__Não sei. -Ela estava realmente muito preocupada, pensava em como Lena reagiria? E Nelson? Iria provavelmente fazer um escândalo, chamá-la de vadia, e outras coisas mais.

_O que foi? –Perguntou ele vendo-a perdida em pensamentos.

_Tudo parece tão maravilhoso que me assusta um pouco.

_Assusta por quê? Eu jamais brincaria com seus sentimentos.

_Eu sei que não Pedro. Mas... eu sou mais velha que você uns dez anos. Sua mãe não aprovaria e Nelson faria um escândalo.

_Ei... ele estalou os dedos como se querendo fazê-la acordar. _Você não é mais esposa dele, não deve mais satisfações, esqueceu? E como eu disse, minha mãe sabe dos meus sentimentos por você. -Verônica arregalou os olhos incrédula. _ Não precisa olhar assim, porque acha que até agora ela, não veio aqui ou ligou! –Ele deu uma piscada pra ela que pareceu acordar.

_Fiquei tantos anos vivendo sob os desmandos e manias dele, que até esqueci que estou livre daquele bode velho. – Começaram a rir pelo apelido que ela chamou o ex-marido. _ Sabe que gosto mais deste Nelson que do outro? Este pelo menos é feliz.

_Eu adoro quando você sorri – Ele disse puxando seu rosto delicadamente para olhar nos olhos dela e continuou _Verônica! Esqueça esta coisa de idade, esqueça o medo, o que vai ser ou o que vai fazer! Vamos viver isso. Nada nos impede de sermos felizes, curtir a vida juntos.

_O que você viu em mim Pedro? Sou uma mulher tão comum! Não há como esquecer que sou mais velha, tenho marcas, rugas, cicatrizes. Vai conhecer tanta mulher bonita e jovem... 

Ele a interrompeu sendo enfático:

_Eu quero ficar com você Verônica! Não me interessa suas marcas, rugas, cicatrizes, eu quero conhecer cada uma delas. Elas fazem parte de você dos momentos que passou na vida. Eu quero conhecer você por inteira.

_Pedro, eu quero viver isso tudo, mas tenho que ter os pés no chão! Ser racional!

_ Eu vou perguntar uma coisa e você me responde com sinceridade e dependendo da resposta eu não vou mais insistir. Pode ser? -Ele estava falando sério e seu semblante era de um homem bem mais maduro do que aparentava.

_Claro, pergunte o que quiser! –Respondeu ela.

_Você gosta de mim a ponto de deixar de ser racional, amor não é racional é instintivo. Está disposta a correr riscos, assumir um relacionamento comigo? Se você disser que não, deixo você em paz e continuamos amigos! –Ela olhou pensativa, não queria deixar de viver aquele sentimento que fazia tão bem, que a fazia sentir-se livre.

 _Pense direito, porque vou respeitar sua vontade. –Reforçou Pedro.

Alguns instantes de silêncio ela olhou para ele que aguardava sua resposta.

_E então, pode responder?

_Sim Pedro, eu gosto de você a ponto de correr os riscos. Quero viver tudo que pudermos viver juntos. Eu quero amar você o tempo que durar esta nossa louca paixão. Quero ter você todas as vezes que eu desejar eu quero muito me fazer feliz, e o que me faz feliz hoje é estar com você. Que este amor seja infinito enquanto dure.  

Pedro abriu um belo sorriso ao ouvir a resposta.  abraçou-a com força e confirmou:

_Sim, que seja infinito enquanto dure meu anjo!- Ele beijou Verônica com mais paixão do que antes, agora a vida os guiaria e fariam o possível para que este amor fosse sempre intenso, leve e livre!!!


Fim


terça-feira, 16 de maio de 2017

Verônica 24ªParte

Verônica desceu para o café da manhã e encontrou Lena ajeitando a mesa.

_Bom dia Lena. Já tomou café?

_Bom dia menina! Já sim, levanto com as galinhas você sabe! -sorriu sentando-se de frente para verônica. _Pelo que sei está tudo resolvido entre você e Nelsinho, que bom que tudo acabou de forma pacífica não é minha filha?

_Pois é Lena, quem diria quando chegamos aqui, que ao sair minha vida teria outro rumo. –Ela comentou naturalmente, sem tristeza ou amargura, enquanto se servia de um pedaço de bolo.

_E quem somos nós para achar que nossa vida tem rumo certo? Antes de ir embora hoje, Nelson disse que é pra você aguardar o telefonema do doutor aqui, não voltar para São Paulo antes que ele fale com você.

_Ele já foi embora? –Perguntou Verônica.

_Foi sim, logo cedinho.

_Estranho ele pedir que eu fique aqui!

_Ele também me disse que pensa em dividir a fazenda para que metade dela seja sua! Eu quase dei um grito de felicidade. Mais eu controlei sabe. -Lena falou séria como se preocupada com os sentimentos de Nelson.

_Você é muito especial Lena, sabia? – Verônica pegou gentilmente a mão de Lena sentindo-se feliz por ser querida por ela. _ Vou ver Pedro, esta em casa ou nas baias?

_ Quando sai de casa ele estava dormindo, é bom que você vá ver o que ele tá aprontando. Ele não para um minuto Verônica parece criança. Pior é que não me ouve! –Lena falou contrariada.
................
Verônica entrou na casa de Lena, tudo estava em silêncio, pensou que Pedro deveria estar visitando as baias e virou-se para sair quando ouviu um barulho vindo do quarto dele.

_Pedro? – Ela chamou apreensiva.

_Verônica? Entre estou aqui no quarto. -Respondeu.

Ela abriu a porta e lá estava ele, com uma toalha na cintura e outra enxugando os cabelos.

_Pedro! O que aconteceu, que barulho foi este? -Perguntou assustada.

Ele virou pra ela e olhou atrás da porta enquanto explicava:

_Foi a bengala que rolou de cima do guarda roupa! Porque?

_Deixa pra lá. -Ela desconversou. _Você está bem?

Ele abriu os braços em forma de cruz segurando uma das toalhas enquanto a outra continuava presa à cintura.

_O que lhe parece? –Ele perguntou com sorriso maroto, ela ficou uns instantes observando aquele homem caminhando devagar em sua direção.  Respondeu sem pensar:

_Me parece muito bem. Bem...sim, está muito...está muito bem! –Verônica sentia novamente seu corpo tremer ao sentir que ele se aproximava dela não conseguia parar de gaguejar.

_E você gostou de me ver...bem? 

Eles estavam muito próximos, ela podia sentir o calor dele. Seu coração disparou, ela mal conseguia falar direito. Só conseguia sentir seu corpo quase grudado ao dela.

_Adorei...ver você...

Pedro colocou as mãos na parede mantendo Verônica cercada por seus braços. _Verônica... -Ele sussurrou o nome dela. Verônica fechou os olhos num gesto de entrega. Ele puxou-a para junto dele, agarrou seus cabelos e a beijou com paixão.

Os dois se entregaram aquele beijo esquecendo o mundo lá fora. Era um momento só deles.

Ela não o impediu, não queria e não iria resistir a ele...e tão pouco queria sair de seus braços.
...............






Verônica 23ª Parte

Lena esperava ansiosa por eles na porta de entrada.

_Pedrooo... porque demoraram tanto? Eu estava preocupada!

_Desculpe mãe, eu quis levar Verônica para conhecer o Parque Ecológico. Tentei ligar pra você mas seu celular só dava ocupado! -Explicou Pedro.

_Perdoe-nos Lena, devíamos ter ligado logo que saímos do consultório! –Lamentou verônica.

_Tudo bem, com foi a consulta? -Lena perguntou apreensiva.

Pedro e Verônica se olharam com ar de suspense. Ele olhou para a mãe e animado contou as novidades. Lena não cabia em si de tanta felicidade.

__Que notícia maravilhosa meu filho! -Abraçou e beijou várias vezes o filho tamanha alegria.

_Vamos entrar mãe?! Preciso beber alguma coisa, minha boca está seca!

Antes de entrar Lena aproximou-se um pouco mais de Verônica.

_Nelsinho está aqui! Chegou faz uma hora mais ou menos. Estão esperando você no escritório!

_Estão? Nelson está com alguém ai? –Perguntou Verônica com estranheza.

_ É o advogado, sei que o nome é Francisco. Acho que é ele que está cuidando dos papeis da separação de vocês.

_Francisco! -Verônica sabia que não era o advogado deles. _Pensei que ele fosse fazer isso com o nosso advogado. Obrigada Lena, vou falar com eles! _
Ela pensou que talvez Nelson não quisesse misturar assuntos pessoais com comerciais. Verônica desapareceu casa adentro. Pedro e a mãe se dirigiram a cozinha!

_Entre! – Gritou Nelson ao ouvir  as batidas na porta, Verônica entrou.

_Boa tarde!

_Entre Verônica, Lena me disse que foi com Pedro ao médico, e como ele está? –Perguntou Nelson.

_Está bem, já teve alta médica! -Respondeu ela.

_Que bom! –Disse Nelson virando-se em seguida para o homem a sua frente. _Verônica, este é o Dr. Francisco, ele fez todo o processo de divórcio! -Verônica cumprimentou o advogado e sentou-se na cadeira ao lado dele. Francisco era um homem jovem, tinha os traços do rosto delicados, era magro. Não tinha uma beleza estonteante e se vestia com elegância, estava com uma expressão muito séria, talvez pela causa que o levará até ali.
.......

Após um bom tempo de conversa, já a par de todo o processo e de como as coisas seriam feitas, Nelson perguntou:

_Alguma dúvida Verônica? Você concorda com a divisão de bens? Se quiser acrescentar ou mudar alguma coisa ainda há tempo.

_Não Nelson. Para mim está perfeito assim. E agora? ...

_Eu entrarei em contato com você assim que tudo estiver acertado -Explicou Dr. Francisco.  _Hoje em dia é muito mais fácil. No caso de vocês  há outros procedimentos a serem feitos porque deve ser feita a divisão dos bens. Vocês se casaram com comunhão total de bens. 

_Entendi, muito obrigada Dr. Ficarei aguardando seu contato. Agora se me dão licença, tenho algumas coisas á fazer antes do jantar. -Disse ela levantando-se.

_Fique a vontade Verônica eu e o Fran... eu e o Dr. Francisco vamos dar uma volta pela fazenda antes do jantar.

Verônica inclinou a cabeça afirmativamente. Teve certeza neste momento que Nelson já havia dado um rumo à vida dele. Se ela o conhecia bem, Nelson e Francisco tinham muito mais do que uma relação entre cliente e profissional. Sorriu internamente, isso não era mais da conta dela. Agora, desejava apenas que o ex
-marido fosse feliz e ela também iria ser.

.....

sábado, 13 de maio de 2017

Verônica 22ª parte

O parque era muito bem cuidado, arborizado, Pedro falou que também haviam algumas espécies de pássaros em viveiros e animais em jaulas como um pequeno zoológico.

_Que lugar lindo Pedro, não sabia que existia um lugar assim aqui! -Observou verônica encantada enquanto caminhavam.


_É muito bonito sim, bem cuidado e ótimo para relaxar. -Todas as manhãs há grupos de meditação, Yoga, ginastica. Eu costumava vir sempre aqui nas férias da faculdade para fazer uma caminhada, sair um pouco da fazenda sabe!

_Que legal isso. E é a prefeitura que mantem? -Perguntou Verônica

_Sim. Mesmo porque há uma escola municipal infantil aqui dentro. Daqui a pouco cruzamos com algum grupo, é sempre assim durante a semana.

_É maravilhoso! - Verônica parou e apoiou os braços na grade de proteção as margens de um grande lago. -Pedro parou para observar ao lado dela. _Olhe aqueles macacos, que graça! Deve ser um casal. Ela apontou se deliciando ao ver os dois animais rolando na grama que ficava no reservado de terra bem no meio do lago.

_Sim é um casal, são divertidos e muito espertos. Vamos andando? Ainda há muitos animais e aves para ver.

_Vamos, não me deixe ficar tão empolgada em cada lugar que eu parar Pedro. Vamos chegar em casa de madrugada se não me chamar. -Ela sorriu divertida seguindo ao lado dele o passeio.
...........

Já a caminho do carro, Verônica comentou:

_Obrigada Pedro, amei conhecer este lugar. Fico feliz por dividir comigo suas recordações e histórias de infância. Obrigada mesmo!

Os dois estavam parados ao lado da porta quando Pedro virou-se pra ela:

_Que bom que você gostou, este é um lugar muito especial pra mim. Só tenho na memória bons momentos, boas recordações e agora mais um momento especial pra mim... estar com você aqui. 

Pedro chegou bem próximo, ela sentiu seu rosto esquentar e seu coração acelerar de tal maneira que pensou que ele podia ouvi-lo. Sua respiração estava ofegante, não conseguiria disfarçar se continuassem mais um minuto parados um de frente para o outro. De repente ela os tirou naquele momento mágico.

_Vamos Pedro, sua mãe deve estar se perguntando onde fomos parar!

_Verdade! Dona Lena deve estar de cabelo em pé. –Ele sorriu com o canto da boca se dirigindo ao lado do passageiro.

Na volta Pedro explicava algumas coisas sobre o parque que acabaram de visitar, mas Verônica estava absorta em seus pensamentos:

“Verônica o que você fez? Porque fugiu? Esta era a  oportunidade de dizer a ele o que está sentindo. Agora quando será que haverá uma nova oportunidade para ficar tão próxima a ele, bem feito sua boba...”  -Pedro interrompeu seus pensamentos críticos.

_Verônica! Está tudo bem? -Pedro perguntou preocupado com seu silêncio.

_Ahh desculpe Pedro, tudo bem sim. Meu pensamento estava tão longe. -Respondeu sem graça. 


_É, eu percebi. - Ele disse novamente sorrindo com o canto da boca, Verônica adorava quando ele sorria assim e isso a deixou mais furiosa ainda consigo mesma. 
Parou o carro de frente a casa grande entregando a chave para que Zé das Botas o levasse para a garagem.
Ela e Pedro seguiram juntos para falar com Lena.
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terça-feira, 9 de maio de 2017

Verônica 21ª parte

Quase um mês havia se passado desde que Nelson fora embora da fazenda, não haviam mais se falado. As vezes em que ele ligava era para falar com Lena sobre assuntos da fazenda.

Pedro havia sido liberado de toda medicação, já não precisava do andador e conseguia se locomover sozinho, embora ainda precisasse ter cuidado e seguir a risca as sessões de fisioterapia. Nada mais o impedia de ir a faculdade e fazer algumas atividades leves na fazenda, só faltava ter alta médica para que tudo começasse a voltar ao normal.

Deitada em seu quarto lendo um livro, devaneou pensando que todo este tempo em que esteve sem Nelson por perto, ela estava melhor, mais leve. Embora se sentisse livre, ela e Pedro não tiveram nada de mais a não ser boas conversas. Pensou no que sentia e deu-se conta de que se sentia mais atraída por ele a cada dia! Não havia aparecido uma oportunidade que levasse ambos a terem um tipo de conversa mais intima. Porém ela sabia que Pedro a olhava diferente, insinuava-se discretamente, aquele jeito dele olhar tirava-lhe do prumo. 

Ela balançou a cabeça numa tentativa de espantar os pensamentos e caminhou até a janela, viu Pedro com o fisioterapeuta na piscina. Lembrou-se que precisava comprar algumas coisas, pegou a chaves do carro e a bolsa, foi até o escritório avisar Lena.

_Lena vou a cidade comprar alguns produtos de higiene pessoal, quer alguma coisa?

_Não verônica obrigada. –Lena respondeu um pouco pensativa. _ Você precisa ir agora? -Perguntou sem jeito.

_Não necessariamente, você precisa de minha ajuda por aqui?

_Na verdade preciso. Pedro tem consulta com o ortopedista hoje, acho que terá alta finalmente!

_É verdade! –Verônica arregalou os olhos levando uma das mãos á cabeça num gesto de esquecimento. –Desculpe Lena, havia me esquecido completamente.

_Você não tem obrigação de lembrar filha, eu o levaria mas enquanto não terminarem as obras do novo poço artesiano não posso sair daqui, pensei que você pudesse ir com ele.

_Claro que vou, aproveito a viagem para comprar o que preciso. A que horas é a consulta, as 14:00hs?

_Sim o mesmo horário de sempre.

_Fique tranquila, eu o levarei.

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Ambos saíram do consultório comemorando, Pedro teve alta médica, continuaria com a fisioterapia até retomar por completo os movimentos.

No caminho de volta após Verônica ter comprado suas coisas, parados em um dos poucos semáforos que havia na pequena cidade, ela notou Pedro olhando fixamente para uma loja de motos que ficava na avenida principal.

_São lindas não? – Ela comentou.

_Sou apaixonado por estas máquinas! -Ele comentou com brilho nos olhos.

_Pensei que fosse apaixonado por cavalos? –Brincou

_Também! Estas não deixam de ser cavalos ...de aço! – Ele observou rindo pra ela.

Neste momento Verônica pensou: “Mas como é bonito e sorrindo fica mais belo ainda.” -Pedro a tirou de seus pensamentos.

_Quer conhecer um lugar?

_Um lugar? Posso saber que lugar?

_É um parque.  Eu costumava brincar quando vínhamos passear nos finais de semana com meus pais. Quero te mostrar uma coisa. -Pedro explicou aguardando a resposta.

_Vamos, quero conhecer este parque que foi tão importante para você! Respondeu sorrindo pra ele.

Pedro comemorou e orientou Verônica sobre o caminho que deveria fazer....

......

domingo, 7 de maio de 2017

Verônica 20ª parte

Verônica despertou lentamente. 
Ao voltar do quarto de Nelson, tomou um banho e deitou-se, ela queria esquecer pelo menos um pouco tudo que ouvira. 
O sinal de aviso de mensagem recebida do aplicativo soou, ela pegou o celular e espantou-se com a hora, já passava das 18:30hs, não se preocupou muito, ela estava precisando desta pausa depois deste longo dia.
Visualizou uma mensagem de Pedro:
“_Oi, está tudo bem? Estou preocupado com você quando puder dê notícias!”
_Nossa, se Nelson não falou com Lena ainda, ela também deve estar preocupada. –Ela sussurrou baixinho enquanto caminhou até o guarda roupas, pegou uma calça jeans, uma camiseta e um tênis, vestiu-se e saiu.
A porta do quarto de Nelson estava fechada, imaginou que ele tivesse também caído no sono.
Desceu rapidamente as escadas e viu a mesa posta na sala de jantar com apenas um prato que repousava sobre a mesa e um par de talheres. 
Imediatamente pensou: "Com certeza Nelson falou com Lena e disse-lhe que ela não iria mais fazer as refeições com ele." Por um instante ficou triste, ela disse à ele que iria embora no dia seguinte e não hoje. Respirou fundo e foi a cozinha encontrar Lena.

_Boa noite! – Verônica entrou cumprimentando Lena e aos funcionários presentes.

_Verônica! Fui ao seu quarto para conversar com você, mas dormia tão tranquilamente que resolvi deixar. Venha, vamos até o escritório onde poderemos conversar! – Disse Lena pegando gentilmente em seu braço.

_Nelson conversou com você Lena? Falou tudo que conversamos? –Os olhos dela estavam mais inchados do que de costume e agora sentia a lágrima cair bem quente.

_Falou sim minha querida. Ahh minha filha, como eu queria que nada disso tivesse acontecido. – Lena demonstrava estar profundamente chateada.
 _Verônica, eu quero que você saiba que mesmo eu tendo conhecimento de toda a história, eu não poderia ser desleal aos meus patrões contando o que eu sabia à você. Eu prometi à eles quando tudo aconteceu que guardaria pra mim, que jamais revelaria a ninguém. -Dizendo isso Lena baixou a cabeça sem encarar Verônica, estava visivelmente triste e abatida com tudo isso.

_Não se preocupe Lena, sei bem separar as coisas. Você não tem nada que se desculpar. Era Nelson, e só ele que poderia me revelar tudo, a vida é dele. E... mesmo tento sido bem dolorido ouvir tudo aquilo, foi melhor assim. -Ela disse à Lena esboçando um sorriso forçado no canto da boca.

_Depois que você saiu do quarto, Nelson veio até mim e contou-me tudo. -Lena levantou-se e caminhou até a estante onde pegou um envelope e estendendo à Verônica explicou: _Ele pediu que entregasse isso à você.

Verônica olhou para Lena enquanto pegava o envelope de suas mãos e perguntou apreensiva:

_Mas... porque? Onde ele está? Porque não me falou ao invés de escrever?

_Ele disse que explica tudo ai, eu v
ou sair para que fique a vontade. -Lena anunciou.

_Não, fique por favor Lena. -  E abrindo o envelope leu o que Nelson havia escrito em voz alta.

“Verônica estou voltando à São Paulo para cuidar de tudo.

Vou procurar nosso advogado para que ele de entrada os papéis do divórcio, de forma justa faremos a partilha dos nossos bens.
Será melhor para nós dois que fiquemos um tempo longe um do outro e coloquemos as ideias no lugar. Pretendo voltar assim que tudo estiver resolvido, por enquanto, manteremos contado por telefone caso precise falar comigo.
Deixei o carro para que você use se precisar. 
Peço, por favor, que continue na fazenda, afinal de contas ela também é sua. Lena te quer muito bem e você poderá ajudá-la enquanto Pedro ainda está convalescente.

Nelson”

Fechando a carta, Verônica comentou:

_Nem sei o que dizer! Nem parece o Nelson dos últimos 15 anos, parece uma outra pessoa.

_ Minha querida, este é o meu Nelsinho, o que ajudei a criar, o que você conheceu e...se apaixonou.
-Lena sorriu para ela pegando suas mãos-  _Sei que não tenho direito de pedir isso Verônica, você sofreu muito todos estes anos e sem saber o porque... mas, se puder perdoá-lo! Ele também uma vítima de toda esta história, do preconceito e dos tabus que o pai jogou sobre ele. -Verônica ouvia tudo calada. _ O Sr. Nelson foi cruel com o filho, nunca mais o abraçou ou falou uma palavra de carinho para o menino, ele tem um sério problema de rejeição.

Verônica alisava o envelope em sua mão e respondeu:

_Isso é claro pra mim agora Lena! Vou dizer a você o que disse a ele, quem sou eu para perdoar? Também não vou julgá-lo, quero que ele seja feliz, assuma seu verdadeiro desejo e viva plenamente. Dizer à você que vou esquecer? Não, eu não vou esquecer nunca. 
Mas preciso dar este perdão porque quero ter o direito de ser feliz, de refazer minha vida e quero que ele refaça a dele. E se eu não trabalhar este perdão, não vou conseguir isso. Me entende?

_Eu entendo você, tem toda razão - O celular de Lena cortou a conversa. Depois de atender ela explicou: 
_É Pedro! Está perguntando de você... e dizendo que está com fome. -As duas deram risada ao imaginar a cara que Pedro fazia quando estava com fome, ele ficava bravo e mal-humorado.

_Vou pedir que sirvam o seu jantar, enquanto isso levo o dele -Lena avisou, mas Verônica sugeriu outra coisa:

_O que acha de pedir que preparem comida para nós dois, eu jantaria com Pedro, enquanto conversamos. Você se opõe? -Perguntou.

_De forma nenhuma, farei isso, Pedro vai ficar feliz em jantar com você! -Lena sorriu antes de sair para dar ordens na cozinha e Verônica ficou com seus pensamentos.
 Pensou no prato solitário sobre a mesa se comoveu ao saber que era pra dela. Se enganou achando que Nelson a estava colocando para fora da fazenda. E resmungou para si mesma com voz baixa:

_Como eu me enganei. Impressionante c
omo as coisas mudam tão rapidamente! Tiramos conclusões precipitadas apenas pelo que veem nossos olhos. Verônica, Verônica, prepare-se, uma nova vida vai começar....

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Verônica 19ª parte

Tentando se acalmar depois de tantas revelações Verônica respirou fundo, precisava manter a lucidez e a calma, caso contrário voaria pra cima dele. Ficou quieta enquanto ele se servia de mais uma dose de Whisky antes de responder ao seu último comentário.

_Você não sabe o que está falando, eu não usei você! -Ele tentou se defender antes de dar o ultimo gole.

_Nelson, pelo menos uma vez na vida seja honesto consigo mesmo, você me usou sim! Ou se esqueceu das reuniões com ”nossos” amigos. Das provocações que me faziam ficar me mordendo de ciúmes das mulheres que se aproximavam de você insinuantes, e você correspondia as investidas delas sem se preocupar com meus sentimentos?

_ Era apenas uma forma de me sentir vivo, eu precisava me sentir igual aos outros homens. A sociedade exigia isso de mim!

_Que coisa mais triste ouvir isso Nelson, “precisava me sentir igual aos outros homens”. O que é isso ninguém é igual, as pessoas são diferentes, cada um tem opções, religiões e gostos diferentes. Todos nós temos a  liberdade de ser o que e como somos.

_Nunca imaginei que você pensasse assim! -Ele observou.

_Você nunca me ouviu, sequer me notava ou dava importância ao que falava. Em todos estes anos, você nem percebeu que eu fui sua melhor amiga Nelson. -Ela enxugou discretamente a lágrima que caiu.

_Eu tentei Verônica, no início achei que poderíamos ser felizes como um casal normal! Tudo mudou quando você falou em ter filhos.


_Agora entendo sua recusa em ser pai! Você não tinha o direito de me impedir de ser mãe, mesmo que não fosse com você. Deveria ter me liberado, se separado de mim, de repente eu teria a chance de encontrar alguém que dividisse o mesmo desejo que eu.  -Ela tentava a todo custo entender tudo aquilo.

_Naquele momento eu soube que não queria mais continuar com o nosso casamento. Então comecei a ser este Nelson que você aprendeu a sentir “nojo”. Era na verdade a minha intenção, tentar fazer você ter raiva de mim e não querer mais continuar, eu precisava que você pedisse o divórcio.

_Que horror Nelson, tanto sofrimento para fazer eu me afastar de você! Não queria se sentir culpado pela separação? É isso não é? -Ela afirmou com aparente decepção.

Nelson não conseguia encará-la,  estava visivelmente envergonhado, parecia até outra pessoa, frágil com um gritante medo em seu olhar. Na verdade, Verônica entendeu que este a sua frente era o Nelson que ela havia conhecido e por quem havia se apaixonado, um homem gentil, alegre, divertido!

_Você tem noção do que fez com as nossas vidas Nelson? -Ele permaneceu calado.

_Você está me ouvindo? – Ele balançou a cabeça afirmativamente e ela continuou- _Olha pra você, olhe pra mim, olhe o que fez com nossas vidas?!

Nelson começou a chorar feito uma criança, com certeza o efeito do álcool havia chegado a depressão depois da euforia inicial.

_Voltando ao início da nossa conversa, me responde uma coisa? Ela perguntou.

_Sim! -Ele respondeu estendendo as mãos num gesto de rendição.

_Porque tem tanta raiva de Pedro, aconteceu alguma coisa entre vocês que não tenha me contado? –Ela precisava saber o porque de Pedro despertar tanta raiva em Nelson.

_Eu tinha raiva dele, hoje não é tanto assim. Ele sempre se mostrou muito forte e corajoso, tomava conta da fazenda com a Lena melhor que meu pai, domava cavalos, ao contrário de mim que nunca me dediquei a tudo isso. Eu judiava dele e tripudiava, as vezes humilhava por ele ser filho da “empregada”, imagina se Lena soubesse disso?- Ele balançou a cabeça como desaprovação de si mesmo.- _Pedro jamais contou a ninguém nem a Lena, se tivesse contado possivelmente eles não estariam até hoje aqui na fazenda. Nunca deu um deslize, não revelou meu segredo ou usou isso para me humilhar, como eu fazia com ele. Ele embargou a voz, parecia-lhe ficar mais difícil falar.
_ Além do mais, depois de tudo que aconteceu, meu pai passou a me ignorar e fazia questão de pegar Pedro no colo e dizer  que ele era o filho que ele queria ter, que ele seria um homem de verdade e não um ...”maricas” como muitos que ele conhecia.-Nelson começou a chorar mesmo assim continuou- Papai fazia questão de fazer isso na minha frente e de quem quer que estivesse perto. -Ele passou as mãos nos olhos para enxugar as lágrimas e continuou-  _É claro que só fazia isso na frente de gente daqui de casa. Ele jamais aceitaria que esse segredo saísse aqui de Laguna.
-Nelson chorava toda mágoa, tristeza e arrependimentos de todos estes anos, Verônica o vendo naquele estado lastimável, aproximou-se.

_Chore Nelson, chore mesmo, muito, desabafe, depois raciocine, reflita e se perdoe. Comece uma nova vida a partir de hoje, comece por ser você mesmo, se aceite. Não importando a ninguém o que você é ou deixa de ser. Viva como você quiser viver. –Ele a ouvia atento e ao mesmo tempo incrédulo em ouvir tudo isso dela. Ele tinha acabado com os sonhos, as ilusões e desejos daquela mulher, e ainda assim, ela se dispunha a ajudá-lo, incentivando a erguer a cabeça e recomeçar. Realmente ela era uma grande mulher.

_Bom Nelson, eu nada mais tenho a fazer aqui, vou arrumar minhas coisas e vou voltar pra casa, procurar um advogado e cuidar do nosso divórcio.

Ela encaminhava-se para a porta quando ele a chamou:

_Verônica!

Ela parou e virou-se para ele antes de abrir a porta sem nada dizer.

_Você nunca vai me perdoar não é mesmo?

_Quem sou eu pra perdoar? Não vou negar que eu jamais vou esquecer o que fez comigo, tudo que passamos, e quanto tempo me fez perder tentando ressuscitar nosso casamento. Mas perdoar, este é trabalho divino. Quanto a sentir raiva de você? Sabe bem que infelizmente não sei o que este sentimento significa. -Ele ouvia atento, mas cabisbaixo sem conseguir encará-la de frente.-
_Também não vou te julgar! Só não peça agora que eu o abrace e chore dizendo eu o desculpo porque não sou tão evoluída a tal ponto. Preciso também refletir, me levantar novamente, acordar deste pesadelo. E se me permite , aconselho que vá pedir desculpas a Lena e a Pedro pelo soco que deu na cara dele. Ele só estava me agradecendo por estes meses em que cuidei dele,  eu retribui sua gentileza com um beijo em seu rosto. A maldade estava em você!

Dizendo isso ela saiu do quarto deixando Nelson se desmanchando em choro e mergulhado em arrependimentos. ...