sábado, 29 de abril de 2017

Verônica - 15ª Parte

_ É isso mesmo que você ouviu! Casei com você porque fui obrigado por meu pai. –Nelson repetiu quase aos gritos.

Neste momento Lena abriu a porta assustada, trazia nas mãos as roupas de Pedro que verônica havia deixado sobre o aparador no corredor.

_Mas o que está acontecendo aqui? Podem ouvir os berros a quilômetros de distância! -Lena não acreditava no que via, o filho apenas de toalha com a boca sangrando, Verônica com o rosto marcado e Nelson com fisionomia alterada e o rosto muito vermelho a ponto de explodir. Aproximou-se do filho e baixou para ver o ferimento.

_O que foi isso Pedro? Tome! Vista a roupa e nos encontre na sala  - Virando-se para Nelson e Verônica os chamou:

_Vocês dois venham comigo. -Já na sala Lena encarou o casal:

_Mas o que houve com vocês? Perderam o Juízo?- Lena falou severamente.

_Lena, foi um mal entendido. Nelson chegou e achou que eu e Pedro estávamos em um momento íntimo e perdeu a cabeça.

_A culpa agora é minha? Eu entro no quarto e pego aos beijos com ele e você diz que eu é que perdi a cabeça, você não...  -Ele foi interrompido por Lena.

_ Nelson, eu sou sua funcionária, apenas uma empregada da casa. E.... embora eu esteja aqui a mais tempo do que já vivi fora deste lugar, sou apenas uma empregada. Conheço você desde pequeno, e não poucas vezes o chamei de filho, o tratei como filho e o tenho verdadeiramente como a um filho.

_Lena! -Nelson tentou falar, mas lena ergueu a mão em sinal de espera para que continuasse ouvindo.

_Continuando! Eu nunca pedi que você e Pedro se amassem como irmãos, mas que se respeitassem! E infelizmente hoje pelo que vi, acabou este respeito, se é que ele chegou a existir um dia.

_Lena, espere... - Nelson tentou novamente interrompê-la .

_Nelson, aprenda a ouvir, Por favor, acalme-se! E se não for pedir demais, não grite!

Nelson baixou a cabeça em respeito aquela que sempre viu como mãe.

Lena estava muito séria e apreensiva, não havia gostado nada de ver o filho envolvido entre os conflitos do casal. Notou Pedro vindo em direção á sala, fez menção de ir ajudar, mas ele a impediu com um gesto. Com os braços cruzados, aguardou observando o filho ajeitar-se no sofá.

_Agora eu quero saber o que está acontecendo. Estou profundamente triste pela cena que encontrei aqui. Triste e decepcionada. Tentem me explicar o que foi isso tudo!

Verônica foi a primeira a se manifestar, contou sua versão, em seguida Pedro e por último Nelson.


Mas ao contrario do que Lena pensava, Nelson insistia em jogar culpas na esposa e continuou com as agressões verbais a Verônica. E foi ai, que novamente a conversa tomou um rumo que não havia mais como voltar atrás. Enquanto Nelson soltava toda sua ira sobre a pobre Verônica. Lena e Pedro observavam calados e prontos para interceder caso ele tentasse agredi-la fisicamente.

_Seu pai não prestava, nunca prestou! -Nelson gritava

_Como você fala uma coisa destas, você nunca gostou do meu pai, e ele nem mais está neste plano! -Respondeu ela.

_Ele vendeu você pra mim Verônica.

Um silêncio tomou conta do ambiente, Lena fez sinal para que Pedro saísse, mas, ele não obedeceu e aproximando-se de Nelson buscou oferecer um pouco de lucidez a ele.

_Nelson, coloque a cabeça no lugar, cuidado com as palavras! -Lena alertou, ela sabia de toda história e não queria que isso tivesse que ser revelado assim, ali na sua casa, era uma coisa que Nelson teria que contar para a esposa.

_Não Lena! – Falou Verônica - _ Deixe que ele fale! Ele precisa ter coragem de revelar coisas da minha vida! E ao que me parece, nem eu mesma sei! Mas não aqui Lena, não na sua casa. - Olhou para o marido e disse:  _Vamos pra casa, lá conversamos!

Nelson entendeu o recado e saiu feito um leão da casa de Lena seguindo em direção a casa grande.
Aproximando-se de Lena Verônica envergonhada e contendo a emoção do choro falou:

_Lena, muito obrigada pela ajuda. Pedro, perdão por isso tudo. Cuide-se! Acho que hoje vou me libertar de muitas coisas. Depois conversaremos! 

Dizendo isso com um sorriso triste Verônica se retirou da casa de Lena, indo em direção a casa grande onde Nelson já estava quase chegando...

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Verônica 14ª Parte

Pedro abriu a porta do banheiro e uma nuvem de fumaça saiu antes dele.Devagar se esforçava para sair com o apoio do andador, tinha a toalha presa à cintura e os cabelos despenteados.Verônica foi até ele a fim de ajudá-lo.

_Obrigada Verônica! Estou me sentindo novo. Não imagina quanta falta senti desta água abençoada caindo em minha cabeça. - Disse ele com o semblante sereno.

_ Faço ideia! Não foi fácil tudo que você passou nestes meses. Agora a única coisa que precisa fazer é se dedicar as sessões de fisioterapia, e logo estará cavalgando por ai. -Verônica falava com ele enquanto caminhavam calmamente até a poltrona ao lado do sofá onde o ajudou a sentar. _Vou pegar suas roupas.

Pedro a segurou pela mão.

_ Espere! -Ele pegou a mão dela e levou a boca dando um beijo.Verônica ficou sem ação, aquela atitude dele a pegou de surpresa. _ Não tenho como agradecer tudo que fez por mim nestes longos dias Verônica! Muito, mas muito obrigado mesmo! -Ele falou demonstrando grande emoção, ela podia sentir a gratidão que ele tentava expressar olhando em seus olhos.

_O que é isso Pedro, não precisa agradecer. Você é que não tem ideia de como me fez bem.  Ficar com você, me fez aprender muita coisa e na medida do possível nos divertimos muito! -Ela se curvou e deu um beijo carinhoso em seu rosto. E neste instante  Nelson entrou subitamente no quarto.

_Ora, ora! Que cena mais linda. Vejo que atrapalhei os pombinhos. A sua voz irritante e sua ironia faziam o coração de Verônica fervilhar.

_Não é o que você está imaginando Nelson! - Ela explicou- _ Pedro estava me agradecendo por...

_Agradecendo é? Pedro estava agradecendo? Você pensa que sou idiota Verônica? Vi você beijando ele. -Nelson foi agressivo com as palavras e Pedro intercedeu:

_Nelson, é verdade eu só estava agradecendo, Verônica me retribuiu o agradecimento com um beijo no rosto.

_Cala a boca Pedro, está levantando a crista agora? Isto é entre mim e ela. - Nelson disse apontando o dedo  para a esposa e caminhando devagar em sua direção.  pegou o rosto de Verônica e apertou com força usando uma das mãos.

_Você é uma vadia mesmo, assume agora que eu te solto.

Nelson a estava machucando, Pedro notou que isso parecia dar-lhe prazer, então, agarrou-lhe o braço com força numa forma de impedi-lo a continuar. Nelson o olhou incrédulo. 

_O que você quer? Que eu aceite este casinho de vocês e fique quieto?

_Solte Verônica esta machucando ela, não vê? Não há caso nenhum Nelson, você é doente, precisa se tratar.
Nelson soltou o rosto de Verônica empurrando-a e abaixou-se para ficar cara a cara com Pedro e disse aos berros:

_O que foi hã? Está bravo porque? Ela é minha esposa!

Pedro estava se contendo com os punhos serrados respondeu entre os dentes.

_Você é um canalha Nelson! 

Nelson fechou a cara e deu um soco no rosto de Pedro. Verônica correu sobre ele socando seu peito, gritava chorando em fúria:

_Covarde, você é um grande covarde Nelson, como pode fazer isso?

Nelson segurou suas mãos mantendo-a imóvel  _Ahhhh, agora entendi. Você está apaixonada por ele? 

_Pare com isso, você está delirando? É uma covardia agredir alguém que não pode se defender a altura. 

Verônica se aproximou de Pedro observando o corte na boca sangrando.

_ Suma daqui Nelson, vou cuidar do ferimento e depois vou pra casa pra conversarmos. 

_Não, você vai agora, comigo! E pegando-a brutalmente pelo braço começou a arrastá-la para a porta. 

_ Me solta, Nelson me solta. Vou cuidar do ferimento dele. - fingindo não ouvi-la  ele apertava mais ainda seu braço. Então ela começou a gritar com fúria:

_Seu idiota, pare de me atormentar. Me deixe viver livre da sua doença, eu te odeio, te odeio!
Nelson a soltou, assombrado com a atitude anormal dela,  ficou a ouvindo falar, ela sempre havia sido submissa, pacata e jamais falara nada que o ofendesse. 

_ Você  nunca me amou. Odiava meu pai, não sei onde eu estava com a cabeça todos estes anos para te aturar, e a seus caprichos. Me esquece, esquece que eu existo... – Dizendo isso colocou-se a chorar copiosamente.

_ Quer que eu responda? Casei com você porque fui obrigado! -Ele gritou

Verônica arregalou os olhos já marejados de lágrimas. Pedro engoliu seco, enquanto limpava o sangue da boca na toalha, pensava em uma forma de defender Verônica, conhecendo o temperamento de Nelson, sabia que ele não iria parar, ele iria até o fim e depois iria pra cima dela. Ele precisaria fazer alguma coisa pra defendê-la.... 




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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Verônica - 13ª parte

Enfim chegou o dia de Pedro retirar o gesso, depois de quase dois meses e meio na cama, ele poderia agora ficar de pé com ajuda do um andador. Embora as notícias do médico tenham sido muito positivas, ele sabia que teria muita fisioterapia pela frente e precisava ter muita paciência para aos poucos retomar a vida normal.

O carro parou em frente a casa de Lena, ela e Verônica ajudaram Pedro a descer do carro enquanto Nelson levou o carro para a frente da casa grande.

_Cuidado Pedro! Vá devagar, você está há meses sem colocar os pés no chão, tem que ir aos poucos menino. Vá com calma! -Bronqueou Lena.

_Tá bom mãe! Pode deixar que eu me viro!

Lena ficou olhando com desaprovação a pressa de Pedro, Verônica percebendo acalmou-a.

_Não se preocupe Lena, deixe comigo, eu o ajudo a se ajeitar!  E com uma piscada virou-se para abrir a porta da casa para que ele entrasse. Lena concordou e dirigiu-se para a casa grande.

Pedro entrou e sentou-se no sofá, olhou para Verônica e observou:

_ Agora é preciso fazer com que este quarto volte ao normal, não aguentava mais esta “internação domiciliar”. Disse isso e fechando os olhos apoiou a cabeça no encosto do sofá.

_Amanhã peço para que venham retirar a cama. Não haverá mais necessidade dela.

Mas hoje você ainda terá que dormir nela, a não ser que durma na casa grande.
Agora... se não me engano, eu sei exatamente o que vai fazer! -Verônica sorriu-lhe com cumplicidade, sabia exatamente cada pensamento de Pedro, cada desejo e já conhecia cada traço de seu rosto.

Deu-se conta de que o conhecia muito melhor do que ao seu marido, voltou de seu devaneio com a voz de Pedro.

_Se pensou que vou tomar uma banho, acertou! Verônica, vou tomar um banho daqueles que nunca viu igual. Depois de dois meses com este...banho de leito, m
ereço um belo e demorado banho!!! - Ele fez uma cara de nojo e voltou a sorrir.

_Merece sim Pedro. Vou pregar toalhas limpas e a cadeira de banho.

_Cadeira de banho? Pra que?

_Ora, você ainda não consegue tomar banho em pé sem apoio Pedro!

_Posso sim, claro que posso. Não quero cadeira nenhuma! Tenho o andador, me apoio nele.

_Ah é? Então está bem! E como vai lavar a cabeça? Os pés? Quero só ver! Pedro entenda, você não tem firmeza suficiente nas pernas ainda! Quer se arriscar mais?

_Não quero cadeira de banho Verônica.

_ Mas que homem teimoso! Vai usar a cadeira sim, ou você quer que eu de banho em você? – No mesmo instante ela percebeu que havia falado sem pensar, ficou sem graça pois sabia o que iria ouvir.

_Não seria má ideia! Respondeu-lhe Pedro lançando um olhar que a fez ficar com o rosto rubro.

_Pedro, Pedro! –Ela tentou disfarçar com um riso sem graça, mas ele percebeu que mexeu com ela, ficou observando enquanto ela pegava a cadeira e as toalhas e levava para o banheiro. – Pronto! Toalhas, sabonete, e a "cadeira" - Enfatizou.

 _ Agora vá tomar banho e tirar este cheiro de gesso. Ficarei aqui, se precisar é só chamar.

Pedro levantou-se devagar segurando no andador e dirigiu-se ao banheiro. Antes de fechar a porta sorriu maliciosamente para ela, fazendo com a cabeça um gesto para que ela entrasse com ele.

Verônica, fingindo ficar brava o fez gargalhar da cara dela antes de fechar a porta. Ela gritou:

_Não tranque a porta! Se precisar grite, vou ficar aqui!

Ela fechou os olhos e respirou fundo. Estava há tanto tempo ao lado dele, todos os dias, o dia inteiro. Seria difícil não ter mais que ficar em sua companhia. Sentiu-se triste e ao mesmo tempo se repreendeu:
_ Pare com isso Verônica, agora Pedro esta bem e andando, é isso que importa!-Sussurrou para si mesma. Sorriu sozinha, ela estava era feliz agora ele estava bem.

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