terça-feira, 28 de março de 2017

Verônica parte 12

Os dias transcorreram bem, apesar dos momentos de tristeza de Pedro, que sendo um homem de ação e movimento ficava muito irritado em não poder sair do lugar. 
Um mês já havia se passado do acidente em que Pedro ficou imobilizado. 
Todos os dias Verônica arrumava uma atividade para distraí-lo, assistiam filmes, jogavam dama, ela lia pra ele, ele lia pra ela, conversavam sobre vários assuntos e riam muito de algumas situações. Verônica estava se sentindo feliz, apesar de saber que ainda precisaria resolver sua situação com Nelson, por vezes esquecia do assunto. 
Pedro lhe contou das namoradas que teve e das brigas e cobranças que acabaram com o último relacionamento de quase dois anos. 

_Depois que terminei com Lívia, nunca mais namorei sério com ninguém. -Disse Pedro olhando para a janela para ver a chuva que caia lentamente.

_Eu entendo, mas mulheres são assim mesmo Pedro, todas nós queremos um amor, alguém que se preocupe conosco, nos ame e principalmente que nos respeite. -Verônica observou.

_ Lívia queria casar, eu até me casaria com ela, não fosse o nojo que ela tinha de cavalos e o horror pela cidade, e olhe que nasceu aqui.

_É complicado! Em um relacionamento quando um só quer ter razão, as coisas começam a ficar bem difíceis. É preciso muito amor, flexibilidade, diálogo e .. respeito, volto a frisar .

-Então... ela não gostava de vir aqui em casa porque dizia que o cheiro de estábulo estava em todos os lugares, que eu deveria me casar com uma égua...

Verônica não conseguiu segurar a risada interrompendo Pedro que olhou sem entender.

_Desculpe Pedro. – Ela continuava rindo. _ Mas eu não aguentei sua última frase, “Se casar com uma égua?”

_É verdade! – Ele ria também. _ Ela falava isso pra mim, “porque você não casa com uma égua.” Pedro repetiu a frase e se contagiando com o ataque de riso de Verônica .

_Olha Pedro, ainda bem que não está mais com está “Lívia” que mulher chata.

Os dois continuaram a rir, parando somente quando a porta do quarto se abriu interrompendo a alegria de ambos. Era Nelson!

_Bom dia!!! Pelo visto a chuva não mexeu com o humor de vocês! Quero rir também, sobre o que falavam?

Pedro olhou para Verônica que respondeu.

_Estávamos lembrando de coisas engraçadas só isso!

_Sei... - Nelson olhou cismado para ela, enquanto dirigia-se para mais perto da cama:

_ E ai Pedro, como está?

_Melhorando! Não aguento mais é ficar nesta cama!

_Logo você vai sair dai, já se passou um mês. - Lembrou Nelson


_Não vejo a hora deste dia chegar! -Comentou Pedro.

_Bom! Vou indo, só vim avisar Verônica, que estou saindo. Vou a cidade vizinha com Zé das Botas resolver uns assuntos. Só volto amanhã.  -Nelson deu um sorriso com o canto da boca se dirigindo a porta, antes de fechá-la mandou um beijo no ar para verônica com seu jeito irônico que a irritava demais.

_Boa viagem! –Respondeu verônica, Pedro somente acenou com a mão percebendo o ar de triste que apareceu em sua cuidadora e amiga.

_O que foi Verônica, parece triste?

Verônica deu um longo suspiro e sentou-se na cama dele como se buscando um conforto nesta proximidade.

_Nada Pedro, não se preocupe comigo, isso passa!!!

_Sei... sua situação com Nelson continua tumultuada não é?

_Insuportavelmente tumultuada. Mas, não vamos falar disso agora está certo?

_Verônica, não falou de você em nenhum momento em todos estes dias que esteve comigo, brincou, sorriu, fez piada. Eu conheço um pouco de você para saber que está sem paz de espírito. Fale! Vamos conversar!

Verônica começou a chorar e enxugando as lágrimas levantou-se da cama.

_Depois Pedro! Depois conversaremos. Vou tomar um banho agora, depois volto. Você vai ficar bem? Quer que eu ligue a tv?

Quando verônica aproximou-se para pegar o controle, Pedro a segurou pelo braço. Seus olhares se cruzaram por um instante, que pareceu uma eternidade. Sentiu seu coração acelerar e o sangue ferver em seu corpo. Nunca havia estado tão próximo de outro homem que não fosse seu marido. Afastou-se dele devagar, sem conseguir entender o que havia acabado de acontecer ali. Ela viu pela primeira vez que o menino que conheceu a muitos anos atrás, hoje era um belo homem.

_Vou tomar um banho e volto depois. Se... se precisar de alguma coisa enquanto estou fora, ligue no celular da Lena tá certo?

_Ok até mais. – Pedro lançou um sorriso afetuoso e ela retribuiu virando-se para sair do quarto , caminhou devagar até a porta, sendo seguida pelo olhar de Pedro.
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terça-feira, 21 de março de 2017

Verônica - parte 11

Dois dias haviam se passado desde o acidente de Pedro.

Lena já havia deixado tudo pronto para os dois meses de convalescência do filho.

Ao chegar do hospital, Pedro, fora levado a casa que sempre ocupou com a mãe, ficava atrás da casa grande na fazenda, era confortável e bem funcional, o que permitiu a Lena deixar o filho em um quarto de frente para o Jardim, assim poderia se sentir mais animado para a recuperação.

_Bom dia dorminhoco. -Disse Verônica abrindo as persianas e deixando a luz tomar conta do quarto! _Como está se sentindo nesta primeira noite de volta ao lar?

_Bom dia! -Pedro disse se esforçando inutilmente para se mover.

_Calma! Esqueceu que é a cama que o levantará e o deitará? Não pode com o peso do gesso! Com um suspiro triste Pedro balançou a cabeça, agora estaria de castigo nesta cama por dois meses.

_Obrigada Verônica! Será que pode me dar o ... aquele negócio para urinar ?

_O nome disso é “Papagaio” ou “urinol” -Verônica explicou entregando o recipiente a Pedro. _ Vou sair, quando terminar me chame, estou aqui do lado ok?

Envergonhado Pedro concordou com a cabeça. Estava com vergonha de Verônica, ter que chamá-la para pegar o xixi, que desagradável. Mas fazer o que? Era ela ou a mãe!

_Pronto! Ele gritou para chamar Verônica que entrou no quarto e viu Pedro quase roxo de vergonha.

_Pedro, não precisa ter vergonha, apesar de tudo sou auxiliar de enfermagem! –Brincou.

_Ah Verônica, que vergonha! Não tem outro jeito não? Perguntou Pedro.

_Tem outro jeito sim, mais fácil até no seu caso. Só que precisaremos da ajuda de Nelson ou do Zé das Botas. Verônica fingiu falar sério mas estava tentando fazê-lo sorrir.

Pedro arregalou os olhos e perguntou:

_Porque precisa de um deles? Vão me levar ao banheiro?

_Imagina Pedro! Você está com gesso do quadril até as pernas, as duas pernas. -Ela o lembrou tomando cuidado para não entristecê-lo. _ Não pode molhar o gesso Pedro.

_Então o que está pensando? Nem pense em me enfiar aquele cano no meu...! -Pedro assustou-se fazendo Verônica não conter o riso.

_Não seu bobo, é um outro tipo de coletor de urina. Brinquei sobre Nelson ou Zé das Botas. Quando o enfermeiro vir hoje para dar seu banho, pedirei a ele que coloque. Se sentirá mais confortável.

_Tá! Pedro pressionou a boca num gesto de extrema vergonha e timidez.

-Agora teremos que organizar nossos dias, fazer uma agenda para que não fiquemos olhando um pra cara do outro. O que gosta de ler? Romance, ficção, drama?

_Pra falar a verdade não tenho muito paciência pra isso, já me bastam as literaturas da faculdade. E por falar nisso, preciso avisar meus colegas, ver o que podem me passar das aulas.

_Não se preocupe sua mãe já fez isso, foi até a faculdade falou com o Reitor. Todos os dias uma pessoa vai trazer as atividades pra você. 

_Minha mãe! Ahh  Dona Lena... Dona Lena, que trabalhão estou dando pra ela...e pra você Verônica! -Pedro falou colocando a mão na cabeça ainda dolorida e enfaixada.

_Que trabalho Pedro! Você não escolheu isso, aconteceu! Agora é tratar de se recuperar. Vai passar rápido vai ver. Vou arrumar muitas atividades pra nós!

_Obrigada Verônica! Vai ser muito bom ficar este tempo com você. Uma enfermeira tão cuidadosa e carinhosa. Além de linda! – Pedro deu uma risada discreta e recebeu o sorriso doce e bonito de Verônica como recompensa daqueles dias de tensão!
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sábado, 18 de março de 2017

Verônica 10ª Parte

Verônica ainda estava zonza pelo acontecido, e sem ação depois da discussão que tivera com Nelson, e ele a deixou falando sozinha. Um grito vindo de fora tirou-a de suas divagações e a trouxe rapidamente para a realidade. Dirigiu-se a janela e viu Pedro esticado no chão e o cavalo empinando  e as pernas de Pedro presas ao cavalo.

_Pedro. Ela gritou, correndo desesperada desceu as escadas e foi para o pátio da casa onde já estavam “Zé das Botas” e “Das Dores” dois funcionários antigos da fazenda. Lena estava se dirigindo ao local poucos passos diante de Verônica.

_Pedro...Pedro meu filho!? Pedro. 
O que aconteceu? perguntou Lena aos prantos. - Pedro estava desacordado, tinha um corte na testa que sangrava muito.

_Dona Lena o cavalo empinou, ele ficou com os pés presos no estribo. – Respondeu Zé das Botas. Tinha ganhado este apelido do pai de Nelson, quando ainda pequeno vivia com as botas do pai dele que ajudava o pai de Pedro a cuidar dos estábulos.  Senhor Nelson achava graça em ver o menino com as botas maiores que seu número deixando um rastro de barro e estrume por onde passava. Para o terror das mulheres da casa. 


_O que deu neste cavalo? Ele estava domando Zé?

_Estava sim dona Lena.

_Vou chamar o resgate! Lena não tire ele do lugar pode afetar a coluna! Verônica rapidamente discou o número da emergência no celular e pediu socorro.

Rapidamente o resgate chegou e o colocou na ambulância.

_Vou com ele! Lena avisou já subindo no carro.

_Vou com você Lena. Disse Verônica. _ Das dores, avise Nelson sobre o que aconteceu. Diga que assim que estivermos no hospital eu o aviso!

Chegaram ao Hospital central onde a equipe de enfermagem já esperava por Pedro.

_Doutor meu filho não acorda, ele vai ficar bem? Pelo amor de Deus doutor, Ajude meu menino. Lena implorava e chorava desesperadamente.

_Calma senhora, vamos cuidar dele, venho dar notícias assim que puder. –O médico olhou para Verônica e disse: _Cuide dela, assim que possível trarei notícias.

_Venha Lena, vamos nos sentar. Tente acalmar-se tudo vai ficar bem!

Uma hora já havia se passado, nenhuma notícia havia chegado. Nelson já estava lá e buscava informações enquanto Lena e Verônica continuaram na sala de espera!

O médico surgiu na sala acompanhado de Nelson. Lena correu até ele:

_ Doutor como está meu Pedro, o que aconteceu com ele?

_Acalme-se Dona Lena, Pedro está bem, não corre risco de morte, teve um corte na cabeça, foram dados 10 pontos, felizmente os exames não mostraram nada de mais grave no crânio. Mas ele fraturou o quadril... e as duas pernas .

_Meu Deus! Lena desabou a chorar e Verônica continuou a conversar com o médico.

_Doutor, e qual é o quadro geral dele! Perguntou Verônica.

_Ele está bem, vai passar uns dias internado para novos exames, se tudo correr bem, amanhã ou depois terá alta.

_Dr. Se ele fraturou o quadril e as duas pernas ... será engessado da cintura para baixo, é isso ? Perguntou Nelson.

_Sim, isso mesmo! A princípio acredito que ficará dois meses engessado e sem sair da cama, precisará de cuidados!

_Ai Verônica, e agora? O que farei sem meu Pedro pra me ajudar? Lena chorava, nem parecia a mulher forte que sempre demonstrou ser, compreensivo pois Pedro era a vida dela.

_Eu vou ajuda-la Lena! – Nelson tomou a palavra. _Preciso mesmo me inteirar das coisas da fazenda.

_Precisarei encontrar uma enfermeira ou um cuidador Nelsinho, ele precisará de alguém ao lado dele 24 horas por dia. Não posso dispor de Das dores e nem do Zé! Lena tinha os olhos inchados de tanto chorar. 

_ Não será preciso Lena,  Verônica poderá cuidar de Pedro. Ela tem curso de enfermagem! 

_Não vou incomodar Verônica com meus problemas Nelsinho, vocês já tem lá seus problemas pra resolver.

_O que é isso Lena, não é incomodo algum. Será um prazer cuidar de Pedro para você.  Temos muito tempo para resolver nossas coisas,  agora o mais importante é a saúde e recuperação do seu filho.

Verônica olhou para o marido sem acreditar que era ele que falava, parecia menos infantil e mais responsável.  Por alguns momentos ela havia se esquecido da briga que tiveram antes do acidente de Pedro. Agora isso teria que esperar, Lena precisava deles e era o que importava,  a recuperação de Pedro era a prioridade!

......



terça-feira, 14 de março de 2017

Verônica parte 9

Nelson subiu as escadas devagar, um sentimento misto de medo e alívio! 
Quantos anos vivendo esta situação. 
Pensou em tudo que ele e Lena conversaram, sim, ela tinha razão. Em todos esses anos ele havia se escondido atrás de um casamento de aparências, evitando o assunto que mudou todo o rumo de sua vida e por consequência o de Verônica. 
Às vezes tinha raiva de seu pai, outras tinha raiva do pai de Verônica por submeter a filha a uma forma de enriquecimento, como se ela fosse uma mercadoria.
Se tudo isso não houvesse acontecido as coisas poderiam ter sido diferentes pensou.
Ao chegar no topo da escada, respirou fundo e caminhou devagar em direção a porta de seu quarto, olhou para o quarto de Verônica, por alguns instantes quase foi até lá para chamá-la e colocar definitivamente um ponto final nessa história toda, mas desistiu. 
Abriu aporta do quarto e fechou-a atrás de si.

_Verônica?!! O que está fazendo aqui? – Perguntou Nelson assustado ao ver a esposa sentada na poltrona ao lado da janela.

_Estava te esperando!

_Mas...porque? Aconteceu alguma coisa?

_Nelson! Não seja irônico, não se faça de desentendido. Sabe bem que a situação está insuportável entre nós. – Disse Verônica levantando-se da poltrona e se aproximando dele.

_Ai meu Deus, o que você quer que eu diga?  – Nelson disse isso virando-se para ir até o guarda roupa, quando Verônica o puxou pelo braço.

_Não Nelson! Você vai me dizer agora o que acontece. Eu não aguento mais esta vida que levamos juntos. Desse jeito não dá mais pra viver ou nos acertamos ou nos separamos!

Nelson aproximou-se da cama e sentou-se enquanto tentava encontrar palavras para dizer a Verônica tudo que ele precisava dizer. Sentia tudo naquele momento menos coragem, apesar de não amá-la ele tinha um enorme carinho por ela. Como ela reagiria ao saber as tramas do pai?

_Eu...eu não sei do que você está falando! Que jeito não dá mais pra viver? 
– Nelson tentou desconversar. _Sou tão ruim assim?

_Não é questão disso Nelson, pelo amor de Deus, acorda! Você me trata mal, não gosta que eu o acompanhe nos lugares onde vai, dormimos separados. Há quantos meses não nos tocamos Nelson?
-Verônica estava decidida a arrancar tudo que precisava saber. Em pé diante dele, os braços cruzados numa posição de defesa. Continuava firme apesar do medo que sentia de seu temperamento explosivo!

_Verônica, eu já disse, O que você quer fazer? Quer se separar? Continuar casada comigo? Fale e faremos como você quiser! -Nelson levantou-se enquanto tirava a camisa!

_O que é isso Nelson? – Ela dirigiu-se para perto dele e tocou em seu pescoço onde quase perto do ombro havia uma marca que ela não conseguia definir bem o que era. _Nelson isso é uma marca!!! Neste momento Nelson a empurrou.

_Saia Verônica, que marca ? Pare com estas esteiras, não te dei liberdade para isso! Caminhou até o espelho a fim de ver do que Verônica falava.


_Nelson, isso é uma marca... o que é isso? Batom? Deixe eu ver !  -Ela tentou em vão ficar próxima a ele.

_Cale essa boca Verônica. Não sabe o que está dizendo! - 
 Disse ele enquanto recolocava a camisa a fim de evitar mais perguntas. Mas ele sabia que ela não ia parar. 

_Onde esteve? – Ela estava irritada, andava feito uma onça em torno dele, ela ia insistir 
está era a única forma de conseguir arrancar alguma coisa dele o conhecia e sabia até onde ir.  _ Foi a um bordel para relembrar sua juventude? Ou saiu com uma Garota de programa? 

_Pare Verônica, não me irrite com estas perguntas idiotas. -Nelson pegou a toalha de banho e ela o seguia, falando e perguntando.

_Nelson, Responde!!! Por isso não quis que eu o acompanhasse?

_CALE ESSA BOCA VERÔNICA! -O grito dele deve ter sido ouvido por toda fazenda. 
_Será que não tenho mais sossego? Será que não tenho um momento de paz? - Nelson saiu do  quarto e entrou no banheiro, deixando Verônica feito uma estátua parada e sem saber o que pensar ou o que fazer...

domingo, 12 de março de 2017

Verônica parte 8

O som da voz de marido vindo da sala fez Verônica ficar tensa. Sabia que alguma coisa iria mudar, a conversa que tivera com Lena deu-lhe a certeza que ela sabia de algo e o que quer que fosse...agora iria saber.
_ Oi... alguém em casa? - Perguntou Nelson em voz alta a fim de chamar a atenção e avisar que havia chegado. Seu orgulho e arrogância eram grandes o suficiente para querer a atenção de todos a sua volta. Mas ao contrário do que pensou, Verônica não apareceu e somente alguns minutos depois Lena entrou na sala.
_Demorou para voltar! A conversa devia estar boa não é!? -Perguntou.
_Ihhhh O que foi Lena, está brava? -Nelson zombou com seu sorriso irônico.
_Nelson, pode me acompanhar ao escritório, preciso muito falar com você ? -Lena falou com ar sério e de certa preocupação o que fez Nelson fechar o riso antes de responder.
_Pelo visto está acontecendo alguma coisa, o que é agora Lena?
Ela virou-se em direção ao escritório e fez-lhe um sinal chamando-o sem nada dizer, Nelson a acompanhou. Fechou a porta atrás de si e sentou-se ao lado de Nelson em uma das cadeiras de frente a mesa principal.
_Nelson, você sabe o quanto te quero bem, que o vejo como um filho... e que defendo você com unhas e dentes como faço também com meus filhos não sabe?
_Claro Lena!!! O que deu em você agora? Sabe bem que eu a respeito como minha mãe, afinal você me criou, minha mãe só me pariu.  -Nelson deu seu riso irônico novamente o que fez Lena alertar:
_Nelson! É muito sério para de zombarias por favor!
_Tá bom, sem brincadeiras. Fale logo Lena, não gosto de suspense.
Lena respirou fundo, tomou coragem e começou a falar:
_Chegou a hora Nelson, é hora de contar tudo para sua esposa o que houve no passado, os motivos que o levaram a casar com ela, o acordo entre seus pais, enfim... tudo! Tudo, entendeu Nelsinho?
Nelson franziu a testa, sabia do que Lena falava.
_ Que deu em você agora Lena? Jamais, não tenho nada a falar para Verônica da minha vida antes de conhecê-la.  _Porque tudo isso agora?
Lena fez sinal para que baixasse o tom de sua voz que já começava a se alterar.
_Meu filho, não há mais o que fazer. Verônica está desconfiadíssima, triste, chorosa. Qualquer um vê que  vocês estão infelizes, insistindo em manter um casamento falido. _ Nelson com a cabeça baixada brincava com o peso de papel. O conheço desde pequeno para ter certeza disso. Ele levantou-se irritado:
_ Leeena o que me pede é absurdo! Pra que trazer o passado de volta?

A conversa durou muito tempo, quanto tempo havia se passado nem mesmo eles tinham ideia quando Lena começou a conseguir convencê-lo da possibilidade de pensar no assunto.

_Nelson do céu, você precisa contar a verdade, libertar-se desta prisão que é seu casamento. Você precisa ser feliz Nelsinho, você se tornou um homem amargo, triste, agressivo. 
Revele toda verdade e deixe Verônica livre para decidir o que fazer, deixe-a ir embora se for a vontade dela. Vocês precisam viver de verdade, você e ela também, viver a vida real não é fácil mas tem um gosto doce quando se vive com a verdade meu filho, pense nisso. - Nelson ouvia tudo calado, _Viver sem mentiras, quem sabe assim você viva como sempre desejou. 

Um curto silêncio foi  necessário para que Nelson se convencesse de que Lena tinha razão. Apesar de ser uma pessoa totalmente rural, ela teve sua educação e também não havia parado no tempo. Não era a toa que a fazenda só evoluía a cada ano!

_Tá bom Lena, você tem razão, vivemos de aparência ela me cobra respostas e eu a sufoco com meu silêncio, está mesmo insuportável viver assim, Prometo a você que vou pensar no assunto!

_Isso meu filho, fale com ela. Verônica não pode viver eternamente sem saber que você, seu pai e o pai dela traçaram os rumos que a vida dela iria tomar sem sequer notar. 

_ Eu não vou falar nada por ora Lena, Se ela se queixar de novo pra você, conte você a ela Lena...conte tudo.

_Não é o correto Nelson, ela é sua esposa isso é entre vocês!!!

Nelson balançou a cabeça afirmativamente.

_ Você está certa como sempre Lena. Se ela falar com você peça que fale comigo e eu responderei ! Mas... por enquanto que fique assim.

Nelson caminhou até a porta parando antes de abrir.

_Me de mais um tempo Lena?! Ainda não sei porque isso tem que ser revelado, e muito menos que importância teria Verônica saber a esta altura os planos que o pai tinha pra ela. O velho já nem está mais aqui. mas se você acha que preciso falar... vou  esperar,  no momento oportuno, surgindo o assunto eu deixo rolar!

Lena fez um gesto com a cabeça como resposta positiva a Nelson.
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