terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Madrinha - Conto última parte

Mara estava se sentindo tão bem que não queria nem saber o que falava Madrinha. Queria continuar sentindo aquela paz e aquela luz que percorria seu corpo inteiro.

Madrinha segurou o copo sobre a cabeça da moça por alguns instantes, terminando o benzimento, foi até o altar na sala, onde colocou o copo e o alfinete com as medalhinhas. Fez uma reverencia e retornou a cozinha trazendo nas mãos uma rosa cor de rosa e umas folhas de papel.

_Está se sentindo bem? Perguntou Madrinha sorrindo para Mara.

_Nossa! Estou me sentindo ótima. Estou leve e sinto uma...uma... felicidade?! Isso, uma felicidade  interior que não sei explicar! - Mara respondeu com os olhos iluminados.

_É assim mesmo querida! Prepare-se, a partir de agora sua vida vai dar uma virada de 180°. Muitas coisas vão acontecer.

_Coisas boas?  Mara perguntou preocupada.

_Não se preocupe, são coisas que precisam mudar. Algumas pessoas vão se afastar, será melhor assim. Outras aparecerão e só ficará ao seu lado quem for realmente leal e verdadeiro amigo.


Mara prestava atenção a cada palavra.

_Prepare-se também, porque em alguns meses conhecerá um homem. Eu o vi sorrindo para você.
É moreno claro, alto e magro. Homem de bom caráter e quer o mesmo que você...uma família.

Mara alegrou-se e levou as mãos a boca, feito uma criança que descobre uma surpresa.

_Em alguns meses este homem já estará em sua vida.  Vai viver um novo e grande amor.

Mara impulsiva abraçou e deu um beijo agradecido em Madrinha que riu pela espontaneidade da moça. Mara sentia o coração saltar pela boca. Madrinha entregou-lhe a rosa e as folhas de papel explicando:

_A  partir de hoje você fará todos os dias a oração e as afirmações, não esqueça o que eu falei, após a oração agradeça a Deus, ao universo e ao seu anjo guardião.


_E a rosa? O que faço com ela?

_A rosa que te dou é "cor de rosa" esta é a cor do anjo da guarda. Você vai deixá-la na água enquanto estiver bonita, quando começar a murchar, guarde-a sem descartar as pétalas, no meio de um livro que seja importante para você. Isto servirá para que nunca esqueça de que seu anjo da guarda está sempre ao seu lado, protegendo e guardando!

Encantada Mara perguntou:

_Quanto lhe devo pela consulta Madrinha?

_Não deve nada filha, Deus me deu de graça um dom, e eu divido com os que me procuram. Deus é quem nos paga em dobro o bem que fazemos.

_ Nem sei como agradecer a senhora Madrinha!

Madrinha deu uma piscada e encerrou:

_A forma de agradecer é nunca 
deixando de confiar e agradecer a Deus. Estou sempre a serviço dele! Agora vá com a proteção de Deus e de seus anjos minha filha, espalhe amor, seja luz onde for, seja feliz!

Mara abraçou Madrinha e recebeu de volta uma carga positiva de energia, que em mil anos ela não ela não poderia encontrar palavras para descrever. 


_Obrigada Madrinha, Deus abençoe a senhora!

Satisfeita Mara caminhou até o portão e ao virar-se para fechá-lo viu Madrinha lhe abanar a mão, estava envolta em uma luz dourada. Mara piscou os olhos para acreditar no que via, enquanto se questionava sobre o fato que acabara de acontecer, viu madrinha virar-se e entrar em casa. Mara viu duas enormes asas que brotavam-lhe das costas e brilhavam intensamente.

Caminhou devagar por uns instantes, parecia estar sonhando, anestesiada com o que viu. Retomando o equilíbrio. Decidiu que não contaria á ninguém o que viu ali, o que importava é que ela sabia o que tinha visto. 
Afinal, mesmo que falasse, possivelmente ninguém iria acreditar,
Melhor seria guardar para ela este presente, sorriu sozinha e seguiu seu caminho. Deixaria Madrinha continuar seu trabalho em paz e com seu segredo. 

Madrinha olhou novamente para a vidraça, esboçou um sorriso ao ler os pensamentos de Mara, ela faria exatamente o que deveria ser feito. Guardaria o segredo. Madrinha sempre sabia quando e a quem se revelar!

Madrinha - Conto 3ª parte

....Mara suspirou aliviada.

_Você descobriu o que fez seu ex marido ir embora?  Perguntou Madrinha deixando a moça mais uma vez de queixo caído e pensando “Como ela sabe disso?” 

_ Descobri quando assinamos o divorcio. Meu advogado me disse e... eu vi entre os papeis, a certidão de nascimento de uma criança que ele era o pai.

_ Continue! – Disse Madrinha enquanto colocava chá na xícara de ambas.

_ Quem é a mulher morena, de óculos que vejo perto dele, parece uma índia!

_É a mãe dele. Mara a esta altura já não se perguntava mais nada, a mulher a sua frente estava desnudando seu passado sem nunca tê-la visto.

_Esta mulher fez você se sentir um lixo não é mesmo menina? Perguntou Madrinha

_Sim, me senti a pior das mulheres, e não entendia o porque dele desaparecer de casa, nem sequer me deu uma satisfação, achei que era uma..... de mulher. Disse Mara enxugando as lágrimas dos olhos.

_ Tome seu chá! Acalme-se e continue falando quando quiser. Certo?

Mara deu um sorriso tímido misturado as lágrimas enquanto tomava o chá

_A primeira coisa a fazer é perdoar Mara.

_Mas eu já perdoei!

_Mara! Quem conseguiria perdoar totalmente tudo isso que ele fez para você?  Sei de cada detalhe minha filha. Como eu disse, não me pergunte o que não poderei explicar... a
penas confie! - Madrinha sorriu afetuosamente para a moça.

Mara deu um suspiro e colocou a xícara novamente no pires. Madrinha continuou:

_A partir de hoje você vai fazer a oração do perdão e umas afirmações todos os dias. Sempre, a partir de agora você deverá agradecer a Deus, ao universo e ao seu anjo guardião.

_Mara concordou com a cabeça. -Madrinha se levantou, pegou um copo com água e um objeto que ela usava para benzer, era um alfinete de segurança com várias medalhinhas de santos, aproximou-se de Mara e orientou:

_Pense em Deus e em seu anjo da guarda, respire fundo, e solte o ar aos poucos.

Mara fechou os olhos como por instinto, enquanto Madrinha a benzia falando uma língua que ela não conseguia entender, parecia latim. Ela estava se sentindo tão bem que não queria nem saber o que falava Madrinha. Queria continuar sentindo aquela paz e aquela luz que percorria seu corpo inteiro.


...Continua...

Madrinha - Conto 2ª parte

Madrinha em meditação, abriu os olhos como se alguém a estivesse chamando, ela sabia que não haviam chamado, mas em poucos minutos a chamariam! 
Levantou-se e dirigiu-se a cozinha onde da vidraça conseguia ter uma visão perfeita do portão.

Viu uma moça se aproximar e procurar a campainha, foi até a varanda e ao vê-la a moça gritou do portão:

_ Bom dia!  _Procuro uma senhora chamada Madrinha, é aqui mesmo?

_Sim, sou eu mesma! Pode entrar!

Ela entrou encostando o portão atras de si, e caminhou até a mulher, estendendo a mão cumprimentou Madrinha.

_Muito prazer, meu nome é Mara, não sou da cidade! Conheci uma pessoa me falou da senhora. 

_E como posso ajudá-la? Perguntou.

_Nem sei bem como a senhora trabalha, me disseram que é benzedeira? Estou precisando tanto!

Disse a moça com sorriso sem graça.

_Venha comigo! Entrando na casa, Madrinha apontou a cadeira ao lado da mesa que ficava em frente ao fogão na cozinha, sentou-se de frente para a moça e perguntou:

_A quanto tempo está separada?

Mara franziu a testa

_ Como a senhora sabe que já fui casada?

_Não me pergunte coisas que não posso explicar! Respondeu Madrinha serenamente.

_ Bem, eu tenho 29 anos meu casamento terminou a alguns anos, durou somente sete meses e desde ai, nunca mais consegui ter nenhum relacionamento sério. As vezes chego a pensar que deve haver alguma coisa errada comigo. Os homens se aproximam e somem depois de alguns encontros.

Madrinha observava Mara que estava tensa e envergonhada.

_Fique tranquila, acalme-se, eu não vou julgar você, 
acredite! E nem vou achar que seu problema não tem importância. Se você me procurou é porque alguma coisa a incomoda! 

_Sinto-me envergonhada quando penso que há pessoas com problemas maiores, ou melhor, com problemas reais e o que me traz aqui nem é um problema, Desculpe! -Mara preparava-se para levantar com vergonha por tomar o tempo que alguém poderia precisar mais que ela.

_Sente-se! Ordenou Madrinha em tom sério e a moça obedeceu.

_Porque acha que as pessoas precisam mais do que você? -Mara sentiu um calafrio, como aquela mulher sabia que ela tinha pensado aquilo?

_Problemas não tem intensidade diferente filha. Se você está aqui sentada diante de mim, é porque a hora é sua. Seu problema doí para você na mesma proporção que os outros sentem com os problemas deles.

Mara ouvia e acalmava-se enquanto Madrinha falava com voz tranquila e doce.

_Não importa se você sofre por falta de amor e o outro por enfermidade. A dor só conhece quem a sente!

Mara suspirou aliviada.

_Você descobriu o que fez seu ex marido ir embora?  Perguntou Madrinha deixando a moça mais uma vez de queixo caído e pensando “Como ela sabe disso?”


...Continua...

sábado, 17 de dezembro de 2016

Madrinha - Conto 1° parte

Em uma pequena cidade do interior de São Paulo, havia uma senhora conhecida por seus bons conselhos e sábias palavras. 

Era uma benzedeira e muitos a procuravam para benzer as crianças de modo a cortar o medo de andar, bucho virado, quebranto e muitas moléstias que mesmo os médicos diziam que só benzendo se curariam. 

Até o delegado de polícia a procurava quando alguém sumia na cidade, ou quando precisavam saber alguma coisa relativo a alguma investigação e não é que a mulher acertava.

Ninguém sabia o que era, mas na dúvida não ousavam desafiá-la, ela era sim muito respeitada por todos!

Havia feito tantos partos na cidade, que ela sabia o nome de cada um deles, assim se tornara madrinha de todos nascidos por suas mãos. Dai a origem do apelido “Madrinha”

Ela morava em uma casa simples, porém de uma organização e limpeza de invejar.

Na sala aconchegante, possuía um altar sobre a pequena lareira onde todos os dias falava com seus santos, fazia suas orações a Deus, Jesus e a Maria santíssima. 

Acendia uma vela feita de própolis e mel que deixava um perfume na casa e em seus arredores que não se podia explicar.

Afastada do centro da cidade, sua casa era cercada de árvores frutíferas, flores do campo, rosas, orquídeas e ervas.

O local sempre iluminado pelo sol fazia com que as pessoas que lá fossem não tivessem nenhuma pressa de ir embora de tão leve e gostosa a energia que havia naquele lugar.

Madrinha usava um lenço amarrado na cabeça, tinha postura ereta, fumava um cigarrinho de palha, mas seu rosto era belo.

Quando acabava seu serviço, sentava na varanda da casa e ficava ali, meditando, as vezes tinha uns insights sobre alguém, e já ficava esperando a visita. Outras já ficava com o saquinho de bala nas mãos para dar as crianças que vinham da escola e ao passarem por lá gritavam:

_Madrinha, tem bala?

E lá ia Madrinha com seu caminhar tranquilo e seu sorriso de encantar, levar as balas para a criançada!

Apesar de ninguém saber sua idade, não parecia ter a idade que todos imaginavam. 


Era simpática, solidária, amiga de todos, mas também dava suas broncas e puxões de orelha quando alguém a procurava para alguma coisa que não fosse para o bem, ou quando aprontassem alguma.
...