quinta-feira, 18 de abril de 2019

Microconto

Ela não acreditava que poderia ser amada de verdade, sentiu-se grata por anos até admitir a si mesma a relação tóxica a que se submetia.
Enquanto olhava pela janela do ônibus a triste descoberta; só restava agora em seu coração o medo do homem que tanto amou!

Por Sônia Regina

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Recados do tempo - última parte

Queridas (os)
Resolvi fazer um resumo geral dos principais personagens do conto “Recados do tempo.”
Achei que seria muito tenso todos os detalhes que eu teria para relatar o incidente e não era esta minha intenção. 
Peço que me desculpem e não procure coerência em alguns fatos que relatei, sou leiga no assunto aviação e tudo que a envolve. 
Este conto foi apenas uma obra da minha imaginação. 
Gratidão a todos que puderam ler!
Sônia Regina


Recados do tempo - última parte
Com febre alta e em estado grave, Jaime com dificuldade confessou a todos  que desviava combustível, para o avião de um traficante. Contou que quando a aeronave acusou falta de combustível, Galvão descobriu que sua ordem havia sido descumprida. Eles brigaram e Galvão desmaiou, o que fez com que ele não conseguisse sair da cabine e se salvar como Jaime.
Confessou também, que na semana anterior havia recebido um recado através de um sonho,  e estava decidido a não fazer mais o desvio de combustível. Está seria a última vez.  Não entendeu que o pouso forçado que havia ocorrido uma semana antes, era o sinal para parar ou seria tarde demais.
Todos os sobreviventes, foram encontrados e resgatados três dias depois.
Jaime, foi internado sob escolta policial, sairia dali para a prisão onde seria julgado pelos crimes que cometeu. Mas não resistiu a uma infecção generalizada!
Rebeca, mudou muito depois dessa marcante experiência, desistiu da carreira de comissária. Fazendo a peregrinação no Caminho de Santiago, conheceu seu marido. Hoje tem três filhos e muito orgulho de suas cicatrizes!
Júlio, continuou sua carreira, assumiu sua homossexualidade. Conheceu uma pessoa especial, estão juntos e esperando uma criança para adoção!
Dr. Alberto, abriu uma clínica, onde atendia uma vez por semana, gratuitamente pessoas sem recursos.
Áurea foi promovida a comissária chefe, passou a fazer vôos internacionais, até um dia reencontrar Dr. Alberto em uma viagem de férias.
Hoje estão casados, criaram um lar para crianças abandonadas, onde todas estudam e têm todos os cuidados que uma criança necessita para ser feliz, deram a ele o nome de:
 " Lar são asas que acolhem"
Fim

domingo, 10 de setembro de 2017

Recados do tempo - capítulo IX

Áurea percebeu pela fisionomia do amigo, que não era este o motivo da preocupação dele.

_Aura, eu não me afastei de você, somente deixei de contar minhas aventuras. –Júlio sorriu por um instante e continuou a falar. _ Ontem a noite antes do voo eu estava com Galvão, ele recebeu uma ligação. Eu não me achei no direito de perguntar quem era, mas ele me contou! O que vou falar pra você agora é muito, muito grave e sério!

_Não enrola Júlio, fala logo! – Disse ela ansiosa e preocupada.

_A ligação veio do galpão de manutenção dos aviões. Quando o técnico ligou para perguntar se ele tinha certeza que deveria reduzir o combustível da aeronave. Galvão teve um sobressalto e perguntou de quem tinha vindo a ordem. O técnico respondeu que o nome da pessoa era Jaime e que era o copiloto.

_Júlio do céu! Começo a entender o pouso forçado da semana passada! Comentou Áurea pasma com esta declaração do colega.

_Sim Aura, foi por isso. Jaime pedia para colocar o combustível exato, transferindo a reserva de combustível necessária às emergências, para uma aeronave pequena, de uso particular!

Áurea ouvia tudo atônita, sem interromper o colega que continuou:

_Isso foi o que o técnico de manutenção contou para Galvão. No mesmo instante Galvão pediu que ele colocasse o combustível solicitado, nem mais nem menos! Entrou em contato com as pessoas responsáveis pela segurança, Galvão tomou as providências necessárias para segurança do voo. E me confidenciou que iria entregar Jaime, mas não antes de uma conversa com ele.

_Meu Deus, que irresponsabilidade! Isso é homicídio Doloso, ele tinha consciência de que poderia matar a todos. Eu não consigo acreditar nesta capacidade.- Áurea sentou-se no chão tentando digerir tudo que havia ouvido.

_Tem mais, uma coisa. - completou Júlio- Peguei Jaime procurando alguma coisa entre os destroços, o medo era maior que a dor, com certeza.

_A caixa preta!!! Jaime estava procurando a caixa preta do avião Júlio. Alguma coisa aconteceu naquela cabine que só Galvão e Jaime sabem. Precisamos colar no Jaime para que ele não encontre. Rezar para sermos resgatados e então entregar este assassino as autoridades!

_Aura, temos que ter cuidado para que Jaime não descubra que sabemos o que ele fazia! Controle seus impulsos femininos de agarrar aquele pescoço e esganar! – Ela riu gostosamente esquecendo-se do que estavam vivendo. Respirou fundo controlando o riso. _Claro meu amigo, não me contive de ouvir você falar desse jeito, quantas vezes me alertou em nossas conversas e eu despencava em gargalhadas. Saudade daqueles dias meu amigo– Aura ficou séria, pegou a mão do amigo que estava agachado perto dela. _Júlio, estou com medo de que não nos encontrem!

Júlio segurou a mão da colega, e lembrou:

_Minha amiga, você é uma mulher de fé, sempre foi. Não desanime, creia. Não é o que você sempre me diz?  Vamos rezar e falar com Deus, pedir que envie seus anjos!


Alberto, o médico se aproximou deles, que pensaram o que será que ele viria dizer? O estado de alguém havia piorado? E se fosse isso.. quem seria?


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Recados do tempo - Capítulo VIII

A noite chegou, estavam todos juntos em volta da fogueira que acenderam. Áurea e Júlio se afastaram um pouco para conversar!
_ Júlio, percebi que está triste desde a hora em que Rebeca foi grossa com você! - Áurea observou-o pegar no bolso da camisa um maço de cigarros amassado. Ofereceu a Áurea que aceitou:
_ Parei de fumar há três anos, mas agora estou precisando!
Acendeu o cigarro dela, depois o dele, ficou olhando a fumaça por uns segundos e perguntou a colega:
_ Você não entendeu o que ela quis dizer?
_ Claro que sim! Só não entendi o porque da agressividade e do ataque dela. Você nunca escondeu de ninguém que é gay.
_ Aura, o problema não é por eu ser gay... mas “quem” era meu companheiro!
_ Como assim Júlio? O que ela tem a ver com seu parceiro? - Perguntou Áurea franzindo a testa sem entender onde ele queria chegar.
Júlio respirou fundo, olhou em volta para se certificar de que ninguém estava ouvindo e aproximou-se um pouco mais da colega.
_ Vou te contar tudo, tempo é o que não nos falta. Ironizou Júlio com um riso triste. _ Nao posso manter isso em segredo, alguém além de mim tem que saber.
_ O que vou lhe contar Aura, é muito sério. Descobri na noite anterior ao nosso vôo. Nao me julgue até ouvir toda história? Por favor?
_ Quem sou eu para julgar você Júlio? Você me conhece! Fique tranquilo, quantos desabafos fiz com você?!
_ Aura, o meu companheiro a quase um ano... é Galvão! -Confessou.

_ Galvão? -Áurea se surpreendeu- Agora entendo porque voce se afastou de mim...para não correr o risco de me contar. - Áurea sorriu na intenção de aliviar a preocupação do amigo, pensando que este era o único segredo que ele tinha a lhe revelar, mas o que ela não imaginava, era a proporção do que lhe iria ser revelado...

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Recados do tempo - capítulo VII

Áurea e Júlio estavam ajeitando o que haviam encontrado de alimentos para que todos pudessem comer alguma coisa.

Dr Alberto olhou o relógio que trazia no pulso com o vidro quebrado. 
Era 16:00 hs, fazia oito horas que a aeronave havia caído, estava perto de anoitecer. A temperatura o do local começava a baixar rapidamente.
Ele olhou para os dois ajeitando o alimento, barrinhas de cereais, torradas, manteiga e água. 
Fechou os olhos tentando acalmar o medo que começava a crescer dentro dele. 
Eram as únicas coisas que tinham para comer, e ao deduzir que a alimentação era somente para a viagem de ida, para 84 pessoas. Imaginou que poderiam com racionamento aguentar uns três dias.

Áurea e Júlio começaram a distribuição dos alimentos, eles e o médico foram os últimos a se servir. Sentaram-se perto um do outro ao lado de Jaime, que perguntou: 
_Dr. meu braço me preocupa! Não entendo de medicina, mas...sei que minha situação não é muito segura!

O médico olhou para os dois companheiros do lado e falou:

_ Jaime, não vou te enganar. Sua situação é grave, os medicamentos que lhe dei, vão aliviar a dor por um tempo! Mas você precisa de uma cirurgia, tem uma fratura grave e não temos medicamentos suficientes para evitar infecção.

Jaime, apertou os olhos com a mão que não estava ferida, o desespero tornou-se nítido.

_ Jaime, vamos acreditar que nos encontrarão ao amanhecer? -Disse Áurea tentando aliviar a dor e o desespero do colega. - _ Eles devem estar a nossa procura. - Todos concordaram com a cabeça, mas seus olhos não tinham a mesma certeza.

E agora, viria mais um desafio, resistir aos perigos da noite e não perder a fé de serem encontrados o mais rápido possível!

Recados do tempo – capítulo VI

Aproximando-se do grupo, Áurea dirigiu-se para perto de Rebeca, não gostou da feição da colega, estava carregada e amargurada, tinha nas mãos um espelho quebrado, chorava enquanto observava o corte superficial na face, nos pés ainda mantinha o sapato de salto médio. 
Cautelosa, Áurea baixou-se ao lado da colega:

_Rebeca, você está bem? Perguntou.

Num movimento brusco, virou-se para Áurea e gritou chamando a atenção de todos a sua volta:

_Vai te catar Aura, como posso estar bem? Estou no meio do mato, o rosto ferido, não sei quando sairemos deste fim de mundo! E você vem com essa? Levantando ainda mais a voz arremedou Áurea. “_Rebeca, Você está bem?” _Vai dá uma de boazinha com outro vai Aura, me erra! 

Rebeca levantou-se da poltrona colocada junto a outras em forma de círculo, com o espelho na mão saiu raivosa. Mas voltou, parando de frente à Áurea e completou seu discurso:
_Pra seu governo, a chefe aqui sou eu, não se esqueça!

Antes que ela continuasse Áurea se levantou e Júlio se enfiou entre as duas, e segurando o braço de Rebeca alertou:

_Calma Rebeca, estão todos vendo seu show, você está fora de si...

_Me solte seu...seu... ah você sabe bem o que quero dizer! -Disse Rebeca sem constrangimento algum ao ver Júlio baixar a cabeça e sair de perto delas.

Áurea respirou fundo, percebeu que todos estavam olhando para elas e qualquer coisa poderia desencadear um conflito ou pânico depois de ouvir as lamúrias de Rebeca, encostou-se bem perto dela e falou de forma que os outros não ouvissem. 
 
_Tem razão Rebeca, você é a chefe! Então, solte esta porcaria de espelho, coloque os sapatos adequados para a situação e tome as rédeas ao invés de se olhar no espelho e lamentar-se por um risco no rosto quando tanta gente perdeu a vida! - Rebeca ouviu tudo com os braços cruzados, fazendo-se de desentendida! Áurea continuou a falar sem se importar com a ironia da colega!-
_Muitos aqui perderem parentes, filhos, amigos. Não seja egoísta olhando para o próprio umbigo.
Seja capaz de cumprir com suas responsabilidades como profissional que é  antes de ser chefe dos comissários vivos e mortos desta aeronave! 
- Dizendo isso Áurea se afastou indo ao encontro de Júlio. Rebeca se deu conta de que estava entre os 18 passageiros que sobreviveram. Alguns haviam perdido a família inteira, outros tiveram seu membros dilacerados como Jaime, outros teriam sorte se conseguissem sobreviver ao resgate, se é que ele aconteceria! Sem jeito Rebeca foi até as malas empilhadas onde haviam roupas e calçados, escolheu um tênis que servisse e o calçou, dirigiu-se à Jaime e perguntou baixinho:

_Jaime, me ajude, o que eu faço? Essa nojenta da Aura veio me chamar a atenção, quem ela pensa que é?

Jaime a olhou incrédulo pela cena que havia visto minutos antes.

_Rebeca... antes de qualquer coisa, cresça! Não sou fã de Àura, mas ela tem razão em cada palavra e vírgula que lhe falou! - A primeira coisa a fazer agora é não esquecer que estas pessoas estão contando conosco! Ninguém aqui quer saber quem é mais que quem, somos apenas sobreviventes. É hora de colocar em prática o que aprendemos quando resolvemos nos tornar o que somos. -Jaime deu um sorriso sarcástico com o canto da boca!

Rebeca baixou a cabeça, ainda olhando no pequeno espelho quebrado. Inerte a tudo que fosse diferente de seu reflexo. Jaime a olhou, franziu a testa e perguntou:

_Rebeca? Como você passou em nosso teste de sobrevivência?

No mesmo instante Rebeca fechou a cara, levantou-se e saiu de perto do grupo!

sábado, 2 de setembro de 2017

Recados do Tempo capitulo V

O sol já estava se pondo, nenhum sinal de celular e nem sinal de socorro haviam aparecido.
Eram 22 sobreviventes, de um voo com 74 passageiros e seis tripulantes, perdidos em um vale com mata fechada, sem sinal de comunicação, totalmente a mercê da natureza, e possivelmente animais selvagens.
Seguindo as orientações de Jaime o co piloto, levaram os corpos encontrados para um local fresco e seco embaixo das árvores formando uma fileira. Segundo ele, isso poderia tirar a atenção de algum animal predador que tivesse intenção de atacá-los durante a noite, e também evitaria o sol do dia seguinte que poderia tornar a situação ainda mais difícil.
_Triste, porém necessário para tentar manter nossa segurança. -Explicou Jaime.
As bagagens que conseguiram recuperar foram abertas e roupas, calçados e  agasalhos foram distribuídos para protegê-los do frio da noite.
Júlio e Áurea conseguiram recuperar quase todo alimento, água e bebidas que havia no avião. Assim conseguiriam aguentar um pouco mais de tempo. E o que era melhor conseguiram encontrar a Caixa de primeiros socorros da aeronave e também a pasta de trabalho do Dr. Alberto que ajudaria muito com alguns medicamentos e aparelhos que ele sempre carregava.
Reunidos em um ponto um pouco afastado dos destroços, Alberto atendeu da melhor forma possível cada um que lá estava.
Alguns casos o preocupavam, ele chamou Áurea e Júlio, e comentou os casos, inclusive o de Jaime, todos precisavam ser operados. O risco de infecção já existia.
_Eu tive que dar um sedativo para a mulher que perdeu a filha e também para a colega de vocês.
_Rebeca? - Perguntou Áurea preocupada-
_Sim, é o nome que está no crachá de identificação. Ela não responde … está em choque! -Concluiu o médico!
_ Vou conversar com ela. Muito obrigada Alberto! - Áurea deu um sorriso cansado ao médico e observou- _ Seria irônico dizer que estou feliz por estar aqui Dr? - Alberto retribuiu o sorriso, ofereceu a ela um pouco de água, tentando conforta-la,  colocou delicadamente a mão em seu ombro e respondeu:
_Se é assim, também serei irônico!!! Obrigada a você também por estar aqui.
_ Aqui e agora somos um por todos e Deus por nós....Acredita em Deus Dr. ? -Perguntou ela.
Alberto​ calou-se por uns instantes e respondeu:
_Ainda não consegui entender seus desígnios, mas... Sim, acho que sim!
_ Entendo! Depois falaremos mais Dr. Vou ver Rebeca. -Dizendo isso Áurea caminhou em direção ao grupo onde estava Rebeca!